Marketing esportivo - o esporte nas estratégias empresariais
   
  UMESP - Universidade Metodista de São Paulo
Comunicação e Gestão empresarial
Docente: Dr. Wilson da Costa Bueno
Mestranda: Camila Pierobom Bertoldo , e-mail: pierobom@gwmnet.com.br


Conceitos e Definições


Marketing esportivo é um conjunto de ações voltadas à prática e à divulgação de modalidades esportivas, clubes e associações, seja pela promoção de eventos e torneios ou pelo patrocínio de equipes e clubes esportivos.
Antônio Afif, em seu recente livro "A bola da vez - o marketing esportivo como estratégia de sucesso", explica que marketing esportivo é uma das estratégias que utilizam o esporte para atingir suas metas. Há duas formas para definir essa prática: 1ª - marketing de produtos e serviços voltados aos consumidores que, de alguma forma, se relacionam com o esporte (camisas oficiais do time, por exemplo) e 2ª - uma estratégia que emprega o esporte como meio de divulgar produtos, sem que estes tenham ligação com atividades esportivas (patrocinadores em geral).
Empresas e marcas líderes costumam privilegiar esta área, aproveitando-se da boa imagem de atletas ou equipes esportivas junto à opinião pública, gerando resultados extremamente positivos para suas imagens. Nesse sentido, Afif diz que, hoje em dia, profissionais de marketing precisam muita criatividade para se sobressair à publicidade tradicional, inovando com algo que tenha o poder de mexer com as pessoas.
E nisso, diz Afif, o marketing esportivo "cai como uma luva", pois é o momento em que se pode atingir o espectador (consumidor) em seu momento de lazer, quando está aberto à mensagem da empresa e seus produtos.
Além das vendas, a estratégia de associar a empresa ao esporte gera o rejuvenescimento da marca, devido à força que o esporte possui entre os jovens. O fato de inserir uma marca na camisa de uma equipe cria uma relação de cumplicidade da empresa com a performance esportiva, recebendo toda a credibilidade obtida pelos atletas.
Com o bom desempenho do time ou dos atletas, as pessoas que até então se mostravam indiferentes pela marca que a patrocina passam a nutrir uma imagem positiva da empresa. Entretanto, quando um jogador apresenta um comportamento inadequado, o patrocinador poderá ter sua imagem afetada, mesmo que indiretamente.
Antônio Afif explica que hoje muitas pessoas começam a compreender que, além do patrocínio esportivo, podem ter a oportunidade de realizar alguns negócios, principalmente no futebol, participando de investimentos ou licenciando a marca do time para utilizá-la em suas ações de marketing. Porém muitas empresas, na ânsia de buscar retorno rápido para o seu investimento, acabam divulgando muito mais sua marca do que necessariamente o nome da equipe. Assim, o autor ressalta que é importante que essas empresas tenham em mente que o que leva as torcidas ao estádio são as equipes e não as suas marcas.


