Como ganhar dinheiro na Série B?

Passagens de outros grandes pela Segundona mostra que é possível não diminuir receita

Carlos Augusto Ferrari do GLOBOESPORTE.COM

Dezembro de 2007

Palmeiras, Botafogo, Grêmio e Atlético-MG provaram que podem viver um verdadeiro caso de amor com seus torcedores mesmo jogando a Série B do Campeonato Brasileiro. Mas até que ponto o incentivo das arquibancadas pode se transformar em dinheiro? Novo integrante da Segunda Divisão, o Corinthians ainda contabiliza o prejuízo, mas sonha em tirar proveito do rebaixamento.

Mesmo sendo considerado "top" pelo Clube dos 13 ao lado de Flamengo e São Paulo, o Timão terá uma diminuição de 50% de suas cotas da televisão em 2008, passando a receber aproximadamente R$ 12,5 milhões. O clube, porém, ganha o direito de negociar sua imagem com a Futebol Brasil Associados, organizadora da Segundona.

- A cota cai pela metade, mas o Corinthians pode recuperar o dinheiro negociando com a FBA. Aconteceu com Palmeiras, Grêmio, entre outros. Assim, os danos pela queda não ficarão tão grandes - afirma o vice-presidente do Clube dos 13, Fernando Carvalho.

Com o rebaixamento, o Corinthians colocará em prática nos próximos meses uma agressiva estratégia de marketing para atrair torcedores e ampliar o leque de parcerias comerciais. O principal deles promete levar corintianos à concentração em dia de jogos e até viajar com a delegação.

- O Corinthians na Série B é como colocar uma baleia em um aquário. Ainda não temos claramente qual será o impacto disso, mas a torcida sempre esteve ligada ao time e isso não vai mudar. É difícil pensarmos que podemos ter lucro com a queda. Foi uma perda irreparável - afirma o vice-presidente de marketing do Corinthians, Luiz Paulo Rozemberg.

Sem medo de perder espaço no mercado por jogar a Série B, A direção planeja para 2008 o aumento de produtos com a marca do clube, que vão de chocolates, motos, cartão de crédito e até a TV Timão para mostrar os bastidores do clube na internet. Tudo, porém, está condicionado ao bom desempenho da equipe pelo menos no Campeonato Paulista.

- O Corinthians vive assediado por empresas interessadas em parcerias. Não tememos nenhuma perda. Uma boa campanha no primeiro semestre pode alavancar os projetos. Nossa idéia é definir tudo até o final do ano e entrar janeiro com muita força - ressalta Rozemberg.

O rebaixamento, aliás, não é visto como um grande trauma pelo empresário José Carlos Brunnoro, especialista em marketing esportivo.

- As cotas podem cair, mas o clube pode tirar proveito com boas estratégias de marketing, principalmente utilizando a força da torcida - afirma, em entrevista à "Rádio CBN", de São Paulo.