Tudo pelo Rugby

Isto é - Independente

Suzane Frutuoso

03/2009

Sem patrocínio, seleção brasileira feminina produz calendário sensual para arrecadar dinheiro, mas é impedida de vendê-lo no mundial da categoria em Dubai. As atletas posaram seminuas nas fotos. O dinheiro das vendas vai custear as viagens do time.

Elas disputam um dos esportes de contato físico mais intenso. Sofrem contusões graves e vivem com marcas pelo corpo. Mas nada disso assusta as atletas da seleção brasileira feminina de rugby. O time, já considerado uma potência da modalidade, sagrou-se pentacampeão sul-americano invicto em janeiro ao vencer as argentinas, fortes adversárias. A mais recente prova foi a Copa do Mundo da categoria, realizada em Dubai, da quinta-feira 5 ao sábado 7. Para chegar lá, as jovens precisavam de verba - cerca de R$ 70 mil. E num país em que a falta de patrocínio ao esporte é uma realidade, elas aproveitaram os corpos bem torneados, conquistados com muito treinamento, e encontraram uma saída inusitada: posar seminuas para um calendário de fotos sensuais.

Só não puderam contar com a ajuda dos árabes para angariar mais fundos e destiná-los às próximas viagens, pois foram orientadas a não levar o belo calendário para a conservadora Dubai. A beleza das moças estampada nas folhas de cada um dos meses de 2009 pode chamar a atenção para o esporte, ainda pouco conhecido no Brasil. "Estamos felizes com a repercussão", diz a jogadora Natasha Olsen, 31 anos. O rugby é similar ao futebol americano (a bola também é oval). A diferença está na falta de equipamentos de proteção e em algumas regras. Os jogos acontecem em campos com dimensões semelhantes às do futebol. Há duas formações de time e possibilidades de partidas. Uma é com sete jogadores (como é a seleção feminina), com dois tempos de sete a dez minutos cada um. A outra reúne 15 atletas, que jogam dois tempos de 40 minutos.

O esportista pode correr e driblar segurando a bola em suas mãos e chutá-la para a frente. A maioria dos praticantes é de homens - a seleção brasileira masculina ficou em quarto lugar no sulamericano. A Europa é onde há mais mulheres praticantes do esporte.Disputado em mais de 100 países, o rugby é popular no Reino Unido, na Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Seu criador foi William Webb Ellis, um estudante londrino. Durante uma partida de futebol na Rugby School, em 1823, o jovem teria se irritado com a monotonia do jogo. Agarrou a bola nos braços e correu pelo campo, provocando a ira de seus colegas, que tentaram agarrá-lo. Por aqui, Charles Miller, o mesmo que introduziu o futebol no País, foi quem organizou o primeiro time de rugby nacional, em 1895. Mas apenas 30 anos depois o esporte começou a ser jogado regularmente no São Paulo Athletic Club (SPAC). Hoje, um dos principais times brasileiros vem de lá. O esperado é que a seleção feminina suba cada vez mais no ranking mundial. "É um time de ponta. E, como o rugby está crescendo entre os brasileiros, ainda vamos ouvir falar muito das conquistas delas", afirma Igor Michalick, diretor do Belo Horizonte Rugby Brasil. Quem quiser ajudar as esforçadas atletas, pode adquirir o calendário. Lançado em fevereiro, está à venda na internet por R$ 35 (www.rugbyfeminino.lojapronta.net).