Fim do Finasa deixa vôlei brasileiro em situação delicada

Estadão

21/04/2009

Desempregadas no Brasil, campeãs olímpicas em Pequim e jovens promessas podem ir para o exterior

SÃO PAULO - No início da edição 2008/2009 da Superliga, em outubro do ano passado, o voleibol nacional se vangloriava com a possibilidade de ver os principais jogadores do Brasil atuando nas quadras do País. Eram sete vice-campeões olímpicos em Pequim entre os homens e nove campeãs na capital chinesa entre as mulheres.

Mas, após o fim da competição, o esporte se vê em maus lençóis com a extinção do vice-campeão Finasa/Osasco (SP), que tinha no elenco quatro medalhistas de ouro (Paula Pequeno, Carol Albuquerque, Sassá e Thaísa) e outras atletas promissoras, como Natália, Ana Tiemi, Adenízia e Camila Brait, todas pré-convocadas por José Roberto Guimarães para a seleção brasileira.

"Para o voleibol é triste, porque não sabemos o que vai acontecer", afirmou o ex-técnico do time de Osasco, Luizomar de Moura, em entrevista ao SporTV. Ele e a comissão técnica também perderam o emprego com o fim do Finasa.

O vôlei é um dos esportes que mais faturou medalhas para o Brasil nas últimas edições das Olimpíadas. Desde Barcelona (2002), o masculino trouxe dois ouros e uma prata, enquanto o feminino conquistou uma medalha dourada e duas de bronze.

"O vôlei é hoje o cartão de visita do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), um exemplo para outras modalidades, e isso certamente nos dá credibilidade para conseguir outros patrocinadores. Vamos torcer para que alguém abrace esta ideia", torce Luizomar.

DEBANDADA
Neste momento, o maior risco que corre o voleibol brasileiro é a saída de jogadoras para o exterior. Países como a Itália e a Rússia sempre mostram interesse em atletas do Brasil, o que pode enfraquecer novamente a liga nacional.

"Acredito que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) deve estar pensando em como resolver esta situação", afirma Luizomar, que não descarta a possibilidade de também ir para o voleibol europeu.