Iniciativa privada já investe R$ 2 bi no esporte

DCI.com.br

Verônica Lima

04/02/2007

No Brasil, de acordo com a pesquisa mais recente encomendada ao Instituto de Pesquisa Ipsos Marplan, as promoções, eventos, e patrocínios esportivos oriundo de empresas privadas movimentaram em 2004, R$ 2 bilhões, quase 10% mais que em 2003, quando chegaram a 1,8 bilhão e para os próximos anos os especialistas prevêem um crescimento de até 40% no faturamento das empresas ligadas ao marketing esportivo. Mexer com a emoção dos consumidores e atletas e associar sua marca a este sentimento é o objetivo das empresas que investem pesado em marketing esportivo, prática que oferece uma variedade de opções de investimentos: eventos, patrocínios de atletas, ações de merchandising em locais estratégicos, associação de imagem, entre outros. Somente nos Estados Unidos, a atividade movimenta, por ano, cerca de US$ 150 bilhões.
Agências
Prova de que este setor crescerá ainda mais em 2007, é a Fragatamkt, reconhecida como uma agência que trabalha a interação da marca com a emoção e a expectativa do consumidor, que projeta crescer 40% em relação a 2006, quando faturou R$ 2 milhões.
Segundo o proprietário da Fragatamkt, Mauricio Fragata, o crescimento será em virtude dos jogos Pan-Americanos 2007, Olimpíadas 2008 e a demanda de empresas que investirão nos próximos anos em eventos esportivos. “As empresas estão cada vez mais interessadas nos eventos esportivos, porque há retorno quando o trabalho é feito de maneira correta, a Fragatamkt oferece um trabalho de consultoria nesta área, e propõem ao cliente qual a melhor estratégia nessa área para a sua empresa faturar mais”, comenta Fragata.
No caso do Eduardo Hatschbach, diretor da Speed Sports, empresa especializada em marketing esportivo com escritórios em São Paulo e Curitiba, dedicando sua atuação à elaboração, desenvolvimento, comercialização, promoção, assessoria e implantação de projetos nos esportes, tendo como principais clientes, Telemar, Colgate, Danone, Goodyear e Unibanco, acredita que hoje o marketing esportivo é a principalmente ferramenta de relacionamento que catalisa novos consumidores e oferece as marcas um retorno imediato.
“Pelo relato dos meus clientes, que tentam se relacionar com os seus clientes através do esporte, o retorno acontece”, conta Eduardo. Em 2006 a Speed Sports organizou, para outras empresas, 27 eventos esportivos, como campeonato de rally e skate, torneio de golfe e circuito de vôlei de praia. Conforme os planejamentos-padrão, uma programação de um dia custa por pessoa, em torno de R$ 500 a R$ 600. Para este ano, o diretor da Speed Sports estima organizar novos eventos e manter o crescimento anual de 30%.
Vivo
Uma grande patrocinadora de diversas modalidades esportivas, é a Vivo, que atualmente tem mais de 28 milhões de clientes e com campanhas de marketing esportivo, pretende conquistar novos clientes. Por isso a operadora é a patrocinadora da Seleção Brasileira de Futebol desde 2005, num contrato que tem a duração de 10 anos.
Almejando conquistar um publico diverso, a vela também é uma modalidade que conta com o apoio da operadora, como o Brasil 1, barco comandado por Torben Grael que conquistou a terceira colocação na inédita participação do Brasil na regata Volvo Ocean Race deste ano.
Em outras modalidades náuticas, a Vivo apóia o Match Race Brasil, que a bordo do catamarã Satellite III, comandado pelos velejadores Beto Pandiani e Felipe Whitaker, viajou de Nova York à Groenlândia. Além disso, os esportes de aventura também recebem apoio, como o Ecomotion/Pro, a maior corrida de aventura da América Latina, tendo a equipe Vivo Atenah, conquistado a quarta colocação geral e a única composta apenas de mulheres (e a primeira colocação de uma equipe brasileira no ranking geral). Nesta edição, a competição contou com 240 atletas, de 20 países, reunidos em 60 equipes, sendo 20 delas estrangeiras e envolveu diferentes modalidades como mountain bike, canoagem, rafting, trekking e técnicas verticais, entre outras, que foram cumpridas em cenários distintos, como praias, lagos, montanhas, florestas e cachoeiras. “Esses eventos esportivos possibilitam estreitar relacionamento com clientes”, afirma Agostinho Balbino, diretor-geral de Vivo Empresas.
Já no segmento de Golfe, a Vivo com o intuito de propagar a imagem do esporte no País, patrocina circuito Vivo Golf Tour, e é apoiadora do LG/Vivo PGA Championship, que tem como patrocinadora a LG, que com o evento deste ano, já terá investido cerca de R$ 5 milhões em golfe desde 2003, quando ocorreu a primeira edição do LG/Vivo PGA Championship, hoje na quarta edição. Atualmente o torneio de golfe profissional é o mais bem pago do País. Serão distribuídos R$ 270 mil em prêmios — a maior bolsa do golfe nacional em 2006.
“A prática do golfe está crescendo muito no Brasil. Ao acompanhar e incentivar esse crescimento, a LG atinge um público formador de opinião, que consome produtos feitos com tecnologia de última geração e design sofisticados”, diz Eduardo Toni, diretor de Marketing da empresa.
Telemar
Outra que é patrocinadora oficial dos Jogos Pan Americanos 2007, é a Telemar. De acordo com diretor comercial, Rogério Parra, a empresa crê que investimentos em esporte deixam a empresa mais próxima do esportista amador. “Nos acreditamos que um dos pilares do crescimento dos negócios é justamente baseado em relacionamento, e, para conhecer os nossos clientes e para que eles conheçam o nosso trabalho, enfocamos investimentos esta área”, explica Parra.