Quinta-feira, 31 de maio de 2001- O Estado de São Paulo

A um ano da Copa do Oriente

Será a primeira Copa do Mundo no Oriente e com sede em dois países. Além do problema com o fuso horário, que provavelmente se refletirá na audiência, as seleções terão que viajar muito entre os jogos.

Falta exatamente um ano para o início da Copa do Mundo da Ásia, da crise econômica no futebol, do fuso horário, de ídolos renovados e da Internet.

Daqui a exatos 365 dias, às 20h30 de uma sexta-feira (8h30 no Brasil) a França entrará no campo do Seoul World Cup Stadium, em Seul, para defender seu título em uma Copa com características inéditas.

Sobram peculiaridades e problemas. Será a primeira Copa na Ásia e a primeira com sede dividida entre dois países, Coréia do Sul e Japão, que entraram em conflito até para ver qual nome de país entraria na frente no nome oficial da competição e ameaçam uma batalha para sediar as melhores seleções.

Desde 1996, quando a Fifa tomou a decisão de dividir a organização entre os dois países, muita coisa mudou no panorama do futebol mundial. A exuberância econômica e as cifras milionárias que surgiram no meio da década passada se transformaram na falência da gigante de marketing esportivo ISL, que tinha praticamente todos os direitos de transmissão e comercialização da Copa para todo o mundo. A Fifa entrou em pânico, convocou reuniões extraordinárias, mas garante que a quebradeira não terá influência na Copa.

Somou-se ainda a crise econômica japonesa, que fez a organização da Copa cortar US$ 22 milhões previstos para a organização do torneio, que vai custar US$ 500 milhões, fora a construção e reforma de estádios. Acostumado à pujança, o Japão vive hoje desemprego de 4,9%, recorde em sua história.

Ainda assim, os dois países prometem um show de infra-estrutura, modernidade e segurança. Para se ter uma idéia, a organização enviou à Fifa uma lista com 150 opções de concentrações e 72 locais de treinamento para as 32 seleções participantes.


Ingressos pela Internet

O Mundial terá inovação também na venda de ingressos. Boa parte deles já foi vendida pela Internet, o que gerou um outro problema. O excesso de procura, que vai obrigar a entidade a fazer um grande sorteio mundial para saber quem poderá ver a Copa 'in loco'.

Para o público brasileiro, ver a Copa será sinônimo de acordar cedo. A pré-tabela divulgada pela Fifa indica que os jogos estão marcados para horários entre 3h30 e 8h30.

Para as principais seleções, o maior problema será o fim das sedes fixas. O que aconteceu com o Brasil na Copa de 1994, por exemplo, quando a Seleção ficou quase o tempo todo na Califórnia, não acontecerá mais. Se cair no grupo E, por exemplo, a Seleção faria jogos na primeira fase em Sapporo, Ibaraki e Shizuoka, no Japão. Depois, das oitavas-de-final até as semifinais, jogaria na Coréia e voltaria para o Japão para uma possível final, em Yokohama.

Em 365 dias, o mundo vai se voltar para o oriente para ver futebol, organização e inovações. Pelo menos é o que a Fifa promete.