Globo tenta que concorrentes estejam juntas na tela na Copa de 2002

MACEDO RODRIGUES

A Ambev, fabricante do guaraná Antártica - patrocinador oficial da Seleção Brasileira -, não deve desaparecer da telinha da Globo durante a Copa do Mundo, como o mercado publicitário chegou a especular. Apesar de a Coca Cola deter a preferência na aquisição das cotas de patrocínio do Mundial, em virtude de ser uma das patrocinadoras oficiais da Fifa, a TV Globo parece ter encontrado uma solução intermediária, que permitirá a convivência das duas marcas em junho do ano que vem, durante a realização do torneio.
A emissora dividiu suas atrações futebolísticas em duas: Copa do Mundo, de um lado, e demais torneios com participação de clubes brasileiros, de outro. O primeiro evento ainda vem sendo negociado com a Globo, de acordo com a assessoria de imprensa da Coca Cola. Os demais torneios já têm seus patrocinadores definidos, que continuam os mesmos - Guaraná Antarctica, cerveja Brahma, Havaianas, Itaú e Embratel, que fecharam este mês o pacote publicitário da Globo, Plano Futebol 2002.

Assim, esses cinco anunciantes teriam assegurado, no mínimo, a veiculação de suas marcas em todos os programas jornalísticos da Globo, inclusive durante a Copa. Os compradores do pacote da Copa de 2002 só teriam exclusividade nas transmissões das partidas e nos compactos. A TV Globo não confirma toda esta engenharia. A assessoria de imprensa da emissora diz que não pode se pronunciar sobre o assunto por causa de uma cláusula contratual com a Fifa.

A Ambev garante que qualquer referência feita aos torneios regionais, ao Campeonato Brasileiro ou à Copa Libertadores do ano que vem terá de vir acompanhada das vinhetas dos patrocinadores do Plano Futebol. A Ambev diz ainda que tentará comprar o direito da cerveja Budweiser (também patrocinadora da Fifa), para veicular anúncios da Brahma, e está na expectativa de que a Coca Cola não feche o pacote da Copa com a Globo, abrindo espaço para o guaraná.

Este é mais um round na briga entre Coca Cola e o Guaraná Antártica no futebol. Em abril passado, a Ambev fechou contrato de patrocínio com a CBF. Pelo prazo de 18 anos e mediante pagamento de US$ 180 milhões, terá direito de associar o guaraná Antarctica a tudo que envolve a Seleção Brasileira. Por conta do negócio, a CBF rompeu unilateralmente seu contrato com a Coca Cola, que duraria até 2002. A empresa vem cobrando US$ 10 milhões de multa rescisória da entidade.

As cifras dos pacotes publicitários para o calendário brasileiro e para a Copa do Mundo não são reveladas, mas desde agosto o mercado especula que a emissora estaria receando amargar um prejuízo de até US$ 120 milhões, por ter comprado muito caro os direitos da Copa 2002. O fato de as partidas serem jogadas na Coréia e no Japão, com fuso horário de 12 horas - ou seja, na madrugada brasileira -, estaria diminuindo o interesse dos anunciantes, receosos com a perspectiva de baixas audiências.