Cidades Candidatas a 2016 se enfrentam na Sportaccord


Site ATR

26/3/2009

Chicago, Madri, Tóquio e Rio de Janeiro fecharam a convenção SportAccord em Denver. Mais de 600 pessoas lotaram o salão. Foi de longe a sessão mais concorrida do longo evento de uma semana.

As cidades exibiram apresentações agradáveis e profissionais, refletindo crescimento em relação às apresentadas no primeiro encontro internacional em outubro passado.

Todas as apresentações foram feitas em inglês e mostraram o que cada cidade tem de melhor. Todas levaram o seu prefeito ou outras autoridades governamentais.

Todas tiveram pontos fortes. E também alguns pontos fracos.

CHICAGO


Equipe: Anita DeFrantz, membro do COI; Mike Roberts, vice-presidente da Comissão Chicago 2016; Bill Scherr, diretor de esportes da candidatura e medalhista de bronze em lutas; Jackie Joyner-Kersee, campeã olímpica de atletismo e recordista mundial; Prefeito Richard M. Daley; Patrick G. Ryan, presidente de Chicago 2016.
Quem faltou? Chicago e Madri foram as duas cidades que não levaram ao palco seus presidentes de Comitês Olímpicos Nacionais. Larry Probst, o presidente do USOC esteve na primeira fila junto com a executiva interina Stephanie Streeter.
Pontos principais: alcançar todo o mundo por meio da amizade; promover uma espetacular experiência esportiva num local impressionante, com Jogos compactos; inspirar a juventude a buscar novas oportunidades com o esporte olímpico e paraolímpico; apoio do Comitê Olímpico norte-americano; acesso fácil dentro dos Estados Unidos.
Garantias financeiras: Nada. “Estamos fazendo uma apresentação para a gente do esporte”, disse Ryan na coletiva de imprensa. “Há eleitores na sala, mas não achamos  que seja adequado tratar disso nesses vinte minutos”.

Nomes: Um curta-metragem mostrou Pierre de Coubertin, o fundador dos Jogos Olímpicos modernos, visitando a Exposição Mundial e chamando Chicago de “cidade em crescimento”. O filme de Chicago mostrou atletas lendários como Jesse Owens e o boxeador Cassius Clay, também conhecido como Muhammad Ali.

Citações:

O presidente Barack Obama não esteve presente, mas sua influência foi sentida. (ATR / Panasonic:Lumix)

“Chicago é uma cidade que pensa grande, na qual as crianças sabem que podem ser tudo no mundo, inclusive presidente dos Estados Unidos”. (Anita DeFrantz)

“Nosso legado não é de prédios ou tijolos, é de gente, investindo na humanidade”. (Bill Scherr)

“Se formos escolhidos, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos serão prioridade nacional em nosso país”. (Prefeito Richard M. Daley)

Tempo: 20 minutos, a única cidade a cumprir o limite de tempo.

Conceito: A- (abaixo de A) – Bem apresentada, com energia, ajudada por teleprompter, belas imagens. Menção superficial às garantias financeiras. Não ficaram claros os motivos pelos quais os Jogos devem ir para Chicago. Vinculou-se à mensagem da criação de oportunidades para a juventude. Falhou na referência às federações internacionais presentes na platéia, o que as outras cidades fizeram.

TÓQUIO

Equipe: Ichiro Kono, membro do Comitê Executivo do COI,  presidente de Tóquio 2016; Seiko Hashimoto, ministro das relações exteriores e participante de sete Jogos Olímpicos como atleta de ciclismo; Tsunekazu Takeda, vice-presidente do Comitê Olímpico Japonês e ex-atleta olímpico de hipismo;  Chiharu Igaya,  vice-presidente do COI e participante de três Jogos em patinação no gelo; Yuko Arakida, vice-presidente da comissão de atletas do Comitê Organizador Tóquio 2016.

Pontos principais: “Construindo o palco dos heróis” por meio das instalações, do povo e da cidade; Jogos compactos; três bilhões de espectadores na Ásia; a cidade mais acessível do mundo para os portadores de deficiência.