O Surgimento do Marketing Esportivo

O marketing esportivo, assim como o marketing moderno, teve grande ascensão no Brasil principalmente nos anos 50, durante o governo de Juscelino Kubitschek. A política, cujo mote era "50 anos em 5" levou diversas organizações, tanto nacionais com internacionais, a operar no país.
As grandes empresas de origem estrangeira traziam para cá as mesmas marcas que comercializavam em outros países e limitavam-se a produzir artigos padronizados. As ênfase estava nas vendas, mas empresas-líderes já utilizavam estratégias de marketing como as pesquisas, a propaganda e promoções de venda
Foi também nos anos 50 que o marketing foi introduzido nas faculdades. A pioneira foi a Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, que o incluiu nas disciplinas do curso de Administração de Empresas.
Mais tarde, com o golpe de 1964, o governo ditatorial passou por sérias dificuldades econômicas e o progresso só retornou por volta de 1967. Em 1980, a alta da inflação e a interrupção dos investimentos estrangeiros, novamente fez com que o marketing decaísse. Entre altas e baixas, o marketing passou a ter forte ascensão com o uso da informática, quando o controle das estratégias tornou-se mais rápido e preciso.
No exterior, o marketing esportivo surgiu a partir das restrições à publicidade do cigarro e da bebida impostas pelos Estados Unidos e parte dos países da Europa. A iniciativa de patrocínio do futebol partiu da Stock, fábrica de bebidas, que resolveu divulgar sua marca nos estádios italianos.
Afif conta que o marketing esportivo só não foi incrementado há mais tempo no futebol porque a Fifa - Federação Internacional de Futebol não permitia que as equipes tivessem publicidade nas camisas. Como alternativa, algumas empresas transformaram seus nomes em marca de material esportivo, podendo estampá-los nas camisas dos jogadores.
Há caso ainda de empresas que adquiriram times para alterar a denominação do clube. Na Alemanha, o laboratório Bayer, por exemplo, passou a divulgar sua marca depois de comprar os times Leverkusen e Uerdigen. Na Holanda a tática foi utilizada pela Philips, que incorporou seu nome ao União Esportiva "Philips".

Ações de comunicação

A associação da marca de uma empresa ao esporte gera fortes impactos no público. Sendo assim, é importante escolher uma modalidade que mais se identifica com o público alvo de cada empresa patrocinadora. Afif afirma que importante é que a escolha da modalidade esportiva seja condizente com o objetivo da empresa.
Para tanto, é necessário observar as características do público, que pode variar de acordo com a região, sexo, idade, classe social, etc. Assim, diversas ações podem efetivar o marketing esportivo. Antônio Afif destaca cinco; são elas:

Alternativa à mídia convencional - a evidência do nome ocorre não só durante a duração das competições como também nos dias seguintes, com a divulgação da imprensa, na televisão e nos jornais.

Reforço ou construção da imagem institucional - A emoção que o esporte oferece ao público é transferida à imagem da empresa patrocinadora, pois a marca também está participando daquele "momento mágico".

Incremento das verbas - criação de comerciais com a participação de atletas.

Segmentação do público-alvo - é uma maneira de conciliar o produto ao público-alvo, racionalizando investimentos. Para isso, é preciso recorrer às pesquisas de mercado.

Rejuvenescimento da imagem - incentivar atividades esportivas constrói uma imagem mais jovem da empresa, tanto no produto quanto na marca da companhia. Algumas empresas adotam o marketing esportivo principalmente para alavancar um novo momento quando atravessam momentos de crise. Um caso típico aconteceu em 1992, quando o Banco do Brasil resolveu investir no esporte como forma de motivar funcionários e superar problemas financeiros. Patrocinou a seleção brasileira de volley nas Olimpíadas de Barcelona, criando a Torcida Brasil, obtendo novas parcerias com seus clientes. Em seguida, criou o Projeto Atlanta, levando a marca aos Estados Unidos, dentro de um tema olímpico. Os resultados obtidos foram excepcionais e o banco superou a crise.

As etapas do marketing esportivo

O processo do marketing esportivo baseia-se em cinco principais aspectos:

1º - Análise da situação: essa etapa inclui conhecimento dos recursos (equipamentos) disponíveis e o conjunto de problemas que precisam ser resolvidos por meio das ações que se pretende implementar.

2º - Planejamento: segundo passo agora é a criação de objetivos, numa linguagem clara e resumida. Essa etapa compreende a definição das metas por escrito, especificação de resultados, apresentação de cronograma de consecução de metas e realismo em relação aos recursos disponíveis.

3º - Viabilização do projeto: execução das ações.

4º - Controle: evitar desvios de metas através de acompanhamento sistemático da evolução dos trabalhos, para não ocorrerem prejuízos no objetivo final do planejamento traçado.

5º - Análise do retorno: pesquisas para saber se a estratégia está surtindo ou não os resultados esperados.

