Sexta-feira 13 de abril de 2001, Jornal da Tarde

E a camisa está valendo bem menos...

Para estampar seu nome nas camisas do São Paulo durante um ano, a fabricante coreana de eletroeletrônicos LG oferece R$ 5 milhões. Contrato anterior era de R$ 8 milhões


O Conselho Deliberativo do São Paulo autorizou, em reunião na última terça-feira, que o presidente Paulo Amaral acerte com a coreana LG, fabricante de eletroeletrônicos, o contrato de patrocínio de camisas. O acordo seria estabelecido por um ano, com opção de prorrogação por mais 12 meses. A Diretoria comemorou, mas a transação não representa uma vitória de goleada. A questão é justamente a principal: os valores. Que devem baixar.

A multinacional estaria disposta a desembolsar cerca de R$ 5 milhões pelo acerto, mas as negociações não estão encerradas. Depois de ter o contrato de R$ 8 milhões anuais com a Motorola rescindido ainda na metade da sua vigência, o clube está prestes a firmar um contrato de quantia inferior, apesar do otimismo de Paulo Amaral.


Calculando retorno

O presidente, que já confirmou a provável redução no valor, acredita que poderá conseguir uma melhora em relação à proposta inicial.

Para isso, terá de usar uma antiga regra comercial, que também invadiu o marketing esportivo. Precisará convencer a empresa de que ter o seu nome estampado na camisa são-paulina é bom negócio. Tarefa complicada para o momento.

"As circunstâncias não são muito boas. Os clubes brasileiros atravessam uma crise financeira e isso acaba diminuindo o poder de troca", afirma Leonardo Lenz César, sócio da TopSports, agência especializada em marketing esportivo e responsável pelo projeto de marketing da Copa do Nordeste. "É como se uma empresa aérea falida estivesse com um vôo prestes a decolar. A passagem pode custar R$ 1 mil, porém você oferece R$ 100 e compra o bilhete. Para ela é menos desastroso do que não ver dinheiro algum", compara.

Contas e salários atrasados, além das reduzidas fontes de renda, são os vilões. "É difícil suportar a cobrança pela falta de dinheiro. Acho até que o mais correto é não fechar contrato com essas condições, procurando valorizar o seu produto. Só que isso exige uma estrutura sólida, fundamentada em outras receitas", argumenta.

A paciência, de acordo com César, pode ser benéfica nessa hora. Segundo o especialista, a expectativa é de que a situação mude. "Existe um movimento de reestruturação do futebol. A tendência é de realização de negócios com valores altos." E vai além: "Esse tipo de patrocínio (com a exposição da marca da empresa na camisa) é um veículo efetivo de comunicação. Para reforçar e ampliar o resultado, basta apenas desenvolver diversas ações complementares."


Desfalque

Alheio à parte administrativa, o time se dedica a solucionar suas próprias dúvidas. Amanhã, a partir das 16h, enfrenta o União Barbarense, em Santa Bárbara d'Oeste, pelo Campeonato Paulista, com no mínimo três desfalques. Luís Fabiano, Alexandre e Gustavo Nery estão suspensos.

O técnico Oswaldo Alvarez não definiu os substitutos, somente adiantou que Alemão entra na lateral esquerda. No ataque, a opção seria escalar Renatinho ao lado do artilheiro França. No meio, Fabiano e o chileno Maldonado são alternativas.

Outra provável ausência deverá ser Belletti. O lateral continua em tratamento de uma contusão no joelho esquerdo e nem viajou para Fortaleza, onde o São Paulo venceu o Ceará, quarta-feira, por 4 a 2, pela Copa do Brasil. Reginaldo Araújo deve permanecer.

A boa notícia é a disponibilidade que o clube terá para pensar exclusivamente no Paulista, já que despachou o confronto de volta com o Ceará, no Morumbi, ao vencer fora por dois gols de vantagem. Os jogadores, que chegaram ontem à noite do Nordeste, vão contar com um intervalo de dez dias, no mínimo, antes de entrarem novamente em campo pela Copa do Brasil - o São Paulo espera a definição do confronto entre Rio Branco/AC e Vitória/BA, que empataram em 0 a 0 na partida de ida.

É o tempo que o técnico Vadão queria para trabalhar e recuperar os pontos perdidos com as seguidas derrotas para Botafogo de Ribeirão Preto e União São João de Araras, respectivamente.


Crislaine Neves, especial para o JT