Times de futebol são "escalados" para elevar vendas de camisinha

07/01/2002 - Folha Online

SÉRGIO RIPARDO
da Folha Online

Após estrelar campanhas de bebidas e produtos lácteos, os times de futebol foram escalados agora para elevar as vendas de preservativos no Brasil.

O Clube dos 13, associação dos maiores times do país, assinou um contrato que permite o uso dos símbolos nas embalagens de camisinhas. No ano passado, a imagem dos clubes já tinha sido usada nas fraldas descartáveis da Pom Pom e nos aparelhos de celular da Telesp.

Nas últimas semanas, a caixa de preservativos com o brasão dos times começou a chegar às gôndolas dos supermercados da capital paulista.

Os preservativos são fabricados pela Inal (Indústria Nacional de Artefatos de Látex), dona da marca Olla, em sua unidade em São Roque (59 km a oeste de SP).

A empresa vende o produto à empresa Future Press, que adquiriu com o Clube dos 13 o direito de uso dos emblemas dos times e é responsável pela comercialização com o varejo.

Segundo o diretor comercial da Inal, José Araújo, as embalagens com o emblema dos clubes começaram a ser fabricados em novembro último. O lote de janeiro já duplicou em relação a dezembro.

Por mês, a Inal fabrica 20 milhões de preservativos. Cerca de 9% (cerca 1,8 milhão de unidades) são destinados ao contrato com a Future.
Devido ao pagamento de royalties, a camisinha dos times sai mais cara para o consumidor do que a tradicional.

Atualmente, uma caixa com três preservativos é vendido em média por R$ 1,80. A isenção de impostos concedida pelo governo, o aumento do consumo do produto, provocado pelas campanhas educativas, e a queda do dólar _ o látex usado na fabricação é importado_ ajudaram a derrubar o preço, segundo o diretor comercial da Inal.

Há cinco anos, segundo ele, o produto custava o dobro. A produção de preservativos da Inal cresceu de 16 milhões em 2000 para 20 milhões unidades em 2001. Para 2002, a empresa espera elevar o número para 30 milhões.