Vôlei como arma do marketing esportivo

José Montanaro Jr. é quem lembra: o time do Banespa se mantém porque dá resultados às próprias agências do banco

A estrutura montada pelo Banespa para o vôlei continua para a próxima temporada, com R$ 2,5 milhões no total, dos quais R$ 1,8 milhão para o time principal. A manutenção da verba não tem segredo nem passa por favores, segundo José Montanaro Jr., gerente do vôlei do clube há oito anos. É, sim, resultado de retorno na mídia e principalmente na linha de frente de agências bancárias, que lucram com as promoções realizadas com o time, que tem três atletas na Seleção Brasileira Principal - Joel, Gustavo e Dirceu -, além de outros três na Juvenil - Murilo, Aroldo e Evandro -, além de Michael, na Infanto-Juvenil.

"Não trabalhamos com patrocínio, mas com marketing esportivo", conta Montanaro, que explica a importância do vôlei conseguida nos últimos anos como "alavancagem de negócios": "É muito importante o retorno da mídia, mas é fundamental as promoções que fazemos com a equipe. São feiras, exibições, clínicas, palestras. Para o gerente do banco daquela agência naquela cidade do interior o resultado é direto."

Sobre novos times rivais entrando com muito dinheiro no mercado, Montanaro diz que só tem "bons olhos" para eles - caso do Vasco e, se for montado, o Flamengo. "Hoje concorremos globalmente, com Itália, Japão, Espanha. O que regula o mercado é a oferta e a procura. No caso do vôlei masculino no Brasil a oferta foi muito grande, ao contrário do feminino, que está com poucas atletas." O gerente ainda lembra: "O Vasco na verdade teve sua base montada com o Unicor de Três Corações, que fez uma camapnha belíssima, é de fora do pólo Rio-São Paulo, com recorde de público em uma cidade menor. O Vasco apenas complementou a verba deles."

União Axé considera importante a estabilidade do Banespa para o atleta, "sem tantas mudanças na comissão técnica" e destaca como ponto importante a união do grupo, que tem no comando o técnico Mauro Grasso. Joel lembra que só estará de volta ao Banespa depois da Olimpíada "se Deus quiser", mas para brigar muito "na fase final do Paulista e na Superliga". Murilo, 19 anos, 1,90 m, é juvenil mas joga também no time principal, diz que tem o respaldo da preparação física preventiva para evitar lesões e problemas crônicos futuros - e sonha atuar na Seleção ao lado do irmão de Gustavo.