Aposentadoria de Agassi rende

MBPress 05/09/2006

Uma derrota por 3 sets a 1 para o alemão Benjamin Becker, no último domingo, encerrou a carreira do tenista norte-americano Andre Agassi. Ele já havia anunciado que o Aberto dos Estados Unidos seria sua última participação como profissional, e assim criou um furor que fez o torneio bater recordes de público e audiência.

Na última edição do torneio americano que participou, o xodó do tênis dos Estados Unidos ajudou os organizadores do torneio a estabelecer novos recordes. Na primeira semana da competição, mais de 400 mil ingressos foram vendidos pela primeira vez na história. Dos 406.040 bilhetes comercializados, a maioria foi para assistir às partidas de Agassi.

Da mesma forma, na televisão Agassi impulsionou a audiência. A partida em que perdeu para Becker e encerrou a carreira teve um aumento na audiência de 30% em relação ao jogo correspondente (em horário e fase de disputa) no Aberto dos EUA de 2005. Além disso, a notícia de sua aposentadoria (e as lágrimas derramadas ao deixar a quadra) foi matéria em mais de 3 mil veículos de imprensa ao redor do mundo só no domingo.

Em meio ao frenesi causado por sua saída das quadras, muitas empresas faturaram com a superexposição do ídolo americano. A maior delas foi a Adidas, empresa que fornece seu material esportivo desde o ano passado. A chave para a conquista da fabricante, que após quase 20 anos de parceria entre Agassi e Nike, desbancou a rival americana e ligou sua imagem à do tenista.

“Quando assinamos com ele, tínhamos consciência de que a longevidade não seria grande. Mas estamos falando de um atleta que tem carisma e que representa muito para o tênis mundial, além de ter uma série de projetos sociais que nós apoiamos”, explicou o responsável pelo marketing esportivo da empresa alemã no Brasil, Eduardo Corch.

Durante os 21 anos de carreira, Agassi tornou-se um dos cinco tenistas que venceram ao menos uma edição de cada um dos quatro torneios de Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, US Open e Wimbledon). Ele acumulou 868 vitórias e 273 derrotas, amealhando US$ 31,15 milhões apenas com as conquistas de 60 competições.

Mais do que a carreira vitoriosa, contudo, Agassi sempre chamou atenção pelo excelente relacionamento com o público. Prova disso é que seu jogo contra Benjamim Becker, no último domingo, foi acompanhado por 23 mil torcedores.

“Quem perde mais com a aposentadoria dele não é a Adidas, mas o tênis mundial. Sem ele, o esporte fica sem nenhum jogador que consiga assumir o papel de ídolo”, disse Corch.

As palavras do executivo da Adidas corroboram a iniciativa da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), que decidiu aumentar em 625% o investimento em marketing. A entidade, que destinou US$ 800 mil por ano para essa área até 2006, projeta um aporte de US$ 5 milhões a partir da próxima temporada. A principal razão disso é uma tentativa de fortalecer as imagens dos dois principais jogadores da atualidade, o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal, para popularizar a modalidade e combater a ausência de ídolos.

“Planejamos transformar o circuito masculino num negócio de entretenimento integrado que faça sentido para fãs, tenistas, promotores e imprensa”, disse Etienne de Villers, presidente da ATP.

A idéia de fortalecer a imagem do tênis no cenário atual, segundo Corch, deve esbarrar na ausência de um jogador com o carisma de Andre Agassi:

“Tanto no feminino quanto no masculino, não temos atletas que chamem atenção hoje em dia e que sejam verdadeiros ídolos. Isso é prejudicial em qualquer esporte e pode causar uma queda. Toda modalidade depende do ídolo para cativar o público”.

A maior prova do quanto Agassi é idolatrado no cenário mundial é que sua influência atingiu até a outros jogadores. O suíço Roger Federer revelou que acompanhou o jogo entre o norte-americano e o cipriota Marcos Baghdatis, vencido por Agassi por 3 a 2, e que torceu como um “verdadeiro fã”. “Fiquei verdadeiramente nervoso”, garantiu Federer.

Outro exemplo de idolatria a Agassi foi dado nesta temporada pelo norte-americano James Blake, que enfrentou o russo Teimuraz Gabashvili na última sexta-feira com uma camisa e uma bandana semelhantes às usadas por Agassi na decisão de Roland Garros de 1990, na qual o norte-americano perdeu para o equatoriano Andres Gómez. Detalhe: Blake é uma das apostas da Nike, que vestia Agassi nos anos 90.