A importância da pesquisa

A pesquisa é a base do desenvolvimento das estratégias de marketing, pois traz conhecimento do mercado. Os clubes precisam traçar o perfil do seu torcedor, o que faz, como vive, o que consome, etc. Através da pesquisa, os clubes obtém as seguintes respostas:

- classificação sócio-econômico-cultural;
- hábitos de consumo;
- opiniões sobre a marca (clube);
- grau de envolvimento emocional com o clube.

A pesquisa quantitativa serve para mensurar os fenômenos de marketing avaliando o comportamento de determinada população, empregando técnicas observatórias, de experimentação e de sondagem. A pesquisa qualitativa gera informações que possibilitam a interpretação conceitual dos fatos observados e a razão pela qual o mercado assume determinado tipo de comportamento.

O marketing esportivo no Brasil

Cesar Augusto Sbrighi diz, em seu trabalho sobre as implicações do marketing na administração esportiva, que o marketing esportivo no Brasil ainda encontra-se num estágio muito primitivo de desenvolvimento. Para ele, o lado organizacional do esporte precisa ser melhor desenvolvido, para que haja um crescimento do apelo aos patrocinadores. Isso, segundo Cesar, resultaria num grande suporte para a evolução do marketing.
Uma recente publicação sobre o assunto mostrou que o marketing esportivo tem movimentado apenas 0,1% do PIB - Produto Interno Bruto, totalizando quase R$ 800 milhões por ano. Desses, R$ 250 milhões referem-se ao contrato entre a Nike e a Confederação Brasileira de Futebol. Já uma temporada do vôlei, incluindo tanto as modalidades masculinas quanto femininas absorve outros R$ 200 milhões.
Esse total percentual é considerado extremamente baixo se comparado aos investimentos de outros países, onde o marketing esportivo é muito mais profissionalizado. Nos Estados Unidos, por exemplo, há incentivos em praticamente todos os tipos de atividades esportivas, principalmente no basquete, futebol americano, beisebol e hóquei.
Numa comparação superficial, entre ingressos, patrocínios, comércio de materiais, esportivos, cotas de televisão, negociação de atletas, transporte aéreo , ocupação hoteleira, etc, o Brasil movimenta anualmente cerca de 2 bilhões de dólares, enquanto os Estados Unidos respondem por 87 bilhões de dólares. Somente a NBA gira 5 bilhões de dólares por ano.
No Brasil, são várias as razões para o baixo investimento no marketing esportivo. Um a delas é a visão "amadorística" do esporte, que faz com que empresários o utilizem apenas para obter vantagens, assim como políticos para ganhar votos, etc. Prova disso são as recentes CPI's instaladas para avaliar os escândalos envolvendo clubes, federações, empresas e até mesmo atletas e treinadores.
Nesse aspecto, Cesar Augusto acredita que a aprovação da chamada "Lei Pelé" (Lei 9.615/98) de 1998, que obriga clubes a transformarem-se em empresas, inibirá os esquemas de corrupção que faz com que o Brasil se mantenha estagnado no setor. Para ele, a partir do momento em que os clubes se tornarem mais profissionais, ganharão credibilidade.

"A credibilidade é um dos fatores fundamentais no marketing, pois a partir do momento que o consumidor acredita no produto, a sua relação com a empresa se torna mais próxima de um marketing de relacionamento, que é a ligação que todas as instituições procuram".

