Sem concorrência, CBF renova contrato com Nike

Folha de S.Paulo - 15/04/2006
Rodrigo Mattos

A camisa da seleção terá a marca da Nike por mais 12 anos sem que tenha havido uma disputa comercial. A CBF renovou o contrato com a empresa sem abrir concorrência ou consultar suas rivais --não obteve nenhum reajuste no total pago atualmente.

O novo acordo prevê o pagamento de US$ 12 milhões (R$ 25 milhões) por ano, mesmo valor atual. Até 2002, o contrato era de US$ 160 milhões (R$ 342 milhões) por dez anos, mas houve desconto de 25% em revisão que excluiu os amistosos.

Ainda há premiação de US$ 6 milhões (R$ 12,5 milhões) para conquista da Copa.

A assessoria de imprensa da confederação confirmou a extensão do acordo, mas não deu detalhes sobre esse. Por meio de sua assessoria, a Nike disse que nada tinha a informar sobre o assunto.

O novo acordo incluirá a Copa-2014, na qual o Brasil pode ser o país sede, pois o rodízio da Fifa prevê a competição na América do Sul. A competição tem peso nas negociações comerciais da entidade, pois valoriza a seleção.

Mesmo assim, a Folha apurou que a diretoria da confederação avaliou que tem uma parceria estratégica com a Nike e, portanto, não havia sentido ouvir outras produtoras de material esportivo --entidade de direito privado que não recebe dinheiro públicos, a CBF não é obrigada a fazê-lo.

"Não fomos procurados", confirmou o diretor de marketing da Reebok, Túllio Formicola. "Quando acabam seus contratos, os clubes costumam avisar as empresas ou abrir licitação."

Para o executivo, não há dúvidas de que, se a Copa-2014 for no Brasil, a seleção será ainda mais valiosa no mercado interno.

No São Paulo, a diretoria aumentou os valores de seu patrocínio por meio de concorrência. "Buscamos o melhor preço, dentro de algumas exigências", contou o diretor de Planejamento são-paulino, João Paulo Lopes, que trocou a Topper pela Reebok.

Ao manter a seleção, a Nike conquistou ponto na disputa do mercado do futebol com Adidas e Puma. A equipe é o seu carro-chefe. Mas pagou bem menos do que ao Manchester United, que tem contrato de US$ 458 milhões (R$ 981 milhões) por 13 anos.

O novo contrato deve excluir jogos organizados pela empresa e imposições de convocações, previstos inicialmente. Esse itens foram investigados pela CPI da Câmara, sem conclusão. Diretores da Nike já tinham afirmado que essas cláusulas não deveriam constar da renovação do contrato.