Uniformes: a outra disputa da Copa

 

São Paulo - A Copa do Mundo não será disputada apenas dentro de campo. Fora das quatro linhas, as grandes marcas de materiais esportivos farão um duelo de milhões de dólares e, quem vencer, terá um considerável aumento no faturamento. As favoritas são, de longe, a multinacional alemã Adidas, que patrocina nove seleções, e a norte-americana Nike, que terá seu nome estampado na camisa de oito equipes. A inglesa Umbro, com duas, corre por fora. A briga para ter os melhores jogadores e times do planeta movimenta o bilionário mundo do marketing esportivo, que ganha peso na época de uma Copa.

"A venda da camisa de uma seleção que ganha aumenta em pelo menos três vezes, a empresa acaba tendo seu nome associado à vitória e o faturamento cresce", analisa Luciano Kleiman, gerente de Marketing da Adidas no Brasil. Ele acredita que, em 30 de junho, dia da final da Copa, a empresa poderá comemorar o título. O que não seria uma surpresa, afinal, a Adidas patrocina as favoritas Argentina e França, além de outras potências, como Alemanha e Espanha.

Kleiman faz questão de dizer que o grupo alemão tem cinco cabeças-de-chave no Mundial, mas a Nike também não se encolhe. Aposta tudo no bom desempenho da seleção brasileira, seu cliente mais forte. "A Nike escolheu as seleções que queria patrocinar e está satisfeita com elas", diz Ingo Ostrovsky, diretor de Comunicação.

A ausência do Brasil na Copa representaria um prejuízo incalculável. Os executivos americanos da Nike respiraram aliviados após a vitória da equipe de Luiz Felipe Scolari sobre a Venezuela por 3 a 0, em 14 de novembro, resultado que garantiu os tetracampeões do mundo na Copa.

A Nike viu no futebol um meio de fazer muito dinheiro. Sua estréia em Copas foi na França, em 1998, com 6 seleções. Além dos brasileiros, a empresa tem a conta dos times português e nigeriano, que podem surpreender em 2002.

A Copa do Mundo é a maior vitrine para as grandes companhias. Atrai a impressionante audiência acumulada de 41 bilhões de espectadores, número bem superior ao dos Jogos Olímpicos. Na Coréia e No Japão, 2,5 milhões de ingressos estarão à disposição do público. Toda essa febre pelo futebol atinge diretamente o faturamento das empresas. A Adidas, por exemplo, calcula que poderá aumentar em 10% a renda em 2002, que, no ano passado, chegou aos US$ 6 milhões no mundo.

Nesta sexta-feira, a empresa alemã apresentou no Brasil a bola oficial da Copa. A Adidas é a patrocinadora oficial do evento e, por isso, terá sua logomarca estampada na camisa dos juízes, gandulas e dos 24 mil voluntários que ajudarão na organização. O garoto-propaganda foi Kaká, do São Paulo, um dos atletas patrocinados pela empresa.

Eduardo Maluf