Jogando para a platéia: Com muitos representantes de federações internacionais na platéia, Tóquio prometeu a todas as FI um espaço dedicado a elas nas instalações, seis meses antes do primeiro evento-teste, sem despesas. Tóquio também garantiu que cada esporte seria instalado em clusters designados para promover o esporte em todo o mundo, e que cada esporte teria acesso a um significativo fundo alocado para o desenvolvimento do esporte e da cultura. Além disso, cada FI teria um hotel exclusivo.

Finanças: Um slide mostrando uma placa de sinalização de estrada, com a palavra “recessão”e uma seta para “próxima saída” constou da parte financeira da apresentação. “Nesses tempos de dificuldade econômica, Tóquio 2016 garantiu 100 por cento dos Jogos”, disse Kono. Ele acrescentou que 4 bilhões já estão assegurados para o orçamento não-COJO. “Isso não é mau, quando nosso orçamento é apenas de 3,8 bilhões”. Por sua vez Hashimoto declarou que o governo japonês comprometeu-se com todas as garantias financeiras exigidas pelo COI.

À margem dos Jogos: Hashimoto nasceu antes dos Jogos Olímpicos de 1964 e o seu nome provém da palavra em japonês para “tocha olímpica”.

Citações: 


"O governo japonês promete usar os Jogos em Tóquio para ajudar a trazer união e esperança para o mundo. Sim nós podemos!! (Seiko Hashimoto)

“No Japão tratamos os atletas olímpicos como heróis. Nós criamos o melhor palco para os atletas”. (Ichiro Kono)

"O Comitê Olímpico Japonês tem uma liderança forte e estável. Nós acreditamos que isso é essencial para fazer Jogos de sucesso”. (Tsunekazu Takeda)

“Mais de 100 milhões de pessoas querem os Jogos”. “Os japoneses são realmente apaixonados pelo esporte e nós conhecemos bem o Olimpismo. Nós acreditamos nisso. Nós vivemos isso”. (Tsunekazu Takeda)

Tempo: 21-22 minutes.

Conceito: B – A mais consistente apresentação de Tóquio nesta campanha 2016, com ajuda de teleprompter. Ichiro Kono é o melhor dos apresentadores de Tóquio. Não resta dúvida sobre a capacidade de Tóquio em fazer os Jogos. Mas é na questão “por que?” a maior falha. Um sinal de atenção para a candidatura: a imprensa fez apenas uma pergunta na coletiva que se seguiu à apresentação.



RIO DE JANEIRO

Equipe:  Carlos Nuzman, membro do COI, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e presidente da Comissão de Candidatura Rio 2016; Orlando Silva, ministro dos esportes; Sergio Cabral, governador do Estado do Rio de Janeiro; Eduardo Paes, prefeito da Cidade do Rio de Janeiro; Carlos Osório, secretário geral da Comissão de Candidatura Rio 2016; Adriana Behar, campeã olímpica e duas vezes medalha de prata no vôlei de praia.

Pontos principais:  Trazendo os Jogos Olímpicos para a América do Sul pela primeira vez, o Brasil se juntaria ao México (1968, 1970), Alemanha (1972, 1974) e Estados Unidos (1994, 1996) como países que sediaram a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos num intervalo de dois anos; enriquecer a experiência do expectador; garantir estádios lotados para os atletas e para a mídia por meio de um programa para lotar estádios com jovens apaixonados; “Viva sua Paixão”, um apelo aos jovens de todo o continente.
O maior aplauso:  O mapa do mundo mostrando todas as cidades que já receberam Jogos Olímpicos na América do Norte, Europa e Ásia.  Todos os continentes eram da cor laranja, exceto a América do Sul que era azul. “Eu fiquei surpreso; essa foi a primeira vez que eu vi, em toda a minha vida de movimento olímpico, um grande aplauso da platéia para um mapa”, disse Nuzman.  “É uma honra para nós vermos o reconhecimento da maioria dos presentes ao mapa que mostramos: o mapa dos Jogos Olímpicos”.
Garantias Financeiras: Nuzman disse que poderia afirmar com confiança e certeza que o Rio tem o comprometimento e garantias necessárias para fazer os jogos com sucesso. “Nós sabemos que a última coisa que alguém quer é ter problemas no orçamento”, ele disse, “então o orçamento Rio 2016 é completo, honesto e realista”. Acrescentou que um terço do orçamento já foi investido e o governo cobrirá eventuais déficits.

