Nike paga à França cinco vezes mais do que ao Brasil

22/02/2008

Lance press

A Federação Francesa de Futebol (FFF) anunciou nesta sexta-feira um contrato de patrocínio com a Nike no valor mínimo de US$ 62,8 milhões anuais (cerca de R$ 117 milhões). A Seleção Brasileira, que tem a mesma fornecedora de material esportivo e quatro títulos mundiais a mais, celebrou em 2006 um compromisso de US$ 12 milhões (R$ 21 milhões).

Em 2006, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) renovou automaticamente o contrato com a Nike - na ocasião o presidente Ricardo Teixeira afirmou que nenhuma outra empresa havia se interessado pela equipe. Mas, ao contrário da CBF, a Federação Francesa de Futebol (FFF) realizou uma licitação para escolher sua fornecedora de material esportivo. Três apresentaram propostas: Adidas, Nike e Airness.

Para superar a Adidas, que patrocinava a seleção francesa desde 1972, a Nike ofereceu, além dos R$ 117 milhões anuais entre 2011 e 2018, mais US$ 3,7 milhões anuais (R$ 6,3 milhões), além de prêmios caso a equipe se classifique para Copa do Mundo e Eurocopa, durante vigência do acordo.

O valor conseguido pelos franceses foi quatro vezes e meio maior do que o recebido anteriormente da multinacional alemã. Comparado ao contrato da Seleção Brasileira com a Nike, a diferença sobe para cinco vezes.

- A briga entre a Nike e a Adidas inflacionou o mercado mas é claro que a Seleção está com um contrato muito inferior a seu valor - disse o consultor em marketing esportivo Amir Somoggi.

Para Fábio Wolff, a CBF peca por não impor cláusulas de revisão contratual. Por isso, com o passar dos anos, o contrato da Seleção fica desvalorizado. E calculou que pelos parâmetros do mercado, o Brasil teria que receber pelo menos US$ 60 milhões anuais.

- A CBF não podia ficar engessada até 2014. O Corinthians estava em situação semelhante e renegociou os valores de seu compromisso com a Nike - disse o consultor em marketing esportivo.