Guga é a alegria dos patrocinadores

FONTE: Gazeta Mercantil


O fim de semana para o esporte brasileiro foi de glória para o tênis e
fracasso para o futebol. Faturou quem apostou no talento de Gustavo Kuerten,
o Guga, tricampeão do torneio Roland Garros: a subsidiária da Diadora
International, marca italiana de calçados; o Banco do Brasil e o Rider-X da
Grandene. Perdeu quem associou a imagem à seleção brasileira de futebol,
derrotada no sábado pela Austrália, por 1 a 0, pela Copa das Confederações,
na Coréia do Sul: Nike e Companhia de Bebidas das Américas (AmBev).

A Nike, que começou a operar com subsidiária no Brasil em junho de 1999, tem
contrato com a seleção brasileira de futebol até 2006, que, em investimentos
diretos e indiretos, soma US$ 370 milhões - US$ 160 milhões em dinheiro vivo
- e ainda patrocina o Flamengo, no Rio. A empresa não assume publicamente
discurso derrotista. 'O esporte é feito de vitórias e derrotas e acreditamos
que o Brasil tenha todas as chances para se classificar para a Copa de
2002', diz Ingo Ostrovsky, gerente de comunicação da companhia no Rio.

Prevenir é melhor que remediar. A Nike, que teve faturamento global de US$
8,99 bilhões no ano passado, fortalece a marca no Brasil, ao investir em
outros esportes e na realização de eventos. A companhia, que patrocina André
Agassi e Pete Sampras, admite até apoiar um tenista nacional. 'É claro que o
Guga é um nome interessante e estamos observando o crescimento do esporte no
Brasil', diz Cátia Gianoni, do escritório da Nike em São Paulo, com o
cuidado de pedir que se desconsiderem especulações.

A AmBev - dona da marca Guaraná Antarctica, patrocinadora oficial da seleção
de futebol - também não teve sorte com resultados do Brasil nos gramados. No
primeiro torneio internacional que participou, assistiu à equipe comandada
por Émerson Leão perder para a França e a Austrália e empatar com o Canadá e
o Japão. Pela primeira vez, o Brasil não subiu ao pódio na Copa das
Confederações. A empresa garante que o contrato de 18 anos e US$ 10 milhões
anuais com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) será mantido. E poderá
até ter o valor dobrado, o que vai depender do desempenho comercial do
portfólio das bebidas não alcoólicas da AmBev.

Já o Banco do Brasil, que patrocina Guga desde o ano passado, tem contrato
com o atleta até 2003 e pretende aumentar a participação do tênis na
carteira de investimentos em esporte. 'Vamos crescer junto com o tênis, hoje
o terceiro esporte mais praticado do Brasil, atrás apenas do vôlei e do
futebol', diz Cláudio Vasconcellos, gerente de comunicação mercadológica do
banco. O BB investe ao todo R$ 22 milhões em vôlei, tênis e paradesporto e
deverá aumentar o aporte em 10% no próximo ano. Para Guga, que antes era
patrocinado pelo Banco Real, 'a parceria com o BB foi pé quente'. O tenista
alegou, na época do contrato, ter ficado seduzido com o projeto de
escolinhas de tênis do banco, que começou no ano passado em três capitais,
está hoje em seis e deverá atender, em 2002, cerca de 20 mil crianças
carentes em 1,3 mil associações atléticas do Banco do Brasil.

Um boato circulou no ano passado: de que Guga trocaria a Diadora, com
subsidiária em Novo Hamburgo (RS), pela Nike, em contrato de US$ 10 milhões.
A multinacional norte-americana desmente o assédio ao tenista catarinense. E
a Diadora tende a permanecer com o patrocínio de Guga, responsável pelo
aumento de 30% nas vendas da coleção de outono/inverno em relação a 2000. A
empresa espera crescer 80% e começar 2002 com a venda de 500 mil pares de
sapato e 200 mil peças de confecção e investimento de R$ 4 milhões em
publicidade. Nos Estados Unidos, a Diadora International cresceu 15% e o
faturamento global estimado da companhia para o fim deste ano pode chegar a
US$ 300 milhões. . A empresa não revela o valor do contrato com o tenista,
mas fontes do mercado dizem que estaria entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões. A
Rider, até ontem não sabia informar se vai renovar com Guga o contrato que
acaba no fim do ano.

Em setembro, o Brasil poderá sediar um torneio da ATP Tour, em São Paulo ou
em Florianópolis (SC), iniciativa da Octagon/Koch Tavares, empresa marketing
esportivo, que deverá contar com astros internacionais do tênis, entre os
quais, lógico, o Guga.José Roberto Rehder