Nizan Guanaes assume departamento de marketing do Corinthians

EDUARDO ARRUDA
MÁRVIO DOS ANJOS
PAULO GALDIERI
da Folha de S.Paulo

Novembro 2007

O homem que ganhou a conta da mais importante campanha publicitária do esporte brasileiro nos próximos sete anos assumirá o marketing do segundo clube mais popular do país. Nizan Guanaes, 49, aceitou convite para cuidar do Corinthians, que jamais teve imagem tão arranhada e luta para fugir do rebaixamento.

O publicitário, antes, já havia abocanhado a conta que toca o projeto da Copa-2014, através da agência MPM, empresa que faz parte da holding YPY, da qual Nizan é um dos sócios.

Na semana em que o Brasil ganhou o direito de sediar o Mundial, o vice-presidente da MPM, Rui Rodrigues, foi apresentado pelo principal veículo do setor publicitário, "Meio & Mensagem", como o "dono da bola". Em seu site oficial, a MPM anuncia em letras garrafais que "A Copa do Mundo é nossa" e capitaliza: "A Fifa aprovou, com unanimidade, o caderno desenvolvido pela agência (...)".

Sem jamais ter tido participação importante no futebol, o grupo publicitário de Nizan, em menos de um ano, terá agora também o clube mais popular de São Paulo, principal mercado consumidor do Brasil.

No Corinthians, o dono da agência África entra para tentar mudar o funcionamento de um dos departamentos mais sensíveis do clube, estopim das primeiras desavenças entre Alberto Dualib e a MSI, representada por Kia Joorabchian.

Carla Dualib, neta do ex-presidente, tinha a exclusividade para negociar contratos, que pertenciam à MSI.

A empresa dela, a SMA, chegou a faturar mais, em 2006, do que o próprio Corinthians.

O balanço corintiano naquele ano mostra que o clube faturou R$ 761 mil com as ações de marketing. A empresa de Carla recebeu do time R$ 763 mil.

Com Nizan, o clube prevê que, em até um mês, o projeto esteja em prática, dando os primeiros resultados.

"Ele talvez seja a pessoa mais criativa do mercado. A escolha dele é totalmente profissional", afirmou o atual vice-presidente de marketing do Corinthians, Luiz Paulo Rosenberg.

Ele quem fez o convite a Nizan. A idéia é que a África lidere a reestruturação do departamento. Segundo Rosenberg, a assessoria será feita de forma "gratuita e voluntária".

A África informou que, apesar de Nizan ser são-paulino, ele aceitou ajudar o Corinthians por considerá-lo do "Brasil". Além disso, a mulher do publicitário, Donata Meirelles, é corintiana fanática e disse que ele não tinha como recusar a proposta. "Ela talvez seja mais fanática do que eu. Vai aos jogos, acompanha o time", declarou Rosenberg.

"Queremos repetir esse tipo de coisa [gestão profissional] em outras áreas. Na parte financeira, por exemplo", complementou o vice de marketing.

Além do projeto da Copa-14, Nizan tem participação, por meio do grupo YPY, na Reunion, agência de marketing esportivo que trabalha para a Stock Car desde 2006.

Democracia

Em outra fase crítica de sua história, o Corinthians já apelara para a ajuda de um profissional de marketing para fortalecer sua marca e implementar inovações no clube alvinegro.

Durante a chamada "Democracia Corintiana", período no início dos anos 80 que sucedeu uma crise no Parque São Jorge --o time havia obtido más campanhas nos campeonatos Brasileiro e Paulista de 1981--, as ações publicitárias ficaram nas mãos de Washington Olivetto.

Foi ele, inclusive, quem batizou o movimento que, entre outras coisas, deu mais liberdade aos jogadores e descentralizou o poder dentro do clube do Parque São Jorge.

Entre as ações idealizadas por Olivetto, que trabalhou como voluntário, estavam a criação de um "conselho de notáveis", formado por torcedores famosos do Corinthians, para conseguir a divulgação nacional da ação.

Durante a "Democracia Corintiana", o time também usou a camisa para veicular mensagens políticas alusivas ao fim da ditadura militar e favoráveis ao retorno das eleições diretas para presidente.

"Democracia Já" e "Quero votar para Presidente" foram algumas das frases estampadas no uniforme corintiano.

Olivetto, apesar de corintiano, deixou o clube ao fim do mandato do presidente Waldemar Pires.