Resultado de enquete sobre o atentado de 11 de setembro

De setembro de 2001 a janeiro de 2002, foi colocada no site www.marketingesportivo.cjb.net uma enquete, e aqui estão os resultados:

Em setembro de 2001, o mundo viu o maior atentado
terrorista da história. Este acontecimento teve vários
reflexos nos mais diversos setores da sociedade.


Portanto, uma questão pertinente a área de marketingesportivo se fez necessária.
Qual a magnitude do reflexo do atentado nos EUA nasempresas ligadas ao Esporte?


GRANDE- As pessoas ficariam com medo de ir a eventos
esportivos, os investidores conteriam gastos. 22,13%


MÉDIA-A curto prazo (6 meses) os investidores e o
público dos jogos voltariam ao normal. 41,80%


PEQUENA- Houveram perdas sutis com cancelamentos e no
espaço da mídia, os quais já se normalizaram(janeiro). 29,51%


NENHUMA- Durante poucos dias houve problemas, mas tudo
já voltou ao normal, houveram poucas perdas. 0,82%


OUTRA OPÇÃO -As empresas investirão muito mais no
esporte para distrair o público. 5,74%


Quase um quarto das pessoas que votaram, tinham a
opinião que o impacto seria grande. Graças ao apelo do
governo americano para que a vida dos americanos
voltasse ao normal, não houve uma diminuição de
público nos eventos esportivos, a não ser nas
primeiras semanas. Outro grande reflexo foi o reforço
da segurança nestes tipos de evento, como nos JogosOlímpicos de Inverno.
A maioria dos votantes opinaram por uma repercursão
média, neste caso de médio-curto prazo (6 meses).
Perto de um terço das pessoas votaram numa opção onde
as perdas de público e investimento seriam mínimas.

Aqui abaixo temos alguns artigos sobre o assunto:

Terrorismo assusta atletas e causa fuga de patrocinadores
Grandes competições internacionais já sofrem efeitos da crise mundial

LÍVIO ORICCHIO

Se o objetivo dos responsáveis pelos ataques terroristas aos Estados Unidos era desestabilizar a ordem mundial, não resta mais dúvida que a estratégia deu certo. Além das graves implicações políticas, militares, e agora de saúde pública, os atentados já estão atingindo até mesmo o que ainda era capaz de fazer as pessoas esquecerem-se um pouco dos horrores experimentados em Nova York e Washington: os eventos esportivos.

Cancelamento de competições, deserções de atletas, por temerem novas ações, redimensionamento dos valores assegurados, etc. Nem mesmo a Copa do Mundo, o Campeonato da Fórmula 1, os Mundiais de vários esportes programados para o ano que vem (o de basquete, em Indianápolis), a Olimpíada de Inverno, passarão imunes à atual realidade do planeta.

A Fifa já foi comunicada pela empresa de seguros Axa que o contrato assinado para vigorar durante a disputa da Copa na Coréia e no Japão terá de ser revisto, pela brutal elevação da taxa de risco de incidentes. Na Fórmula 1, a equipe Williams perderá o patrocínio da Nortel Networks, enquanto a Marconi deixará de investir na Benetton. "Temos de planejar uma solução conjunta para a queda no orçamento das escuderias. Alguns dos patrocionadores já anunciaram que dificilmente renovarão seus compromissos", diz Eddie Jordan, sócio da Jordan. "A nova ordem econômica mundial está impondo outra postura mesmo dos grandes grupos industriais", comenta Ron Dennis, sócio da poderosa McLaren-Mercedes.

A mesma dificuldade de encontrar patrocinadores, ou prosseguir com os atuais, atinge a Fórmula Indy, ainda que os valores sejam muito menores que os praticados na Fórmula 1. A equipe Newman-Haas, por exemplo, de Christian Fittipaldi, "tem até agora apenas 70% do orçamento de 2002", observa o piloto. Já a Federal Express, patrocinadora do evento, não deve mais investir na Indy, por causa da retração nos negócios.

No plano pessoal, os atentados já alteram o comportamento dos atletas. Terça-feira, na Inglaterra, nada menos de cinco jogadores do Chelsea, dentre eles os franceses campeões do mundo Emmanuel Petit e Marcel Desailly, se recusaram a viajar para Israel, para enfrentar o Hapoel, pela Copa da Uefa. Motivo alegado: "falta de segurança." A direção do time britânico compreendeu a decisão e não irá puni-los, mas o precedente está aberto e, com certeza, colegas de profissão escolherão também evitar riscos dessa natureza.

Algumas decisões drásticas já foram tomadas. A Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) anunciou o cancelamento do Campeonato Mundial de Duplas, em Bangalore, na Índia, de 7 a 11 de novembro. "A prioridade é a segurança dos atletas", afirmou Mark Miles, diretor-executivo da ATP.

As federações japonesa e porto-riquenha de ginástica oficializaram que não participarão do Mundial, em Gante, na Bélgica, a partir do dia 28. A onda de deserções pode atingir os Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City, nos Estados Unidos, em fevereiro, apesar das garantias que, desde já, os organizadores estão oferecendo. (Colaborou Reali Júnior)

Psicólogos têm opiniões distintas sobre o medo
Para Goldberg, os atletas, por sua força física, ficam fragilizados diante do perigo
CAROL KNOPLOCH

O psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg utilizou uma frase do escritor Guimarães Rosa para explicar o que é remédio para o "estado de contaminação e pregnância paranóica", que, segundo ele, toma conta do planeta por causa do terrorismo. "Comigo as coisas não têm hoje, anteontem ou amanhã. É sempre." Explica que as pessoas precisam "tocar" a vida, sem medo de viajar, etc. "Os atletas, em especial, sentem-se super-homens por causa da força física, mas ao menor sinal de perigo, transformam-se em infantis e neurotizados. Já vi boxeador com medo de poodle."

Para a psicóloga Regina Brandão, a situação política atual é de "desamparo."

"É o medo de morrer. Todos sentimos isso porque temos o instinto de sobrevivência." Na sua avaliação existem o medo bobo e o inteligente. "Ter medo de barata, por exemplo, é bobo. Mas de uma guerra é o medo inteligente.

Quem não têm?"

Ficou impressionada com a situação das meninas da seleção brasileira de ginástica rítmica desportiva, que foram ao Mundial, em Madri. Os pais tiveram de assinar documento responsabilizando-se por eventuais problemas.

EUA, México, Tailândia, Japão, Cuba, Azerbaijão e Uzbequistão desistiram do torneio, que tem 43 equipes e 160 ginastas. "É complicado lidar com o medo, ainda mais com 16 anos", disse Regina.

Elias, pai da ginasta Iracema Alves, achou exagerado impedir a viagem mais importante de sua carreira. "Ela não poderá ir ao próximo Mundial por causa da idade. Está sendo a glória para nós."

Orgulho vira preocupação em Salt Lake
População da cidade-sede dos Jogos de Inverno, marcados para fevereiro, teme atos terroristas

THAÍS ARRUDA

SALT LAKE CITY - Após os atentados de 11 de setembro, aquilo que era motivo de orgulho e animação para os habitantes de Salt Lake City se transformou em preocupação. A cidade, no oeste dos Estados Unidos, em princípio, estava bem longe da mira do terrorismo. Mas, agora, pode se tornar um alvo eminente durante os Jogos de Inverno, em fevereiro.