Guga ajuda Coca-Cola a vender guaraná


Quarta-feira, 19 de dezembro de 2001 , Jornal da Tarde


Guga ajuda Coca-Cola a vender guaraná

O tenista brasileiro assinou ontem, em Florianópolis, um contrato de patrocínio com a Coca-Cola para atuar como garoto-propaganda na divulgação do guaraná Kuat. O contrato entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2002 e substituirá aquele firmado com a Globo.com, que se encerra no fim deste ano .

Gustavo Kuerten assinou ontem em Florianópolis uma parceria com a Coca-Cola, para dar um gás na marca de guaraná da empresa, o Kuat. O tenista brasileiro número 2 do mundo trocará o patrocínio da Globo.com para o de refrigerantes já a partir do reveillon. E a logomarca do refrigerante entrará em uma das mangas da camisa do jogador para correr o mundo, nas melhores quadras de tênis, a partir de janeiro.

A campanha de mídia começará com o título "2002 tem que ter esse sabor", com uma foto de Guga sorrindo. Embaixo, uma lata de Kuat cor de prata na qual está escrito 'paz'. A foto de Guga sorridente foi feita por Marcelo Ruschel, em uma das campanhas de Roland Garros.

O namoro da Coca Cola com o tenista vem de algum tempo. O guaraná foi lançado no mercado brasileiro em 1998 mas, segundo dados da empresa, já conquistou 3,3% da fatia nacional de consumidores de refrigerante. O guaraná Antarctica tem 8%, segundo Fernando Mazzarolo, vice-presidente de marketing da Coca-Cola.

Karen Schwab, diretora de sabores da Fanta, Sprite e Kuat, estava se sentindo realizada ontem, com a assinatura do contrato. "Tínhamos um grande produto nas mãos, já sabíamos disso. E aí aconteceu uma coisa interessante.

Toda pesquisa de personificação que fazíamos, para ligar alguém ao produto, dava Guga. Podemos dizer que foi o consumidor que nos levou a fazer uma parceria com ele. Mas parecia um sonho distante. Até que descobrimos que haveria a possibilidade de parceria, com o final de contrato de um de seus patrocinadores. Iniciamos as conversas e assinamos agora por dois anos."

Os valores, como sempre, são muito bem guardados. Karen Schwab diz que prefere chamar a 'união' de parceria e não patrocínio. "Uma coisa é chegar para uma pessoa e perguntar quanto ela quer ganhar para representar sua marca. Outra é chegar e fazer uma parceria, como fizemos. Vamos ajudar Guga em seus projetos, desde que sejam adequados para os dois lados. E ele vai nos ajudar divulgando nossa marca, como fizemos aqui em Florianópolis."

Fernando Mazzarolo diz que há a possibilidade de começar a colocar o guaraná, uma bebida genuinamente nacional, no Exterior, a partir do México.

"Mas poderemos usar a estrutura da Coca Cola para expandir o produto para América Latina e Ásia". Atualmente, a atriz Mel Lisboa, que ganhou destaque depois da minissérie "Presença de Anita", na Globo, faz propaganda do refrigerante.

Guga parecia ansioso para voltar aos treinos depois de participar da assinatura do contrato. "Já perdemos alguns dias nesta semana. O Larri (Passos, seu técnico) também teve de participar de um evento. Mas quero voltar a treinar forte, das 8h às 21h, todos os dias. Só vou parar na terça-feira, para comemorar o Natal com a família, entre Florianópolis e Camboriú. E espero que vocês também tenham folga, peçam para os seus chefes e não me procurem", disse, em tom de brincadeira. Estava em sua programação ir ao estádio da Ressacada para assistir ao clássico local, Avaí e Figueirense, pela Série B do Campeonato Brasileiro, ontem.

No dia 3 de janeiro Guga segue para o Rio de Janeiro, onde disputará o "Desafio Brasil e Argentina", ao lado de Fernando Meligeni e Daniel Melo.

Pelos argentinos jogarão David Nabaldian, Gaston Gaudio e Luis Lobo. Depois, ele vai à Austrália para jogar o primeiro grande torneio do ano, no cimento, sob sol forte. Em seguida, volta para o frio da República Checa, para jogar no carpete, pela Copa Davis, e depois vem para o circuito de saibro na América Latina, em Buenos Aires e Acapulco. "Será um começo de ano atípico", diz ele.

No ano passado - quando ganhou seis torneios no primeiro semestre -, o confronto da Davis, logo depois da Austrália, foi no Rio de Janeiro, sob o saibro, onde os brasileiros venceram os marroquinos. No segundo semestre seu rendimento caiu, "por cansaço, sofri tentando mais que todo mundo, tentando me recuperar". A dor no púbis? "Acho que aprendi a conviver com isso no ano passado."

Antarctica quer espalhar sua marca para o mundo


A assinatura do novo contrato de patrocínio de Guga é mais um round no setor esportivo da briga entre as duas maiores fabricantes de refrigerantes do país: Ambev e Coca-Cola. Líder do mercado com praticamente 50% das vendas, a Coca perdeu o patrocínio da Seleção Brasileira para a Ambev, que sonha em aproveitar a Copa do Mundo para lançar o Guaraná Antarctica internacionalmente.

A Ambev, que tem contrato com a CBF desde o meio do ano, deu azar no começo das operações, com a péssima participação da Seleção nas Eliminatórias. A campanha publicitária, com o tema futebol, só pôde ser lançada no meio de novembro, depois que a Seleção garantiu sua vaga no Mundial.

Ano que vem a briga vai ficar mais forte nos campos da Copa. A Ambev paga mais de US$ 10 milhões anuais à CBF para ser patrocinadora oficial da Seleção, mas a Coca-Cola é patrocinadora mundial do evento, com contrato fechado diretamente com a Fifa. Por essa razão, a Ambev não tem direito de colocar sua marca nos estádios da Copa.

Por ser patrocinadora mundial do evento, a Coca também teve preferência na hora de comprar cotas de patrocínio para a Rede Globo, até agora a única com direito a transmitir o Mundial no Brasil. A Ambev comprou outra das cotas, mas só poderá anunciar suas cervejas.

A empresa já é patrocinadora de Ronaldinho e estuda fechar contrato com outros jogadores antes do início da Copa. Em 1990, a Pepsi patrocinava a Seleção, mas os jogadores se recusavam a exibir a logomarca da empresa no uniforme por não terem recebido dinheiro.

Em 2002, as duas empresas vão investir em promoções para o Mundial. Havia algumas semanas, a Coca soltou uma informação, dizendo que teria consultado a Fifa e recebido como resposta que a Ambev não poderia usar o nome Copa do Mundo em promoções ou propagandas, e que a entidade estaria processando a Ambev. A assessoria de imprensa da Ambev informa que nunca disse ser patrocinadora oficial da Copa.