Estudos comprovam que o Brasil possui investimentos três vezes menores do que em países como Alemanha e Japão. Os motivos vão desde a desorganização de calendário à fragmentação dos intermediários.
A falta de dados sobre o recall desse investimento também é um fator de peso que vem contribuindo para a colocação do Brasil na "quarta divisão" mundial no que se refere ao marketing esportivo. Hoje em dia, ninguém sabe precisar se o patrocínio vale a pena, se é melhor gastar milhões para patrocinar um time de futebol ou dispor de pouca verba para um tritleta.
Um dos sócios da TopSports, Luiz Fernando Pozzi, diz que o esporte brasileiro ainda não sabe vender, pois as empresas não dão garantia de entrega do produto, nem avaliação dos resultados.
Ernani Contursi conta em seu livro "Marketing Esportivo" que em países desenvolvidos, com grandes tradições esportivas, são contratados especialistas para a organização do esporte. São milhões de dólares investidos na atividade física, por profissionais que acreditam no retorno do produto esporte.
No Brasil, conforme a análise de Ernani, o aumento do desafio no marketing esportivo é gerado por uma questão até mesmo cultural. "(…) já que o famoso jogo de cintura, para bater recordes e colocar milagrosamente atletas em campo 24 horas após graves lesões, colocam o jeitinho brasileiro num patamar de desconfiança na capacidade de nossos profissionais, de vendas mal intencionadas, de corrupção que está em todo lugar (…)"
Essa caminhada (a passos lentos) do marketing esportivo no Brasil revela raízes na própria história do patrocínio ao esporte. Conforme destaca Afif, no Brasil, o patrocínio de equipes é fato recente, já que essa prática teve início nos anos 80, quando os clubes começaram a divulgar o nome das empresas nas camisas. O autor conta que o vôlei desempenhou importante papel nesse sentido, pois foi o esporte que "saiu na frente". Primeiro com a Pirelli, depois com o time da Atlântica-Boa Vista e mais tarde com inúmeras outras equipes.
Depois do sucesso obtido no vôlei, o futebol passou a avançar no campo do patrocínio que, com sua regulamentação, apresentou um excelente retorno às empresas, além de destacá-las na mídia.
Em decorrência desse sucesso, começaram a surgir as primeiras firmas de assessoria esportiva, solidificando efetivamente o marketing esportivo. Apesar de ainda estar em fase de evolução, o patrocínio traz às empresas uma sensação de que o esporte pode ser um importante aliado de suas ações de marketing.
Afif conta que muitas organizações ainda se mostram resistentes à aposta, isso porque as negociações que envolvem o esporte apresentam pouca transparência. Para ele, os escândalos, a alteração dos calendários durante as competições e o excesso de torneios de jogos afastou muitas companhias sérias do segmento, pois a estrutura esportiva no Brasil não as atrai.
O autor acredita que o patrocínio esportivo tem condições de ser maximizado pelas empresas, aproveitando-se o próprio espetáculo e não somente o nome estampado nas camisas. Mesmo com todas as dificuldade, Afif afirma que a cultura amadora e conservadora dará espaço a ações de marketing, pois o Brasil possui um enorme potencial de marketing esportivo. Um dos argumentos de Afif nesse sentido é o fato de o Brasil ser o quinto maior mercado esportivo do mundo.
Um outro fator que merece ser avaliado é o papel da televisão no marketing esportivo. No futebol, por exemplo, o faturamento dos time brasileiros depende basicamente da televisão, dos patrocínios e das bilheterias. Em média, 72% das receitas dos clubes, segundo o ranking do jornal Lance! no final de 1999, vêm dessas fontes.
Apenas 28% do caixa é feito com operações de merchandising, licenciamento e exploração do estádio. Já na Inglaterra, por exemplo, essas receitas respondem por cerca de 40% dos ganhos. Para Afif, isso é uma prova de que os times brasileiros não sabem explorar suas marcas, vender produtos oficiais nem fazer de sua praça de esportes uma fonte de ganhos significativos.

