Sexta-feira, 20 de abril de 2001 , O Estado de São Paulo


Um acordo "na hora certa" com coreanos
Diretoria do São Paulo lembrou que o "momento difícil que o esporte atravessa"

Não é tão ruim o patrocínio que o São Paulo assinou ontem pela manhã com a sul-coreana LG, especializada na fabricação de eletroeletrônicos. Pelo período de um ano, a empresa vai pagar ao clube exatos R$ 6 milhões, o que corresponde a R$ 500 mil por mês. O valor é inferior ao contrato anterior, com a Motorola, mas a Diretoria conseguiu alguns "benefícios" para diminuir a diferença.

O primeiro deles é que o clube não precisou desembolsar comissão para agências de publicidade, que normalmente participam das transações - no caso do acordo com a Motorola, por exemplo, o São Paulo pagou 7%. "Negociamos diretamente. Isso evitou o pagamento", esclareceu o presidente Paulo Amaral, que contou com a ajuda do amigo Carlos Caboclo durante a negociação com a LG.

Outro benefício, mais significativo, é que a empresa se comprometeu a destinar um prêmio, acertado no contrato, em caso de conquista de título. "É um valor em dólar, mas que vai ficar em sigilo a pedido dos executivos da LG", explicou Amaral. Essa premiação não é proporcional à importância das competições, ou seja, a quantia é a mesma para um torneio nacional ou internacional - e inclui o Campeonato Paulista.

"É um acordo que aconteceu na hora certa. Foi bom para o São Paulo, especialmente pelo momento difícil que o esporte atravessa", explicou Paulo Amaral, que fez questão de ressaltar que a LG não exercerá influência sobre o Departamento de Futebol, isso apesar de no contrato constar cláusula determinando um intercâmbio de jogadores com os demais clubes patrocinados pelos coreanos - América de Cali, Dynamo (Romênia), Leicester City (Inglaterra) e Universidad de Chile, além das Seleções da Austrália, França e Coréia do Sul. "Isso é uma coisa que está no contrato, só que depende de conversas futuras. Precisa haver interesse por parte do jogador", desconversou Amaral.


Amistosos na Ásia

Estão previstos também amistosos na Coréia do Sul. "Isso vai acontecer se o calendário permitir. O importante é que o patrocínio trará vantagens para o São Paulo", acrescentou o presidente. O dinheiro será utilizado para complementar as despesas com a folha de pagamento da equipe profissional.

Atuando no Brasil desde 1997, a LG quer expandir seus negócios por intermédio da marca do São Paulo. "Queremos aumentar o nível de conhecimento da nossa marca. Fortalecê-la e alavancar a nossa imagem", disse o diretor de marketing da empresa, Mario Kudo. Segundo ele, o clube representa conceitos como juventude e qualidade, base da política da LG. "É a cara do futuro. Justamente o que pretendemos mostrar."

A empresa possui duas fábricas no País: uma em Taubaté, interior paulista, e outra em Manaus. O faturamento anual é de cerca de US$ 55 bilhões, sendo que a contribuição brasileira em 2000 foi de R$ 1,1 bilhão.

"Possuímos experiência em marketing esportivo. E é claro que poderemos pensar em ações nesse sentido para serem desenvolvidas em conjunto com o São Paulo. Principalmente na área social", declarou Kudo. Os esportes amadores, a princípio, não vão receber atenção especial.

Para a principal "ação", a estampa da marca nas camisas do time, foram criados 15 modelos diferenciados, entre uniforme e roupas de treino. No Morumbi, é possível que a duas letras da empresa sejam fixadas em alguns locais estratégicos.

"Pretendemos repetir no Brasil o sucesso de acordos semelhantes que mantemos com clubes de outros países. Do São Paulo, usaremos sua imagem vencedora e moderna", afirmou Un Chul Hwang, presidente da LG. A empresa tem prioridade de renovação do patrocínio, que tem duração de um ano.

"Os primeiros 12 meses servirão para a gente se conhecer, se relacionar e trocar experiências. É a base para uma solidificação cada vez maior", disse Carlos Salvatore, diretor de marketing do São Paulo.

A nova camisa deve ser estreada no clássico contra a Portuguesa, domingo, no Canindé.


(C. N.)