Citações:

“Nós carregamos as esperanças e as inspirações da América do Sul”. (Carlos Nuzman)

“O Rio está pronto, pronto para receber os Jogos na nossa cidade, nosso país e nosso continente.  Isto é um marco, e com o apoio de vocês, nós podemos fazer história em nome de todo o movimento olímpico”. (Carlos Nuzman)

“Nós sabemos que Tóquio pode, Chicago pode, Madri pode, mas sim, nós podemos”. (Sergio Cabral)

Tempo: 24 minutos.

Conceito: A – A mais apaixonada apresentação das quatro.  A mensagem foi clara em que o Brasil tem economia para realizar os Jogos e que os Jogos Panamericanos de 2007 ajudaram a criar uma infraestrutura esportiva que será aproveitada.  O Rio ganhou uma sincera explosão de aplausos dentre as quatro cidades quando Carlos Nuzman notou a falta dos Jogos na América do Sul.  O Rio de Janeiro parece responder à pergunta “por que?” da melhor forma do que as outras.

 


MADRI

Equipe: Juan Antonio Samaranch Jr., membro do COI; Jaime Lissavetzky, secretária de estado de esporte; Mercedes Coghen, Executiva do Comitê de Candidatura Madrid 2016; Alberto Ruiz Gallardon, prefeito da cidade de Madri.

Pontos principais: A melhor combinação de certeza e vitalidade; experiência; Jogos com toque humano; cidade compacta; apoio de 92.6% de seus cidadãos; o governo espanhol adotou a lei anti-doping; trabalhando para erradicar a violência e o racismo, “candidatura segura”.

Apresentação à moda antiga:  Os apresentadores  usaram o papel como apoio às suas apresentações ao invés de usarem os teleprompters.

Uma visão do futuro:  Madri exibiu três filmes, mais que qualquer outra cidade.  O terceiro filme teve grande efeito. Foi uma suposição de onde estariam em 2017, um ano após os Jogos, mostrando as pessoas de todas as idades fazendo comentários tais como: “Eu aprendi”, “Eu abracei”, “Eu estava lá”, “Eu pulei”, “Eu sofri”, “Eu chorei”, “Eu gargalhei”, etc.

Garantias financeiras: Madri tem um investimento mínimo garantido pelo governo.  O que também é um “modesto, realista e perfeitamente gerenciável orçamento”, disse Lissavetzky.

Citações:

“Madri pode fazer tudo por vocês e tudo por nós, compartilhando a alegria do espírito olímpico não somente dentro dos estádios, mas no dia-a-dia dos sete anos que estão por vir”. Juan Antonio Samaranch Jr.

 “Madri é um estilo de vida”

“Muitos anos se passaram desde que competi em Barcelona nos Jogos de 1992, quando tive o privilégio de ganhar uma medalha de ouro.  É difícil expressar a energia e a excitação que senti naquele ano. Isso mudou a minha vida, e eu acho que os Jogos podem mudar vidas, não somente para os que vivem em Madri, mas para as pessoas que vêm celebrar conosco.   Eles levam de volta para casa uma experiência de vida duradoura.” (Mercedes Coghen)

Tempo: 23 minutos

Conceito: B + (acima de B) - Vídeos mais dinâmicos, aumentando o apelo emocional.  Está claro que Madri é uma cidade especial, pronta para receber o mundo.  Mas o “por que” da candidatura parece indefinido.  Em um ponto da apresentação pareceu perigosa a sugestão de oferecer os Jogos ao mundo Mediterrâneo e  Hispânico. Um alerta para a candidatura: apenas duas perguntas foram feitas pelos jornalistas aos apresentadores. A candidatura de Madri, como a de Tóquio, não conseguiu atrair a curiosidade da mídia.

Por Karen Rosen and Ed Hula, em Denver, para www.aroundtherings.com