Tipos de patrocínio

Patrocinando equipes

No Brasil os maiores investimentos são voltados ao futebol, tanto que quase todos os times já possuem patrocinadores. Empresas como a General Motors entrou para o ramo, inovando ao patrocinar as duas maiores equipes do Rio Grande do Sul.
A Nike, por exemplo, possui um dos mais cobiçados contratos com a Seleção Brasileira de Futebol. Para Ter o direito de estampar sua marca nos materiais esportivos e nos uniformes da equipe, a empresa chegou a desembolsar 170 milhões de dólares, além do material esportivo que fornece e o pagamento de parte das despesas em transporte e hospedagem do time.
Outra companhia líder de patrocínio de grandes seleções é a Coca-Cola. Além do Brasil, a empresa patrocina outras 27 seleções no mundo, incluindo Espanha, Inglaterra, Argentina e Alemanha. Como estratégia de fixação da marca a empresa utiliza anúncios e placas em estádios, realiza promoções e ainda apoia os principais campeonatos de futebol do mundo.
Mas não é só ao futebol que a companhia associa sua marca, a Coca-Cola investe também no vôlei, atletismo, natação, adotando um lema que sustenta desde 1970, quando ajudou a formar atletas como Joaquim Cruz e Robson Caetano, "Patrocinar é acreditar".
Algumas empresas ainda acham arriscado ações de patrocínio a grandes clubes nacionais, usando como argumento a perda dos consumidores do time adversário. Entretanto, uma prova de tal argumento não procede está no crescimento da marca Parmalat, ex-patrocinadora do Palmeiras, que é o grande rival do Corinthians, a maior torcida de São Paulo e a segunda maior do Brasil.

Patrocínio ao automobilismo

O patrocínio ao automobilismo é um dos casos que exemplifica a importância em associar o produto ao público-alvo. Apesar de ser um dos únicos esportes que permite uma ampla popularidade de vários produtos como cigarro, bebidas alcoólicas, entre outros, o investimento mais forte parte das distribuidoras de combustível.
A Petrobrás, mesmo patrocinando o Flamengo desde 1984 e a Seleção Brasileira de Futsal (420 mil Reais), sentiu a necessidade de associar sua marca ao esporte que consome seus produtos diretamente. A opção foi firmar um contrato com a Wiliams no início de 1998, para ser fornecedora oficial dos combustíveis, o que lhe deu o direito de imprimir sua marca nos boxes.
Já a Shell foi movida pela necessidade em atrair novos franqueados, afinal, até o início de 1999 havia perdido trezentos franqueados dos 4200 postos. Estabeleceu um convênio com a Ferrari e se aproveitou do GP do Brasil de 1999 para montar seu estande de negócios e ir em busca de seus objetivos: novos franqueados.

Patrocinando atletas

Por absorver um custo muito menor do que o patrocínio de equipes, algumas empresas brasileiras estão optando por divulgar seus produtos através de alguns atletas. A Bausch & Lomb assinou contrato de patrocínio com pelo menos 15 atletas nacionais, incluindo desde duplas de vôlei de praia como Mônica e Adriana a grandes nomes das modalidades aquáticas, como é o caso de Beth Modesto do windsurfe.

Patrocinando eventos

Essa é uma das maneiras de evidenciar a marca não só durante as competições como também promover o nome da empresa na mídia. Em 1998 o Grupo VR patrocinou o Campeonato Paulista, idéia que rapidamente foi adotada pela Kaiser, que patrocinou o evento no ano seguinte.
Um dos maiores exemplos de patrocínio de eventos aconteceu também em 1999 no Campeonato Carioca. A Rede Globo de Televisão se juntou à TAM e promoveu diversas ações de marketing.
A publicidade pôde ser vista nas placas do Maracanã, nos camarotes do estádio e nas camisas de seis equipes. Além disso, a empresa aérea assimilou seu produto ao evento, concedendo ingressos dos jogos aos passageiros que compraram bilhetes de vôos do Rio para São Paulo e Brasília. Com um custo de 1,5 milhão de Reais, a estratégia visava o fortalecimento da companhia no mercado carioca. Para tanto, a TAM não hesitou em implantar sua velha jogada de marketing: estendeu o tapete vermelho no acesso dos jogadores ao gramado.
Estratégias mais ambiciosas, no entanto ocorrem nos Estados Unidos, onde algumas empresas se utilizam dos mais modernos recursos tecnológicos para que o principal objetivo de seu investimento não deixe de ser alcançado, em hipótese alguma: nenhum torcedor deixará o local sem ver o anúncio ou a mensagem do patrocinador.

