Atacante poderá vestir camisa da Antarctica



Coca-Cola liberou o Baixinho para usar uniforme com logotipo do patrocinador da CBF
CARLOS FRANCO

O atacante Romário está livre para usar a camisa do novo patrocinador da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o guaraná Antarctica, da AmBev, a partir do dia 5. Nessa data termina a primeira fase da campanha da Coca-Cola, a multinacional que o contratou para a promoção com a qual levará 40 torcedores com acompanhantes à Copa.

Ao escalar Romário, a Coca-Cola aproveitou a polêmica em torno de sua convocação ou não pelo técnico Luiz Felipe Scolari para que este convocasse a torcida e garantisse que estaria no melhor lugar da Copa. Para o torcedor, a arquibancada. Para Romário, o gramado, como sugere o texto dúbio da campanha criada pela agência de publicidade McCann-Erickson.

Mas se a Coca-Cola engrossou o time dos que apostam em Romário e sai de campo para deixar o jogador à vontade, não desistiu de manter o processo que move na Justiça contra a CBF.

A multinacional de refrigerantes, que fatura anualmente US$ 20 bilhões e tem no Brasil seu terceiro mercado mundial depois de Estados Unidos e México, quer indenização da CBF pelo rompimento unilateral do contrato de patrocínio com a seleção em março do ano passado, que venceria este ano, com direito de renovação até 2006.

A multinacional foi substituída pela Ambev e o seu guaraná Antarctica, que vai desembolsar US$ 10 milhões por ano durante 18 anos a contar de 2001 para patrocinar a seleção.

Pelo lado da Antarctica, também foi anunciada mudança no banco de garotos-propaganda. A agência Carillo, Pastore Euro RSCG não retirou Scolari de cena, mas pôs ao seu lado, para palpitar como técnicos gente mais desenvolta e divertida, como a atriz Dercy Gonçalves, o comedidante Bussunda e os roqueiros João Gordo e Supla.

Coca sem pressão, diz a CBF

Entidade diz que o contrato com a AmBev não impede a convocação de jogadores patrocinados por outras empresas, como Romário

A Confederação Brasileira de Futebol negou que exista uma cláusula contratual com a AmBev, patrocinadora da Seleção, impossibilitando a convocação de qualquer jogador que tenha vínculo publicitário com outra empresa. O caso mais famoso é o do atacante Romário, do Vasco, cujo comercial da Coca Cola - campanha 'Cadeira Reservada' - está sendo veiculado em todo o País.

Com isso, o secretário geral da CBF, Marco Antônio Teixeira, deixou claro que não há qualquer problema em Romário ser garoto-propaganda. Executivos das duas empresas envolvidas na polêmica também consideram que o fato de o jogador estar sob contrato da Coca-Cola em nada interferirá no seu aproveitamento na Copa (leia mais sobre o caso na página 3B).

Na convocação dos 18 jogadores para a partida contra a Islândia na próxima quinta-feira, em Cuiabá, Luiz Felipe Scolari deixou o atacante de fora da lista. Mas deverá convocá-lo para o amistoso seguinte, dia 27 de março, contra a Iugoslávia, em Fortaleza.


Romário continua esperançoso

Ao desembarcar ontem pela manhã no Rio, vindo de Recife - onde o Vasco venceu o Santa Cruz por 2 a 1 pela Copa do Brasil, quarta-feira -, Romário disse que, por não estar na Seleção, não pode opinar sobre o problema entre a Coca-Cola, a AmBev e a CBF. Mas o jogador acredita que ser garoto-propaganda da Coca-Cola não será empecilho para retornar à Seleção.

Para ele, o fato de não ter sido ainda relacionado por Scolari deve-se a questões táticas. "Continuo esperançoso de ser chamado e aguardando a oportunidade do técnico. Só depende da boa vontade dele."

O atacante marcou um gol e deu o passe para o segundo, marcado pelo lateral-direito Leonardo, na vitória sobre o Santa Cruz. No dia anterior, tinha se encontrado com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Pouco se falou sobre a reunião, mas um dos assuntos teria sido o contrato de patrocínio firmado pelo jogador.


