Turismo suíço ganha com a Seleção

Swissinfo, Armando Mombelli - 01/06/2006

"É a melhor publicidade turística que se podia imaginar, algo de excepcional que provavelmente não poderá se repetir", declara entusiasta Edwin Rudolf, presidente do comitê organizador do Evento Brasil em Weggis.

A pequena comuna de 3.886 habitantes no cantão de Lucerna conseguiu dar o golpe do século para um vilarejo dessas dimensões: hospedar a seleção brasileira de futebol durante a prepare preparatória para a Copa do Mundo da Alemanha.

Nestes dias, Weggis tornou-se um vilarejo global com a presença de cerca de 800 jornalistas do Brasil e de outros 50 países para acompanhar os treinos diários dos jogadores brasileiros. Um vilarejo em verde-amarelo "É uma coisa incrível. Todo dia de 10 a 15 mil pessoas vêm a Weggis. Durante a noite, é uma grande festa nas ruas ao ritmo de música brasileira. Até parece Rio de Janeiro", afirma Edwin Rudolf.

Freqüentada geralmente por aposentados, a pequena localidade na margem sul do Lago de Quatro Cantões foi totalmente contagiada pela fevre brasileira, com quase todas as casas ornadas com as cores do Brasil.

Os habitantes de Weggis e região vivem uma grande euforia e 300 voluntários trabalham para o comitê organizador, formado há três meses.

"Diria que 99% da população apóia com entusiasmo este evento e que apenas 1% teria preferido a tranquüilidade habitual", explica Edwin Rudolf.

Um nova era turística Além do luxuoso Park Hotel, que hospeda a seleção brasileira, todos os outros hotéis da região estão lotados. Serão 40 mil pernoites em duas semanas, o que equivale normalmente à lotação de um ano.

Os promotores locais já imaginam uma nova era para o turismo na região, que até agora valorizava a beleza do lago e do massiço do Rigi.

"Queremos aproveitar dessa experiência e da grande repercussão para atrair outras seleções e grandes clubes de futebol. Inclusive já estamos em contato com Olympic de Lyon", (red: onde jogam Juninho, Cris e Fred) afirma Edwin Rudolf.

"Nenhuma outra equipe poderá suscitar o mesmo interesse dos brasileiros mas a infra-estrutura criada em Weggis poderá continuar a ser utilizada no futuro", explica Doris Keller, da agência de marketing esportivo Attaro, que organizou a estadia da seleção brasileira e comercializou os 46 mil ingressos para os treinos, além de publicidade, direitos de transmissão e ingressos para os dois amistosos, em Basiléia e Genebra. Outras arrecadações Enquanto os brasileiros dão espetáculo em Weggis, outras sete seleções vieram preparar a Copa do Mundo na Suíça, de maneira mais discreta, longe dos torcedores mas não dos operadores de turismo.

O faturamento previsto com a estadia das oito seleções é estimado entre 30 a 40 milhões de francos suíços. Mais importante ainda é a presença de cerca de 1.500 jornalistas que acompanham as seleções, dando a imagem do país como uma praça esportiva para seleções nacionais.

"Realmente é um nicho de mercado muito interessante que poderá ainda crescer nos próximos anos, aproveitando o Euro 2008, organizado pela Suíça e pela Áustria", afirma Edith Zweifel, porta-voz de Swissturismo, a agência nacional de promoção do setor. Tradição é vantagem algumas localidades têm tradição turística nesse setor. É o caso de Nyon, por exemplo, oeste da Suíça, que recebe regularmente grandes clubes para a pré-temporada.

"A Suíça tem hoje hoje várias vantagens: infra-estrutura esportiva, centros de medicina esportiva de ponta, hotéis habituados a uma clientela exigente e tudo concentrado em distâncias muito curtas", afirma Edith Zweifel.

"Outro fator importante é a tradicional discreção suíça: respeito a outros países, mídia menos agressiva e uma população que geralmente deixa as estrelas em paz. Não é por acaso que várias personalidades do meio artístico e esportivo decidem morar tranqüilamente na Suíça sem ser continuamente incomodadas pelos fãs".