Celebridades que "vendem" o produto

Há empresas que, longe da idéia de patrocinar o atleta, a equipe ou promover os eventos esportivos, querem associar à imagem de alguma celebridade da área ao seu produto, no intuito de atrair o consumidor pela visibilidade do "astro".
Afif diz que o principal uso da imagem de celebridades é criar um símbolo que chame a atenção para o produto. "O segredo, do ponto de vista do marketing, é que a imagem da celebridade chamará a atenção não só de seus fãs como também de muitos consumidores que não integram a principal audiência dele, mas que ainda podem ser influenciados na decisão de compra pela familiaridade de sua imagem".

Índices de retorno

É claro que, assim como qualquer estratégia, o marketing esportivo é utilizado com fins lucrativos ou um retorno, no mínimo, institucional. Na intenção de fixar a marca na cabeça do consumidor (torcedor) as empresas buscam por benefícios como a projeção da marca, a simpatia do público-alvo e da mídia, gerando uma visibilidade espontânea sem custos.
Com as estratégias destacadas anteriormente, as empresas conquistam um espaço que, de alguma forma passa a ser conhecida do público. Depois de alcançado esse estágio, o trabalho de expansão da marca fica a cargo do departamento de marketing, que passará a usufruir desses benefícios da forma que achar mais significativo para a empresa.
O retorno no que se refere às vendas, no entanto, poderá ser medido de acordo com a "fama" da marca já existente no mercado. Portanto, mesmo que as vendas tenham dobrado durante uma campanha, isso não significa necessariamente um resultado positivo da ação.
Outro aspecto que geralmente preocupa possíveis investidores é o reflexo que uma derrota pode exercer à empresa que mantém seu nome ligado ao atleta ou à equipe. Nesse sentido, Afif acredita que a marca não sofre nenhuma influência no resultado da atividade, principalmente se este for negativo. "É claro que quando a equipe vence um partida muito importante, o retorno sofre ligeiro aumento. Nas derrotas, no entanto, o desempenho não é abalado", garante o autor.
Luís Fernando Pozzi, no entanto, alerta para os riscos do marketing esportivo. Para o consultor, o esporte, assim como qualquer outro ramo de atividade, possui uma série de incidentes que comprovam que as empresas devem realmente estar atentas para não colocar em risco suas imagens.
Para argumentar a sua postura, Pozzi ressalta os reflexos que uma atitude indevida do atleta, um flagrante de dopping um acidente ou até mesmo um caso de suborno pode proporcionar à publicidade da empresa patrocinadora.
Um dos episódios mais recentes, segundo o consultor, foi a suposta interferência da Nike no dia-a-dia da seleção brasileira durante a Copa do Mundo da França, em que envolveria a escalação de jogadores e a obrigatoriedade contratual de que Ronaldinho participasse de todos os jogos.

"Após o episódio do mal-estar do maior garoto-propaganda da empresa no futebol antes da final da Copa, tal alegação poderia criar na opinião pública a impressão de que a Nike poderia estar pondo em risco a vida do atleta para garantir seus objetivos comerciais, o que traria um efeito devassador na imagem da empresa".

A afirmação de Pozzi tem a finalidade de destacar a importância em se avaliar os "dois lados da moeda" para que os riscos sejam minimizados, e que de Reações Públicas se atentem ao problema, adotando medidas que desassociem suas marcas de um acontecimento negativo.

