Stock Car pressiona TV Globo por uso de nome de patrocinador

12/11/2008

Thales Calipo

uol.com.br

Na indústria do esporte brasileira, um dos assuntos mais usualmente debatidos é em relação ao uso dos nomes dos patrocinadores de eventos por parte da mídia em geral. A Stock Car, que tem na TV Globo sua principal parceira de mídia, não esconde sua frustração pelo fato de a emissora omitir a marca da Nextel durante as suas transmissões.

"Eu entendo, mas discordo parcialmente desta decisão. Não seria necessário mencionar todas as marcas, mas o naming right [propriedade em que o patrocinador está no nome de um evento] é a verba que permite que disponibilizemos o conteúdo, e é isso que a TV precisa para atrair audiência e fazer o seu plano comercial", reclama Carlos Col, presidente da Vicar Promoções Desportivas, empresa responsável pela Stock Car.

Desde o início de 2007, a Stock Car tem como sua principal patrocinadora a Nextel, que dá nome ao campeonato. O contrato firmado entre as partes tem duração de três anos, e os valores não foram divulgados.

Como não poderia deixar de ser, o coro do organizador da principal categoria de automobilismo contra a TV Globo é endossado pela própria Nextel. De forma mais velada, no entanto, já que a companhia também compra espaços de publicidade da emissora para aparecer nas transmissões, a empresa lamenta a postura do canal.

"Já tínhamos consciência de que seria difícil desbravar o Brasil, mas o nosso projeto já se paga sem a divulgação [do naming right]. Mas eu acredito que o ciclo poderia funcionar bem melhor se já estivesse acontecendo isso. A partir do momento que o produto é citado pela Globo, o esporte iria ganhar mais, novos fãs seriam atraídos e todos ganhariam", analisou Fábio Toledo, gerente de marketing da Nextel.

Apesar das posições contrárias de seus próprios parceiros, a Globo reitera seu discurso de que, como é uma empresa que vive de receita publicitária, não pode prejudicar os seus parceiros ou gerar uma visibilidade sem ter o retorno financeiro para isso.

"Existem duas coisas envolvidas: a política editorial e comercial. Tem a coisa da credibilidade de citar marcas nas suas transmissões, enquanto esse tipo de ação não faz parte do nosso portfolio que está à venda para os patrocinadores", rebateu Ricardo Mazzucca, diretor de marketing esportivo da Globo.