As vendas da Adidas disparam no Brasil

Gazeta Mercantil

Sandra Azedo

30/01/2007

Em 2006, faturamento de artigos de futebol mais que dobrou. Copa do Mundo é uma das explicações.

São Paulo, 30 de Janeiro de 2007 - Em 2006, faturamento de artigos de futebol mais que dobrou. Copa do Mundo é uma das explicações. A marca alemã de artigos esportivos Adidas se mantém firme no propósito de conquistar a liderança em material esportivo até o ano que vem no Brasil, posição que por enquanto é da gigante Nike. Lembrando que no mundo, a meta é ser a número um até 2010. Somente no País, no ano passado, a Adidas mais que dobrou as vendas de artigos relacionados a futebol. "O restante não acompanhou a mesma curva de ascensão, mas o mercado esportivo no geral vem crescendo bastante por aqui nos últimos cinco anos", pontua o diretor de marketing da Adidas, Luciano Kleiman.
Segundo o executivo, há várias razões para explicar o fato de as pessoas comprarem mais e mais artigos de esporte, que vão de roupas, passando por calçados até chegar em acessórios para diversas modalidades. Um deles, segundo Kleiman, diz respeito à questão saúde. Com o aumento da prática da atividade física, cresce a procura por um tênis adequado, por exemplo.
"Outro fator está ligado à estabilidade econômica do País", completa o diretor de marketing, ao referir-se principalmente ao poder de compra dos brasileiros. Ainda existe um ponto importante, ressaltado por Kleiman, que é varejo. Ou seja, lojas especializadas - como a Centauro - estão investindo em pontos-de-venda maiores e mais agradáveis para escolher o produto esportivo ideal. Tão agradável que fica difícil sair do local somente com aquilo que realmente se procura.
"É claro que a Copa do Mundo nos ajudou muito, porque vendeu mais artigos de futebol, de chuteira a bolas. Mas no Brasil as razões, como um todo, vão além do mundial", diz.
Lembrando que a Adidas é a patrocinadora oficial da Copa do Mundo. Em decorrência disso, teve ações que pipocaram por todo o planeta, especialmente com a premiada campanha "José + 10", de criação da agência 180 Amsterdam. A Adidas foi ainda eleita o anunciante do ano no Festival de Cannes do ano passado.
Com este resultado no segmento de futebol, 2006 tornou-se o ano mais importante para a Adidas do Brasil, quando o assunto é faturamento. A empresa não divulgou ainda o seu balanço mundial do ano que passou; números referentes ao Brasil não são abertos.
Mas quando o assunto é futebol, a empresa que lidera é mesmo a Adidas. Mas que fique claro que a Nike, porém, é apenas uma das fabricantes de material esportivo que estão tentando fisgar o consumidor louco por futebol. A Puma mostrou, na Copa de 2006, que este é mesmo um caminho lucrativo - apesar de ter voltado como marca fashion, depois de quase falir no cenário mundial, escolheu algumas seleções para patrocinar. E deu sorte: a Itália, uma das eleitas para levar o símbolo do felino, foi tetracampeã em 2006.
Não importa a concorrência, futebol é um dos negócios de maior importância para a Adidas e a empresa não abre mão deste investimento - nem da tradição. Patrocina uma série de astros do futebol mundo afora e no Brasil também tem o seu time. Aliás, aqui, ontem, a Adidas mostrou oficialmente a sua mais recente ação publicitária, que vai contar com a participação de alguns craques.
A nova campanha é a "Predator x F50". Ou seja, dois modelos de chuteiras deram nome a dois times de futebol, que se traduzem em duas maneiras distintas de jogar. O Predator Football Club (lançamentos longos, chutes diretos com efeitos, desarmes precisos, instruções por gestos e gritos) tem entre seus representantes os jogadores Kaká, David Beckham, Michael Ballach e Juan Román Riquelme.
O F50 Club de Fútbol, (habilidade individual e talento futebolístico), por sua vez, conta com jogadores como Lionel Messi, Arjen Robben, Lukas Podolski e Fred. As duas equipes são diferenciadas por cores e distintivos próprios.
No Brasil, a campanha estará em várias mídias, como TV, jornais, revistas, internet e outdoors, sendo que ainda haverá um evento. As peças publicitárias também são assinadas pela 180 Amsterdam. Apóiam a Adidas no Brasil a TBWA, a Age, a B/Ferraz, entre outras empresas de comunicação.
Haverá uma competição nacional ligada à campanha, uma maratona de futebol chamada "Desafio Predator x F50". Meninos e meninas com idades entre 15 e 17 anos podem participar inscrevendo-se no site da Adidas com a melhor frase para os temas "Porque você é Predator" ou "Porque você é F50".
Os autores das 500 melhores frases serão selecionados para participar de um evento que contará com cem times, jogando uma maratona de futebol de dez horas. Quatro brasileiros ainda vão poder participar do evento global da marca, que ocorre na Espanha, em meados do ano, quando a campanha será finalizada. Dois serão selecionados por meio do desafio de futebol e outros dois serão escolhidos pela internet por meio de concurso. Detalhe: ao final deste evento, no mundo, será anunciado o vencedor: Predator ou F50.
No Brasil, a Adidas também tem jogadores classificados entre F50 e Predator. Marcinho (Cruzeiro Esporte Clube), Thiago (São Paulo Futebol Clube) e Rosinei (Sport Clube Corinthians Paulista) estão entre os do primeiro time, enquanto Edmundo (Sociedade Esportiva Palmeiras) e Fernandão (Sport Clube Internacional), entre outros, fazem parte do Predator.
Segundo Kleiman, a Adidas poderá expandir sua atuação de patrocínio para outros clubes, além do Palmeiras e do Fluminense Football Cub. A marca estampa as três listras no Verdão desde 2006, o mais recente contrato da Adidas. "Queremos outro time grande, que poderá ser inclusive fora do eixo Rio-São Paulo", diz o diretor.
Depois de apresentar a campanha para divulgação das duas linhas de chuteira, a Adidas já estréia em março uma campanha institucional (também com o "Impossible is Nothing"), que será veiculada no Brasil. Há ainda mais novidade: para o início do Campeonato Brasileiro, a marca vai lançar um uniforme para o Palmeiras, que busca sair do jejum de títulos enquanto seu patrocinador de material esportivo corre para ser líder.