Violência e lobby ajudaram a acabar com a geral do Maracanã

 

24/04/2005 - 00h12
Violência e lobby ajudaram a acabar com a geral do Maracanã

Da Folhapress
No Rio de Janeiro

O crescimento do faturamento das empresas de marketing esportivo e dos clubes com a exploração das placas de publicidade estática ajudou a acabar aos poucos com a geral do Maracanã.

Desde os anos 90, quando o mercado começou a se aquecer, empresários e cartolas fazem lobby para fechar de uma vez o setor mais popular e com menor retorno financeiro do estádio.

O lobby deu resultado no final de 95, quando os antigos administradores do estádio decidiram fechar a geral. Alegaram falta de segurança. A partir do final dos anos 80, a geral ganhou fama de violenta pelos constantes arrastões, o que facilitou o fechamento do local. Com a geral vazia, as placas cresceram em altura, ultrapassando um metro.

"Com certeza, o lucro das placas de publicidade ajudou a matar a geral. Na época, a violência e a decisão da Fifa [que impede torcedores em pé nos estádios] serviram de justificativa, mas o dinheiro das placas foi o que influiu", disse o professor Victor Andrade de Melo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele é um dos coordenadores do Instituto Virtual do Esporte, um dos centros acadêmicos mais representativos do Rio na área de estudos de esporte.

A geral só foi reaberta em 99, quando Anthony Garotinho assumiu o governo do Estado. Os geraldinos voltaram, mas já não tinham todo o setor para torcer. Eles só podiam torcer na lateral do campo que não tem as placas. Além de ficar ao longo de uma das laterais do gramado, os anúncios também ficam atrás dos dois gols.

"Infelizmente, a geral não faz mais parte de um espetáculo moderno. Até as placas [de publicidade estática] não permitem que os torcedores vejam os jogos", diz o presidente da Suderj, Francisco de Carvalho, que tem poder para reduzir o tamanho dos anúncios, mas não quis comprar a briga. A Suderj é o órgão do governo estadual que administra o estádio.