Sayonara, Kyocera

31 de março de 2008

Furacao.com

Kyocera Arena volta a ser Arena da Baixada

"Não chegamos a um encontro de interesses e encerramos o nosso relacionamento". A declaração de Mário Celso Petraglia ao jornal Gazeta do Povo de domingo colocou um ponto final na parceria Atlético-Kyocera. O contrato com a multinacional se encerrou nesta segunda-feira e não vai ser renovado, apesar de uma das cláusulas prever a opção por mais três anos. De acordo com Petraglia já existem outras negociações em andamento. Nos bastidores comenta-se que a Emirates, famosa empresa de aviação, é uma das possíveis candidatas a patrocinar o Furacão nas próximas temporadas.

De acordo com o diretor de marketing do clube, Mauro Holzmann, o fim da parceria resultou da busca do Atlético em ter uma maior valorização financeira para esse tipo de negócio, esperando que o novo contrato seja por um período maior, visando a realização da Copa do Mundo, em 2014. "Nós achamos que o momento é propício para buscar um novo parceiro, com valores maiores. Em conjunto, nós estávamos negociando e tudo o que vai acontecer no Brasil, com a vinda da Copa do Mundo, com o crescimento da marca Atlético Paranaense, nós achamos que tínhamos de buscar um parceiro que valorizasse mais esse conjunto de propriedades. Não houve nenhum tipo de conflito. Devemos anunciar em breve o nome do novo parceiro", afirmou.

Na busca desse novo parceiro, o Atlético conta com a colaboração da empresa norte-americana Premier, que está ajudando o clube a conseguir parceiros comerciais para o estádio Joaquim Américo e para o Centro de treinamentos Alfredo Gottardi na parceria com a Kyocera, o Furacão contou com a ajuda da Clear Channel . "Em função de todo esse movimento com a vinda da Copa do Mundo, achamos que a parceria tem de ser mais longa. E achamos que não necessariamente tem de ser a mesma empresa na camisa e no estádio. Estamos negociando com a Premier", disse Holzmann.

Pioneiro no conceito de "naming rights" no futebol brasileiro

Quando estudou o mercado brasileiro para se tornar conhecida por aqui, a Kyocera Mita fez uma grande análise até chegar ao nome do Atlético Paranaense, que segundo os próprios executivos do grupo japonês tinha como diferenciais a administração sólida e uma infra-estrutura moderna. "Quando nos reunimos com o Atlético, nossa primeira impressão foi de que a administração do clube era bastante sólida. Como o time tem se mantido no topo do ranking nos últimos cinco anos, isso é uma maneira de atrair qualquer patrocinador. O Atlético é também um dos maiores e mais antigos clubes do Brasil e que trabalhou duro para ser um dos mais respeitados clubes do país. Além disso, é um time que tem uma grande base de torcedores", afirmou no balanço de um ano de parceria o executivo Tsutomu Toyofuku, vice-presidente da divisão da América Latina da Kyocera Mita América.

A entrada da Kyocera no mercado futebolístico brasileiro, em 2005, trouxe muitas dúvidas aos torcedores atleticanos. Não acostumados com o termo "naming rights" , não foram poucos os rubro-negros contrários ao patrocínio da empresa. "Vão mudar o nome do estádio"; "O Atlético vai vender a Baixada"; "Todo o dinheiro dos jogos vai ficar com a Kyocera"; "A Kyocera vai poder pintar todas as paredes do estádio de verde"; foram algumas das "pérolas" citadas na época. O que aconteceu, na realidade, foi uma massificação do nome da Kyocera no Brasil. Diretamente vinculada ao Atlético, os japoneses lucraram com exposição do clube na mídia nesses últimos três anos. Só com a final da Copa Libertadores, em 2005, os cinco continentes visualizaram a marca Kyocera no manto sagrado.

Para o clube, a parceria com o grupo japonês Kyocera Mita também trouxe resultados financeiros. Estima-se que o patrocínio ao nome do estádio e à camisa do clube tenha rendido US$ 2 milhões por ano ao Atlético , valor compatível com o mercado externo. "Em relação ao mercado nacional, nós conseguimos valores que estão acima da média praticada especialmente pelo ineditismo da operação. São valores satisfatórios dentro das nossas aspirações", afirmou na época da divulgação da parceria o presidente do Conselho Gestor do Atlético, João Augusto Fleury da Rocha.

Além do retorno financeiro, a parceria rendeu ao Atlético prestígio na área do Marketing Esportivo. O case Kyocera Arena ganhou o Top de Marketing 2005 , concedido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil - Seção Paraná (ADVB-PR).