Coca exige R$ 25 milhões de indenização

Romário está no meio de um fogo cruzado entre a indústria de refrigerantes e a CBF. Por quebra de contrato, a Coca-Cola exige indenização de R$ 25 milhões. No final de maio, às vésperas do embarque para a Coréia do Sul, onde o Brasil ficará sediado na primeira fase da Copa, a AmBev deverá pagar à CBF os US$ 10 milhões referente a uma das cotas do contrato, que servirão para custear as despesas da Seleção na Copa do Mundo.

O contrato da AmBev com a CBF tem valor de US$ 180 milhões pelo período de 18 anos.

A entidade exige que atletas e integrantes da comissão técnica usem os uniformes de seus patrocinadores Nike e Guaraná Antarctica (este último marca da AmBev) em treinamentos, jogos-treino, amistosos e partidas oficiais.

Falcão - Ainda está em banho-maria a contratação do ex-jogador Paulo Roberto Falcão para o supercargo de diretor de seleções da CBF. A decisão ficará para quando Ricardo Teixeira retornar da Europa, o que está previsto para o dia 11.

Hoje, o dirigente viaja para Zurique, na Suíça, onde participa do congresso técnico do Comitê Executivo da Fifa, do qual é um dos membros.


EDUARDO SOARES Jornal da Tarde

Não é um guaraná que vetará Romário


Para a Ambev, que patrocina a Seleção Brasileira com o guaraná Antarctica, não será porque Romário é garoto-propaganda da concorrente Coca-Cola que ele não será convocado. "O importante é que a Seleção possa ganhar o pentacampeonato", diz Carla Coelho, gerente de comunicação da empresa

A Ambev, que patrocina a Seleção Brasileira com o logotipo do guaraná Antarctica, não tem o poder e nem quer influir na convocação de jogadores para a Copa do Mundo. "Para nós, o importante é que a Seleção seja a melhor possível e possa ganhar o pentacampeonato", resume Carla Coelho, gerente de comunicação corporativa da empresa. A Ambev nega, portanto, que tenha qualquer obstáculo para a convocação de Romário, garoto-propaganda da Coca-Cola desde novembro do ano passado. Já o vice-presidente de marketing da Coca-Cola, Fernando Mazzarolo, comenta: "Eu espero que o vínculo de Romário com nossa empresa não pese em sua convocação. A performance da Seleção está acima de uma disputa comercial".

De acordo com o contrato entre a Ambev e a CBF, só os produtos da patrocinadora podem ser consumidos na concentração e outros espaços utilizados pela CBF. E, nos treinos, os jogadores devem utilizar o uniforme de treino com a marca do guaraná. Fora isso, a CBF se compromete, quando possível, levar os jogadores e dirigentes para possíveis eventos organizados pela Ambev. Mas a palavra do contrato é "esforço". A participação dos jogadores nessas reuniões, portanto, não é obrigatória.

Na Copa do Mundo de 94, nos Estados Unidos, a Coca-Cola ainda patrocinava a Seleção Brasileira. Mas a Brahma tinha contratos com os jogadores Edmundo, Romário, Bebeto e Ronaldinho. E, em 98, diversos jogadores da Seleção estiveram na Casa da Brahma, perto da concentração da Seleção Brasileira. A CBF processou a Ambev, na época, por causa do "número 1" que os jogadores faziam, levantando o indicador depois de cada gol.

O contrato atual da Ambev não impede que Romário, se for o caso, possa participar de qualquer evento da Coca-Cola, fora da concentração. A Coca-Cola é uma das patrocinadoras oficiais da Copa do Mundo da Coréia do Sul e Japão.

Um publicitário paulista resume a questão: "A verdade é que para a Ambev seria ótimo ter o Romário, patrocinado pela Coca-Cola, vestindo a camiseta da Antarctica. Por isso essa discussão não faz sentido".

Segundo Fernando Mazzarolo, a campanha publicitária com Romário acaba na próxima semana. E a Coca-Cola ainda não decidiu se realizará um novo projeto com o jogador.

"Usamos o Romário pelo que ele representa para o futebol brasileiro, independente da Seleção. A Coca-Cola tem uma relação forte com o futebol e patrocinamos também uma série de competições", diz o vice-presidente de marketing.

Segundo Mazzarolo, a Coca-Cola também não analisou a possibilidade de uma campanha com Romário na época da Copa do Mundo:

"Ninguém sabe se o Romário vai à Copa do Mundo. Mas se você quiser saber minha opinião, ele ajudaria muito".