Copa amplia em até 20% faturamento de empresas

Correio da Bahia - 21/05/2006


Mercado prevê que a partir de 9 de junho começará o melhor período para os negócios dos últimos 12 anos

A Copa do Mundo de Futebol deve movimentar setores como o comércio durante junho

RIO - A Copa do Mundo da Alemanha, que começa no dia 9 de junho, será a melhor dos últimos 12 anos. Pelo menos para o setor de negócios no Brasil. Embaladas pela melhora da conjuntura econômica, empresas já projetam avanço de 20% nos resultados, impulsionadas pelo consumo de bens e serviços ligados ao evento que paralisa o planeta a cada quatro anos, segundo especialistas. As previsões levam em conta, acima de tudo, as expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país) este ano.

Dessa vez, o cenário é bem diferente em relação à Copa de 2002, quando o país sofria os efeitos da crise gerada pelo processo eleitoral. Naquele ano, o país cresceu apenas 1,9%. Quatro anos antes, houve queda de 0,12% nesse percentual. Para este ano, as previsões mais céticas apontam expansão de 3,5%. "Em 1994, o crescimento foi de 5,85%, mas o país ainda estava em fase de adaptação ao Plano Real", lembra o economista Jason Vieira, da consultoria GRC Visão. "E antes do real vivíamos em um outro Brasil, não dá para comparar".

Diante da retrospectiva de crises que assolaram o país e o mundo de meados da década de 90 para cá - especulação no México, a fuga de investimentos no sudeste asiático, moratória na Rússia e na Argentina, desvinculação do real ao dólar e os atentados do 11 de setembro -, o economista diz que a competição de 2006 será sem precedentes. Além disso, há a influência de fatores como o crédito consignado que, apesar de limitado, tem potencial de elevar os níveis de consumo.

"E há ainda a questão da desaceleração dos juros e o próprio apelo provocado pela vitória no último campeonato", avalia o economista João Carlos Gomes, do Instituto Fecomércio-RJ.

O incremento de faturamento pode superar 20% em setores como o de bares e restaurantes e o de eletroeletrônicos. Depois de investir R$50 milhões em expansão desde 2004, a Semp Toshiba registrou alta de 70% nas vendas de TVs no primeiro quadrimestre em relação a igual período de 2005. Já a Philips atingiu o recorde de um milhão de aparelhos vendidos em cinco meses: alta de 25%. (AJB)

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Marketing movimenta US$14 bilhões

RIO - Mais do que entretenimento, os esportes são uma mina de ouro para os negócios. Estima-se que, por ano, o marketing esportivo movimente US$14 bilhões no Brasil. Nos Estados Unidos, este número deve chegar a US$250 bilhões. Com a proximidade da Copa, grandes jogadas podem elevar os lucros até de empresas que não têm nada a ver com dribles e gols. Mas é preciso tomar precauções para não infringir as leis. A expressão Copa do Mundo Fifa, o mascote da competição (este ano o leão Goleo VI), imagens da taça e dos jogos - os chamados símbolos oficiais da competição - só podem ser usados pelos patrocinadores oficiais do evento.

"A Fifa tem a propriedade intelectual desses símbolos e o direito de entrar com ação judicial contra as empresas que os utilizarem de forma imprópria", explica o advogado Filipe Fonteles Cabral, do escritório Dannemann Siemsen.

No Brasil, a Fifa já notificou 30 empresas por uso indevido dos símbolos. Pelo menos 12 delas mantiveram o direito de continuar com suas ações. Em Israel, a Fifa entrou com uma ação contra a rede de sanduíches Burger King. A marca divulgou promoção em que os consumidores concorriam a uma viagem para a Alemanha e a entradas para jogos. A Justiça entendeu que os ingressos eram de propriedade da Fifa e suspendeu a ação. Por outro lado, na semana passada a Fifa sofreu uma derrota feia no país-sede do evento, depois de entrar com ação no Superior Tribunal de Justiça alemão solicitando que empresas locais parassem de usar o termo Copa do Mundo 2006. Em revide, uma das marcas atingidas, a de doces Ferrero, entrou com ação para anular o registro da expressão pela Fifa. O resultado foi que o STJ da Alemanha cancelou o registro feito pela federação em todo o país e liberou as empresas para usar a expressão. O inteiro teor da decisão deve ficar pronto em cinco meses, mas até lá é provável que pouca gente esteja ainda interessada em falar da Copa para alavancar negócios. (AJB)

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Empresas buscam adaptar jornada

RIO - Copa do Mundo, dia 13 de junho, terça-feira. Primeiro jogo da Seleção Brasileira, às 16h. Meio do expediente. O que fazer para que as empresas não percam produtividade e os funcionários não deixem de assistir aos jogos? A solução está em unir o útil ao agradável e muitas companhias já trabalham em esquemas especiais para que todos lucrem com um dos maiores eventos esportivos do mundo. Algumas pretendem implantar rodízio ou reduzir o turno de trabalho dos funcionários, outras vão adaptar o ambiente para que os empregados acompanhem os jogos, e há aquelas que vão utilizar o tema "Copa do Mundo" para promover programas de incentivo de vendas.

Na rede Multicoisas, especializada em produtos para reparos domésticos, serão instaladas, em cada uma das 50 lojas, TVs de grande porte na área de vendas para que todos possam assistir às partidas. "Somos uma empresa que procura oferecer solução aos clientes", diz Luis Henrique Stockler, diretor de Marketing e Expansão da rede. "Como é difícil encontrar alguma coisa aberta neste período, vamos preparar as lojas para que atendam tanto aos funcionários quanto aos clientes".

Com a iniciativa, Stockler espera que o faturamento cresça até 20% em junho, em relação a igual período do ano passado. Apesar do otimismo, o diretor aposta mesmo é num aumento de vendas nos meses posteriores ao evento. "Esse é um investimento de médio e longo prazo", revela. "Nossa marca terá posição de destaque na mente do consumidor. Se ele tiver uma boa experiência neste período, com certeza vai falar sobre isso. Neste caso, a propaganda boca-a-boca vale ouro".

Para 2006, a expectativa é de aumento no faturamento médio da rede na ordem de 15% em relação a 2005, ajudado pelo mundial. "A Copa é muito importante para o brasileiro, faz parte da nossa cultura", ressalta. "E quem não pode parar precisa de um amparo". (AJB)