Guga, campeão além das quadras

Gustavo Kuerten é também um campeão de audiência, em número que impressionam. Na TV por assinatura, Guga já tem um público cativo. Das 10,5 milhões de pessoas que têm acesso ao sistema Net/Sky, 3 milhões acompanham regularmente as partidas do número um do mundo. O recorde de público foi registrado na semifinal do Aberto da França deste ano, contra o espanhol Juan Carlos Ferrero, quando 4,2 milhões de pessoas sentaram-se em frente aos aparelhos.

A audiência na TV a cabo dá a dimensão do que poderia ocorrer se as partidas de Guga fossem transmitidas regularmente pela emissoras de TV de sinal aberto. A Rede Record, terceira colocada em audiência no Brasil, é a única emissora que se arriscou a transmitir as partidas de Guga. Iniciou em 1997, exibindo a final de Roland Garros, em que o brasileiro derrotou o espanhol Sergi Bruguera. Três anos depois, no mesmo torneio, quando Guga bateu o sueco Magnus Norman, até mesmo os mais otimistas se espantaram: a transmissão rendeu à emissora 13 pontos de média e 24 de pico no Ibope, em plena manhã de domingo.

O fenômeno Guga se estende à Internet, única maneira de se acompanhar boa parte dos jogos do tenista. O site do Banco do Brasil, principal patrocinador do tenista, fez uma série de promoções durante a Copa Davis. E atingiu a marca de 1,5 milhão de visitas ao longo do fim de semana do confronto contra a Austrália, em abril, em Santa Catarina.

Projeto incentiva 1.200 criança do ensino público

A Gugamania também é um excelente filão para os negócios. O Banco do Brasil, depois de diminuir a média de idade de sua clientela de 55 para 44 anos com o patrocínio às seleções de vôlei, saiu à caça de clientes de maior poder aquisitivo quando assinou contrato com o jogador, em janeiro de 2000.

— O marketing esportivo mostrou-se eficiente ferramenta para a realização de negócios. Em 2000, o Banco vendeu cem mil produtos através desse mecanismo. Em 2001, até agora, as vendas já atingem 175 mil — explica Paulo de Tarso Veras Pereira, gerente de estratégia, marketing e comunicação do Banco do Brasil.

O Projeto Tênis Brasil envolve outras ações, além do patrocínio a Guga, como o Circuito Juvenil e as escolinhas e a equipe brasileira da Copa Davis. O Circuito Juvenil é dedicado a jovens de ambos os sexos de 14, 16 e 18 anos. Os campeões ganham o direito de torcer por Guga em um torneio internacional. As escolinhas, seis com 200 alunos cada, estão em Brasília, São Paulo, Florianópolis, Recife, Curitiba e Salvador. São 1.200 crianças da rede pública de ensino que têm ainda alimentação e transporte.

O banco investe R$ 20 milhões anuais em marketing esportivo, sendo que 25% disso vai para o tênis. A Grendene, outra das empresas que tem contrato com Guga, também comemora a cada ace do jogador. O lado surfista de Guga e seu jeito de garoto de praia, ajudaram a empresa a vender desde fevereiro passado um milhão de pares de sandálias com o nome do tricampeão de Roland Garros e líder do ranking de entradas e da Corrida dos Campeões da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). A expectativa é que Guga calce 2,5 milhões de fãs até o final do ano.

E, mesmo que Guga não seja campeão do US Open (o último evento do Grand Slam, com início no próximo dia 27), a tendência é ver seu nome ligado a mais produtos. Segundo a Octagon/Koch Tavares, empresa que administra a carreira de Guga e de outras estrelas como a russa Anna Kournikova e a suíça Martina Hingis, existem projetos para que o tricampeão de Roland Garros vire uma linha de bonecos e tenha sua imagem estampada em latas de refrigerantes.