Parmalat: um case bem sucedido de co-gestão

Com o objetivo de melhorar sua imagem institucional, a Parmalat se tornou um marco na história dos negócios esportivos no Brasil. Consciente de que o esporte seria o melhor caminho para viabilizar o seu plano, a empresa inovou a forma de patrocínio ao participar das ações do time, adotando um sistema de co-gestão empresarial.
Assim, seus investimentos tiveram início na década de 70, quando patrocinou competições de esqui, ingressou na Fórmula 1 até chegar ao futebol, junto a um dos principais clubes da Espanha, já nos anos 80.
Em 1987, assumiu o controle do Parma, passando o time da Terceira à Primeira Divisão, o que a elevou a modelo de administração esportiva. No Brasil o maior sucesso da Parmalat acontece logo depois que a empresa firmou contrato com o Palmeiras. A seqüência de títulos conquistados pelo time e a seriedade da gestão no departamento de futebol geraram uma imagem de credibilidade na opinião pública.
A projeção da multinacional italiana tem sido marcante principalmente na mídia. Entre jogos televisionados do time, melhores momentos das partidas realizadas e reportagens na TV em 1999, a empresa esteve evidenciada durante 645 minutos no vídeo. Isso sem levar em conta os momentos em que esteve em mais de uma emissora de TV.
Na mídia impressa a marca esteve presente em mais de 120 reportagens durante o ano de 1998. Outro exemplo de visibilidade marcante aconteceu durante o segundo jogo pela Copa Libertadores da América ocorrido em maio de 1999.
O jogo que pôs em campo o Palmeiras e River Plate proporcionou à Parmalat mais de 214 aparições na tela da Globo, totalizando 11 minutos e 39 segundos; o equivalente a dois meses de investimentos no clube. A co-gestão esportiva é uma estratégia que permite a participação ativa do patrocinador a administração do esporte de uma equipe, preservando a tradição do clube.
Outra estratégia bem conhecida foi a criação dos Mamíferos da Parmalat, promoção que rendeu à empresa os prêmios Marketing Best e Colunistas. Para alavancar a promoção a Parmalat utilizou crianças vestidas de filhotes de mamíferos, com o objetivo de ligar sua imagem ao público infantil, de uma maneira carinhosa.
O sucesso da promoção se refletiu no aumento das vendas dos produtos, pois da previsão de 300 mil bichinhos de pelúcia o resultado chegou a 15 milhões de unidades. Isso colocou a Parmalat entre as três maiores empresas de produtos alimentícios do país, pois através do público infantil a empresa conseguiu se aproximar também dos jovens e dos adultos.
A experiência da Parmalat mais uma vez mostrou que o "boicote" dos torcedores do time adversário não acontece de forma tão abrangente, apenas em alguns casos de fanatismo. Tanto, que o faturamento da Parmalat em dez anos passou de 38 milhões para 1,87 bilhão de Reais por ano.

Resumo

Apesar de caminhar a passos lentos, o setor esportivo brasileiro tem demonstrado que o marketing esportivo é um dos melhores investimentos para as empresas que desejam criar uma relação de confiança entre os consumidores.
Os profissionais de marketing, por sua vez, sabem que nos dias de hoje é preciso inovar para alcançar as metas estratégicas de propaganda. Nesse caso, o marketing esportivo possui uma característica diferenciada, pois atinge o consumidor em seus momentos de lazer.
O fato de inserir uma marca na camisa de uma equipe cria uma relação de cumplicidade da empresa com a performance esportiva, recebendo toda a credibilidade obtida pelos atletas. Porém, alguns consultores alertam para os riscos que tal associação pode trazer às empresas patrocinadoras.
Bom desempenho dos atletas faz com que o consumidor passe a nutrir um sentimento de simpatia pela marca, até então ignorada, mas uma atitude indevida da equipe patrocinada ou atos ilícitos dos clubes e seus dirigentes podem trazer sérias conseqüências à imagem da empresa.
Portanto, o fator que tem gerado grande parte das discussões entre profissionais e consultores da área é a profissionalização do esporte brasileiro. A partir do momento em que o esporte deixar de ser considerado uma atividade amadora e passar a ter mais transparência por parte de seus administradores, tanto as modalidades esportivas quanto aqueles que as patrocinam ganharão maior credibilidade.


Bibliografia

Referências bibliográficas

AFIF, Antônio. A Bola da Vez - o marketing esportivo como estratégia de sucesso. São Paulo: Editora Infinito, 2000.

CONTURSI, Ernani B. Marketing Esportivo. Volume I, Rio de Janeiro: Sprint, 1991.

Artigos diversos

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http://br.geocities.com/cesaras/1.htm

 
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