Para os torcedores, os fantasmas iniciais que vieram juntamente com o contrato de "naming rights" , até então pioneiro no futebol brasileiro, foram pouco a pouco desaparecendo. Não demorou para se perceber que a parceria era apenas mais uma fonte de renda do clube, com a negociação do nome do estádio e o patrocínio da camisa atleticana. O termo "Kyocera Arena" foi se tornando familiar aos atleticanos, que passaram a adotar esse nome comercial ao estádio Joaquim Américo.

Parceria envolveu exclusivamente patrocínio

Outro mito formado após o acerto com a Kyocera, logo derrubado, foi sobre a influência do grupo japonês com o futebol do clube. Inicialmente, chegou-se a insinuar que a parceria seria nos moldes Palmeiras-Parmalat ou Corinthians-Hicks Muse, o que na prática não ocorreu. "Parceria é uma coisa mais ampla, virou até uma coisa desgastada, desvirtuou-se muito. Como já aconteceu em outros clubes brasileiros, como na Parmalat e Palmeiras, nos fundos que investiram através de negócios como no caso da Hicks Muse e da ISL. O caso do Atlético é puro e simples o patrocínio. O Atlético dá o nome do estádio à Kyocera e eles nos pagam", disse no balanço do segundo ano da parceria o diretor de Marketing do Atlético, Mauro Holzmann.

A única influência da Kyocera no futebol atleticano era quanto aos resultados obtidos em campo. "Quanto melhor for o futebol, melhor será o resultado da exposição na mídia", declarou na época do acerto da parceria Fleury. Além disso, a Kyocera pagava prêmios especiais ao clube de acordo com o desempenho nas competições nos últimos três anos, o Furacão chegou à final da Copa Libertadores da América, em 2005, e foi semifinalista da Copa Sul-Americana, em 2007, além de ter conquistado o título Paranaense em 2005.

Ficou para a próxima

Um dos projetos anunciados pelo Atlético durante o lançamento da Kyocera Arena, em março de 2005, foi a eliminação do fosso que separa a torcida do gramado. Alguns órgãos oficiais chegaram a ser consultados, mas o comportamento do torcedor foi a principal causa para que a divisória ainda permaneça. "Aquelas colunas que do lado contrário ao colégio são para dentro ficarão no novo lado para fora. Isso nos ajudará a ampliar a capacidade. Além disso, temos intenção de eliminar o fosso, de mudar os vestiários para o lado do colégio, onde haverá também camarins e também um palco para shows", disse o Presidente Mário Celso Petraglia em entrevista à Rádio Transamérica no dia 23 de agosto , cinco meses após a parceria com a Kyocera ser firmada.

Os shows também ficaram quase que exclusivos às exibições do Atlético no gramado. Foram poucos as apresentações de artistas na Kyocera Arena, a maioria delas para funcionários de grandes multinacionais. A Volvo, por exemplo, fechou o estádio para uma festa envolvendo os cantores Zezé di Camargo e Luciano , em 2007. No ano anterior quem subiu a um palco montado no gramado foi o grupo RBD . A Furacao.com chegou a noticiar que a grama ficou estragada por causa do público, mas o diretor de marketing Mauro Holzmann negou a informação. "O Atlético sempre preservou o gramado. Nós seríamos irresponsáveis em alugar o estádio sem saber que teríamos tudo em ordem na seqüência", disse Holzmann três dias após o grupo musical se apresentar.

E agora?

Sem a verba de patrocínio da Kyocera, o rubro-negro passa a contar exclusivamente com o patrocínio da HDI nas camisas. "A HDI, nossa última parceria, continua conosco. Vamos procurar a mesma estratégia e também estamos trabalhando com essa parceria com o Dallas. O Atlético quer um caixa forte para poder investir em estrutura, futebol e trazer o que o torcedor sempre desejou: títulos", disse Mauro Holzmann.

A Emirates, empresa de aviação, é um nome forte especulado nos bastidores. A favor dela pesa o fato de ser patrocinadora dos eventos da FIFA até 2014 e também por ter um bom histórico com clubes de futebol. Atualmente a Emirates patrocina o Arsenal, Milan, Paris Saint German e Hamburger SV, além de ter o nome vinculado ao estádio do Arsenal (Emirates Stadium). A Emirates também patrocina jogos de rugby, corridas de yacht e barcos a motor, golfe, críquete, corridas de cavalo e tênis.

Se confirmado o patrocínio, o tchau japonês (Sayonara), vai ser trocado pelo bem-vindo em árabe. Até lá a gente arruma as nossas configurações no teclado e promete traduzir a expressão da maneira correta.