Copa anima a venda de calçados


18/01/2006

CÍNTIA CARDOSO - Folha de S.Paulo

A Copa do Mundo, que começa em junho, é a esperança do setor calçadista para aumentar as vendas no primeiro semestre deste ano. Um reflexo disso é a ampliação da participação de expositores do segmento esportivo na Couromoda, feira de calçados que acontece em São Paulo.

"A Copa vai afetar muito positivamente. Os investimentos na linha de tênis e calçados esportivos foram os maiores da feira", disse o presidente da Couromoda, Francisco Santos.

A Reebok, que ficou sete anos fora do mercado de futebol no Brasil, voltou a investir no segmento. Inspirados nas cores da bandeira brasileira, alguns tênis de modelos clássicos da marca vão receber um toque verde-e-amarelo. Além do impulso das vendas por causa do mundial de futebol, Rodrigo Salomoni, diretor de marketing da Reebok, também afirma que os patrocínios recém-assinados com o São Paulo e o Internacional de Porto Alegre devem aumentar as vendas de calçados e acessórios esportivos.

Já a Azaléia, detentora da marca Olympikus, pretende utilizar a Copa do Mundo para aquecer as vendas voltadas para os Jogos Pan-Americanos, que acontecerão em 2007, no Rio de Janeiro. "Esse vai ser o nosso principal evento na linha esportiva", disse Paulo Santana, diretor da Azaléia.

Com os lançamentos dos fabricantes de calçados e com o efeito Copa, o presidente da Couromoda estima que haja um incremento de 10% no faturamento e de 5% no volume de pares no mercado interno. Mas, se o "estado de espírito" dos lojistas está melhor neste ano, segundo o diretor da Azaléia, os prognósticos para o mercado externo continuam ruins. "Tivemos queda de 26% nas vendas externas em 2005 e devemos cair mais 20% neste ano", disse o executivo. O real valorizado é o principal responsável pelo encolhimento das exportações da empresa. "Neste ano, já estamos trabalhando com a perspectiva de queda e vamos nos concentrar no mercado interno. Aliás, foram as vendas internas que compensaram a queda das nossas exportações no ano passado", avaliou Santana.

A exceção ocorre apenas às exportações de sapatos mais sofisticados, segmento que tem conseguido não só elevar os preços como também ampliar a participação no exterior. "O Brasil está numa nova fase de exportação de manufaturados e calçados de couro", disse Francisco Santos. Segundo ele, os visitantes estrangeiros têm procurado calçados mais sofisticados, capazes de concorrer com os italianos. Um exemplo é a Shultz. "Crescemos 30% em volume de 2004 para 2005", disse o dono da empresa, Alexandre Birman. Para 2006, a projeção é de aumento de 20% das exportações.