País vê febre de competições e patrocinadores

DA REPORTAGEM LOCAL

O "efeito Guga" transformou o calendário do tênis no Brasil.
Em 1996, antes que Gustavo Kuerten fosse campeão pela primeira vez em Roland Garros, aconteceram apenas três torneios challengers, competições de nível intermediário da ATP, e nenhum do circuito principal da entidade que controla o tênis masculino.
No total, menos de US$ 100 mil em prêmios foram distribuídos nas competições realizadas naquele ano.
Agora, ansiosos por ligarem suas marcas ao esporte do atleta mais popular do Brasil hoje, várias empresas, especialmente de telecomunicações e bancos, investiram para tornar o país numa meca do esporte, especialmente para tenistas em início de carreira profissional.
Além de voltar a ter um grande campeonato com a inclusão do Torneio da Costa do Sauípe no circuito, o Brasil organizou 17 challengers em 2001. Principal mercado mundial, os Estados Unidos fizeram 13 competições desse tipo.
Dessa forma, a quantia investida apenas na premiação foi multiplicada várias vezes, atingindo mais de US$ 1,2 milhão.
Para a próxima temporada, a febre de torneios que garantem a ascensão brasileira no ranking mundial vai continuar.
Apenas em janeiro, três challengers estão agendados, um deles em Manaus, colocando a região Norte no calendário.
A explosão no número de competições de tênis no Brasil acontece em um momento de crise desse esporte, causado principalmente pela falência da ISL, que era a grande parceira da ATP, que controla a parte masculina da modalidade.
Em 2001, a premiação total do circuito principal masculino cresceu menos de 1% em relação a 2000. (PC)
TÊNIS

No embalo do sucesso de Guga, país cria mais de uma dezena de torneios e quase dobra número de jogadores top 200

 

Brasil tem evolução recorde nos rankings

PAULO COBOS
DA REPORTAGEM LOCAL

Gustavo Kuerten não repetiu a posição de número um do ranking do ano passado, mas o resto do tênis brasileiro deu em 2001 um salto de qualidade histórico.
Impulsionado por uma enxurrada de patrocínios que garantiram torneios no país e o pagamento das despesas para viagens internacionais (leia texto ao lado), o tênis masculino brasileiro tem hoje o mesmo número ou até mais representantes entre os 200 melhores do que potências do esporte, como Suécia e Austrália.
Contando Guga, oito jogadores do país estão nesse grupo. No final do ano passado, eram cinco.
Sete australianos e oito suecos estão entre os 200 atletas mais bem classificados.
O Brasil tem hoje quatro tenistas top 100 -Guga, Fernando Meligeni, André Sá e Alexandre Simoni. Flávio Saretta, caso tenha bom desempenho na etapa final da Copa Ericsson que será disputada no Rio na próxima semana, ainda tem chances de terminar a temporada nesse grupo, que já deixa o jogador com a chance de disputar um Grand Slam sem precisar passar pelo qualificatório.
No ano passado, apenas Kuerten e Meligeni ficaram entre os cem primeiros da lista de entradas, sendo que o segundo foi justamente o centésimo colocado.
Dos 14 principais tenistas brasileiros do momento, 12 vão terminar 2001 em uma posição melhor no ranking do que na temporada passada. Alguns, subiram centenas de posições na classificação, como Pedro Braga, que ganhou mais de 800 postos.
Flávio Saretta, 21, que ganhou fama por eliminar Guga no Torneio da Costa do Sauípe, é um desses. O paulista terminou o ano passado no 346º posto do ranking de entradas. Agora, já é o 104º.
Para crescer tanto, Saretta contou com a sorte de poder jogar muito no seu país, recebendo vários convites que lhe dispensaram de disputar desgastantes torneios qualificatórios. Dos 411 pontos que o tenista tem hoje no ranking de entradas da ATP, 68% foram conquistados em competições realizadas no Brasil.
Entre os tenistas, a situação atual é devida principalmente a Guga, que no início da sua carreira precisou viajar para o exterior para somar pontos.
"O Guga ajudou a mudar completamente a estrutura do tênis brasileiro e todos os torneios que existem hoje no país devemos a ele", diz no site oficial da CBT (Confederação Brasileira de Tênis) Ricardo Mello, que subiu 162 posições no ranking em 2001 conquistando 80% de seus pontos em torneios realizados no Brasil.
Realmente, Guga fez várias empresas abrirem o cofre para investir no esporte.
A Intelig, por exemplo, que patrocinava o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), prefere agora gastar suas verbas para marketing esportivo no tênis. A empresa investiu R$ 3 milhões na realização de torneios challengers e futures.
O Banco do Brasil gastou até mais do que isso para patrocinar Guga, o Torneio da Costa do Sauípe e mais um circuito para jogadores juvenis. Além disso, bancou as duas etapas da Copa Davis realizadas no país em 2001, contra Marrocos e Austrália.