Ex-diretor da ISL se recusa a responder perguntas em julgamento

12/03/2008

Reuters

SUÍÇA - Ex-diretor geral da falida ISL, Jean-Marie Weber se recusou nesta quarta-feira a responder perguntas em um tribunal suíço que julga uma acusação de pagamento de suborno a autoridades do esporte mundial por parte da antiga gigante de marketing esportivo.

Weber fez uso do seu direito ao silêncio quando questionado durante o segundo dia do julgamento que analisa o incrível colapso da ISL, em 2001, que deixou dívidas estimadas em 300 milhões de dólares.

A ISL deteve os direitos de televisionamento de eventos organizados pela Fifa durante mais de 20 anos, e também possuía outros parceiros de peso, como o Comitê Olímpico Internacional e a ATP Tour. No Brasil, a empresa firmou parcerias com o Flamengo e o Grêmio.

Jean-Marie Weber é um dos seis réus numa acusação de apropriação indébita de documentos falsos. Dois outros réus admitiram na corte nesta quarta-feira que foram feitos pagamentos para indivíduos via uma conta bancária secreta no paraíso fiscal de Liechtenstein, mas afirmaram que a prática era legal, além de ser uma prática comum na época. Os réus disseram que somente Weber conhecia a identidade de quem recebia o dinheiro.

Documentos da promotoria apresentados à imprensa na abertura do julgamento confirmam que não havia nenhum artigo na lei suíça contra o pagamento de suborno a indivíduos ou entidades privadas. Mas o procurador do estado Marc von Dach contesta que os pagamentos constituem um dano criminal aos credores das companhias envolvidas por desviar recursos num momento em que a ISL e sua subsidiária ISMM estavam enfrentando uma falência iminente.

No processo, o procurador afirma que mais de 18 milhões de francos suíços foram pagos entre junho de 1999 e janeiro de 2001 'para pessoas envolvidas direta ou indiretamente em contratos firmados pela ISMM'.

Presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e membro do Comitê Executivo da Fifa desde 1986, o paraguaio Nicolas Leoz não está entre os acusados, mas é citado como recebedor de dois pagamentos que totalizam 130 mil dólares. O dirigente tem negado repetidamente qualquer tipo de irregularidade.