Passaporte para a Taça Libertadores pode render quase R$ 14 milhões

05/12/2008

Cahê Mota, Eduardo Peixoto e Julyana Travaglia

Globoesporte.com

Quanto você pagaria para realizar um sonho? Imagine então poder alcançar seu objetivo e ainda receber, e bem, para isso. Pois é. Objeto de desejo de dez em cada dez torcedores brasileiros, a Taça Libertadores da América deixou de ser apenas o maior campeonato entre equipes do continente para se transformar também em salvação para os combalidos cofres dos clubes tupiniquins.

Com o Sport, campeão da Copa do Brasil, garantido, São Paulo, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo disputam as quatro vagas restantes do Brasil, e o GLOBOESPORTE.COM fez um levantamento de quanto cada um pode deixar de ganhar caso termine o Brasileirão na quinta posição.

Entre cotas de publicidade e TV, rendas, premiação por participação e avanço de fases e bônus do patrocinador do torneio, estima-se que um clube que chegue à decisão arrecade cerca de R$ 13,7 milhões, fora o lucro indireto.

Único brasileiro tricampeão da competição e prestes a carimbar o passaporte para a sexta participação consecutiva, o São Paulo é quem melhor aproveita os recursos proporcionados pela Libertadores. Ações de marketing no Brasil e no exterior entram na lista das receitas extras do Tricolor.

- Temos ganhos indiretos diversos. Quando estamos na Libertadores, temos uma exposição muito forte. Estaremos pela sexta vez seguida, se Deus quiser, e isso se torna uma coisa mais cotidiana. No preço do patrocínio é bem significativo, porque a marca vai aparecer muito. Outro ganho indireto é a vitrine internacional, para mostrar o clube, o que traz vantagens comerciais grandes. Além dessa projeção internacional, tem a visibilidade do exterior para os jogadores - explica o diretor de futebol do clube, João Paulo de Jesus Lopes.

ESTIMATIVAS DE RECEITA

Nas cotas de TV em R$:

Fase de grupos:

237 mil por jogo + 23,7 mil de placas de publicidade

Oitavas-de-final:

 331,8 + 71,1 mil de placas de publicidade

Quartas-de-final:

 426,6 mil + 94,8 mil de placas de publicidade

Semifinal:

592,5 mil + 118,5mil de placas

Final:

2,37 milhão ao vencedor e R$ 1,18 milhão ao vice

Bônus do patrocinador da competição:

Em cada jogo, os times ganham ainda R$ 23,7mil, menos na final

Renda com média de público de 50 mil torcedores:

R$ 8 milhões bruto, R$ 5 milhões líquido

Total:

13,7 milhões

Por outro lado, Kléber Leite, vice-presidente de futebol do Flamengo e experiente no ramo de marketing esportivo, lembra que há fatores em que a Conmebol ainda precisa evoluir e aponta onde o próprio mercado nacional se sobressai.

- Financeiramente, a Libertadores não é a oitava maravilha do mundo. Alguns itens são absurdos, como a publicidade estática. O que os clubes recebem é ridículo. No Brasileiro e no Carioca estamos em outro mundo. As cotas também são de ruins para razoáveis. Só quem vai ao Japão é que tem uma vantagem enorme porque pode usufruir de cotas extraordinárias.

Senso comum, entretanto, é a força que a Libertadores tem quanto à atratividade. Normalmente, os clubes que disputam a competição são os preferidos pelos jogadores em todo início de temporada, tornando o mercado mais acessível.

- No lado da visibilidade e esportivamente falando a Libertadores é nota dez. Sem dúvida alguma fica mais fácil convencer os jogadores a jogar no clube. Embora a gente pretenda manter quase todo time - reforça Kléber Leite.

O dirigente, por sinal, fala com conhecimento de causa. Caso não se classifique para a competição, o Rubro-Negro pode perder a oportunidade de contar com Ronaldo "Fenômeno" em 2009, além da provável aposentadoria do capitão Fábio Luciano.

Bônus da Fifa

Muito mais rentável que a Libertadores é o Mundial de Clubes da Fifa. Disputado tradicionalmente no Japão, a disputa está marcada para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, em 2009, e pode render até R$ 10,6 milhões para o participante.

- Outro ganho com a Libertadores é o fato de classificar para o Mundial. E, no Mundial, a cota é entre US$2 milhões e US$4,5 milhões. Esse envolvimento todo é importante. Nisso tudo, o menos significativo, são as cotas da Conmebol - diz João Paulo de Jesus Lopes.

Por fim, Kléber Leite resume o sentimento de quem luta desesperadamente por uma vaga no G-4 nas últimas quatro rodadas do Brasileirão.