Sábado, 19 de maio de 2001. O Estado de São Paulo

O Mundial, agora, é em Tóquio
Com o adiamento do torneio na Espanha, o clube concentra força na Taça Libertadores

EDUARDO MALUF

Caiu como uma bomba no Palestra Itália a notícia, divulgada ontem de forma oficial pela Fifa, de que o Mundial de Clubes, previsto para julho e agosto na Espanha, será adiado para 2003. O presidente Mustafá Contursi e sua cúpula se reuniram à noite para tentar contabilizar o prejuízo, que é de pelo menos R$ 10 milhões. O Palmeiras perde, sobretudo, a oportunidade de expor a imagem e de "internacionalizar" a marca. O clube havia contratado uma empresa de marketing para levar à frente um projeto, que vinha sendo trabalhado há alguns meses. O sonho de conquistar o inédito título mundial, porém, ainda não acabou. Os jogadores e o técnico Celso Roth viraram as atenções para a Taça Libertadores da América, que leva o campeão para Tóquio, no Japão.

No fim de abril, dirigentes do Palmeiras foram até Madri, onde ficaram durante 10 dias para iniciar a montagem da chamada Casa Palmeiras. Alugaram três salões do Hotel Crowne Plaza, localizado na região central da capital espanhola. O espaço seria utilizado para a distribuição de camisas e outros produtos ligados ao clube e também para o trabalho da imprensa. "Já tínhamos encaminhado tudo", lamentou Patrice Rosenbaum, diretor de marketing. Uma das idéias era utilizar a competição para começar a exportar materiais esportivos, o que renderia dividendos aos cofres palmeirenses.

Apenas por participar do Mundial, a Fifa distribuiria US$ 2,7 milhões para cada clube, valor que já estava sendo contabilizado por Mustafá. Os semifinalistas levariam mais US$ 800 mil. O vice receberia ainda US$ 2,5 milhões e o campeão, US$ 3,5 milhões. Totalizando os ganhos, o primeiro colocado arrecadaria US$ 7 milhões, mais de R$ 16 milhões.

Além do prêmio dado pela entidade, o Palmeiras ainda receberia com alguns pequenos contratos. O clube estava praticamente fechado com a Embratur e com o Guaraná Brasil. Outros acordos ainda seriam feitos nas próximas semanas.

O Palmeiras havia acertado com o Atlético de Madrid para utilizar seus campos de treinamento durante as quase três semanas que ficaria em Madri. O departamento de Marketing estava, inclusive, estudando a possibilidade de confeccionar uma camisa com o distintivo do Alviverde e do Atlético. O objetivo era ganhar o apoio dos torcedores madrilenos. Mustafá se reuniu nas últimas semanas com dirigentes do clube de Madri e o relacionamento estava estreito. O Palmeiras contava com a possibilidade de intercâmbio de jogadores num futuro próximo.

A partir de hoje, as TVs Globo e Bandeirantes começariam a exibir uma campanha publicitária, feita por uma agência contratada pelo Palmeiras, para convidar o torcedor para acompanhar o torneio. A imagem utilizada seria a do goleiro Marcos comemorando a conquista do título da Libertadores de 1999 após vencer o Deportivo Cali nas cobranças de pênalti.


Patrocínio - O clube estava muito perto de fechar um contrato de patrocínio de dois anos com a Pirelli, mas agora passa a temer que o negócio possa ser desfeito. A empresa estava apostando no Mundial, que iria expor bastante a marca. "É lógico que eles (Pirelli) não devem ter gostado do adiamento do Mundial", comentou Rosenbaum.

Os jogadores também lamentaram bastante o fato. Alguns deles, como Argel e Felipe, assinaram o contrato pensando exclusivamente no campeonato. "Quando estava negociando com o Palmeiras, a possibilidade de disputar o Mundial pesou bastante", confessou o lateral-esquerdo Felipe. "Vamos pensar em ganhar a Libertadores para disputar o Mundial em Tóquio", completou Argel. O técnico Celso Roth acredita que o cancelamento do campeonato neste ano não alterará muito seus planos.

As agências de turismo que haviam vendido pacotes para o Mundial da Espanha vão devolver o dinheiro dos consumidores.