Após cortes, F-1 revela quanto vale o show


AUTOMOBILISMO, Folha de São Paulo

Campeã de investimentos na categoria em 2002 é a Honda, que até agora não pontuou no Mundial

Após cortes, F-1 revela quanto vale o show
FÁBIO SEIXAS
DA REPORTAGEM LOCAL

A ordem do dia na F-1 é cortar custos. Pressionada pelas equipes e pela FOM (holding que comanda comercialmente o esporte), a FIA anunciou novas regras na última quarta-feira com o objetivo de preparar o terreno para a desaceleração da economia mundial.
O lobby junto à entidade máxima do automobilismo foi intenso.
Instrumento de pressão da FOM, a "EuroBusiness", revista de Bernie Ecclestone, publica na edição do mês que vem um quadro inédito, com os valores de todos os investidores da categoria.
A idéia é mostrar que a F-1 está cara e que, a continuar nesse pique, será cada vez mais complicado conseguir novos aventureiros.
A Folha teve acesso ao levantamento, que engloba todos as empresas investidoras. E reproduz, ao lado, a lista dos "cem mais".
A primeira constatação é óbvia: as montadoras são mesmo as donas do negócio. Das dez principais investidoras da categoria, sete são fabricantes de automóveis.
A colocação das montadoras no ranking, no entanto, surpreende.
A campeã não é a BMW, tampouco a DaimlerChrysler (dona da marca Mercedes-Benz), parceiras de times de ponta, respectivamente Williams e McLaren.
O primeiro lugar cabe à Honda, que voltou à F-1 com força total em 2001, em parceria com a BAR e a Jordan. Só neste ano, os japoneses estão gastando US$ 210 milhões para produzir seus motores.
O resultado, até aqui, é decepcionante. Nos dois GPs disputados até agora, nenhum carro equipado com os propulsores japoneses chegou à zona de pontos.
A partir de 2004, essa história deve mudar. Com a limitação de um motor por piloto a cada final de semana de GP, a expectativa é que um investimento como esse, da Honda, caia pela metade.
Em segundo lugar, vem a Renault, que reestreou neste ano. No seu caso, o investimento poderia até ser menor, mas os franceses optaram por não "poluir" o carro.
O R202, que treinará em Interlagos a partir de sexta-feira, traz basicamente três marcas: as francesas Renault e Elf (combustível) e a japonesa Mild Seven (cigarro).
Há boas curiosidades na lista da revista "EuroBusiness". Como o investimento de US$ 4 milhões da DaimlerChrysler na Sauber, que há cinco temporadas é parceira da Ferrari, arqui-rival dos alemães.
A explicação é simples: esse foi o valor exigido pela Sauber para ceder Kimi Raikkonen à McLaren.
Outra constatação: raramente uma equipe conseguiu "vender" tão bem um piloto como a Minardi. A presença do malaio Alex Yoong rendeu ao time patrocinadores dispostos a gastar, como a Prefeitura de Kuala Lumpur. O resultado: seu orçamento é de US$ 83,4 milhões, um recorde.
A lista vale ainda pela importância histórica -além da limitação de motores, a FIA também "congelou" as regras de chassis até 2005. Se depender das equipes, valores tão altos como os apresentados aqui serão peça de museu já a partir da próxima temporada.

Petrobras contesta informação

DA REPORTAGEM LOCAL

Única empresa brasileira envolvida na F-1, a Petrobras aparece duas vezes na "EuroBusiness".
Como fornecedora de gasolina e patrocinadora da Williams, ocupa o 44º lugar, com um investimento de US$ 5 milhões. Como fornecedora de óleo e patrocinadora da Jordan, por meio da Lubrax, é a 64ª, com US$ 2,5 mi.
A empresa, porém, contesta esses dados. "Por razões contratuais, não podemos divulgar os valores. Mas posso dizer que, nos dois casos, não chegam a tanto", disse Claudio Thompson, coordenador do programa de esporte a motor da Petrobras. (FSX)