Recuperar a imagem vira desafio extra após selvageria no rebaixamento

Gazeta do povo

09/12/2009

Adriana Brum - Colaborou Marcio Reinecken

Cenas de violência rodam o mundo e arranham o nome do clube. Para especialistas, episódio é chance de romper vínculo com organizadas e tirar lições para o futuro

O Coritiba encerrou o Brasileiro-2009 ocupando espaço nos noticiários do mundo todo, com as imagens de violência dos torcedores que invadiram o campo após o empate por 1 a 1 com o Fluminense. As confusões dentro e nos arredores do Estádio Couto Pereira foram notícia em jornais e sites dos Estados Unidos, Espanha, Portugal e Alemanha.

“O Coritiba ficou com uma imagem extremamente arranhada. Uma pena, depois de tudo que foi feito no ano do centenário”, diz o jornalista Erich Beting, diretor da Máquina do Esporte, site especializado em marketing esportivo.

“Não sei dizer se essa repercussão pode interferir em novos contratos de patrocínio, até porque, nos vídeos dos confrontos, o que mais se vê são pessoas com camisa de torcida organizada, não do clube”, prossegue. O consultor marketing e gestão no esporte da Hor­wath RCS Auditoria e Consultoria, Amir Somoggi, também não acredita em perdas de patrocínio ou de contratação de atletas por causa das ranhuras sofridas pelo Alviverde com os atos de vandalismo do último domingo.

“O time começa 2010 em um cenário de caos, sem ter receita de bilheteria, com o estádio interditado. Mas acho que o clube tem condições de, com trabalho sério, ficar ainda mais forte”, avalia Somoggi. “Ficou evidente um problema de gestão. Mais uma vez faltou planejamento no evento. Um jogo com dois times com risco de rebaixamento não poderia ter só 20 policiais em campo”, diz Beting.

A violência vista em campo no Couto Pereira chamou a atenção dos especialistas para a relação dos times com as torcidas organizadas.

“ É o momento de romper com essa cultura de o torcedor ter muito poder dentro do clube”, aponta Beting. Ele apoia a separação total entre as organizadas e os clubes. “Se a torcida quiser usar o escudo do time, por exemplo, teria de pagar royalties”, sugere.

“A hora é de o Coritiba aumentar a segurança de seus torcedores”, fala o coordenador do MBA em Indústria do Futebol da Universidade Positivo, Oliver Seitz.

O Liverpool, da Inglaterra, pode servir de modelo. Hoje sua torcida é bastante respeitada, depois de superar a década de 1980 com grandes tragédias ligadas aos hooligans.

Na final da Copa dos Campeões de 1985, na Bélgica, 39 torcedores do Juventus morreram prensados contra um muro após um tumulto iniciado pelos fãs dos Reds. Em 1989, a maior tragédia do futebol inglês: a superlotação de uma das alas do estádio levou à morte 96 torcedores do Liverpool.

“Há 20 anos os Reds celebram a data do desastre. Relembram o que tem de ser feito para evitar que a tragédia se repita. Guardadas as devidas proporções, o Coritiba tem de tomar esse dia do rebaixamento como lição para que coisas mais graves não aconteçam no futuro”, fala Seitz.