Esporte globalizado, o caso MSI- Corinthians

 

 

por Cesar A. Sbrighi - Especialista em Marketing Esportivo

Tenho percebido, nos últimos tempos, que a palavra globalização não tem sido mais tão utilizada. Acredito que o processo de globalização já está ocorrendo em diversos segmentos de nossa sociedade. O esporte não poderia estar de fora desta nova tendência mundial. O esporte foi sempre um veículo para que os povos pudessem conviver e se comunicar, como podemos observar nos Jogos Olímpicos e em campeonatos mundiais de diversas modalidades.

O Brasil sempre esteve conectado com mundo esportivo, mas seu principal foco de partcipação sempre foi a exportação de jogadores de futebol. Vemos agora que, com o investimento da MSI no Corinthians as coisas mudam um pouco de figura. A meu ver, o fundo de investimento pretende desenvolver uma equipe que represente a América do Sul do mundo. Obviamente, outras equipes do nosso país já tiveram destaque mundial, como o Santos, São Paulo e Flamengo, mas as equipes nunca se preocuparam em criar este vínculo com o povo latino-americano.

Para explicar melhor o que quero dizer, gostaria de exemplificar com a equipe do Dallas Mavericks da NBA. A equipe do Dallas foi comprada por um milionário da época da bolha da internet chamado Mark Cuban. Ele havia vendido sua empresa "virtual" por alguns bilhões de dólares e comprou o Dallas Mavericks por algo em torno de 300 milhões de dólares. O Dallas era um dos piores times da NBA e estava com problemas financeiros. Mark Cuban resolveu mudar o conceito da equipe e investir um pouco da sua fortuna em prol da equipe. Ele percebeu que a NBA é uma liga com penetração global e que se torna-se a equipe mais internacionalizada poderia aumentar seu número de fãs e consequentemente seu faturamento. Ele contratou um jogador mexicano, o Najera, que popularizou a equipe por todo o México, que é um mercado muito importante para os EUA. Além disso, contratou o canadense Nash, o que acabou arrebatando torcedores por lá. Ainda contratou sua principal estrela, o alemão Dirk Novitsky, que deu aos europeus um motivo para torcer. Quer dizer, isso é que é time globalizado. A partir daí sua equipe passou a vender todo o tipo de merchandising para o mundo todo. Merchandising é o principal ganha-pão do Manchester United, como podemos ver no gráfico ao lado. Isso que aconteceu com o Dallas foi apenas um exemplo que acabou sendo seguido pelas demais equipes da NBA. Pudemos observar a uns 3 anos, quando um jogador da China foi draftado, a disputa dos times pelo jogador, não só pelo seu potencial atlético, mas também visando o mercado chinês como possível cliente.

Voltando ao caso MSI-Corinthians, acredito que esta estratégia de contratar jogadores argentinos tem como objetivo criar uma identificação com outros países da América Latina. Desta forma criando diversas possibilidades, como a venda de direitos de imagem, tours da equipe e também a venda de produtos com a marca Corinthians para outros países da América Latina.

Acredito que a idéia é inteligente, penso que um dos principais obstáculos sejam a pirataria, que ocorre no nosso continente. Torço para que estratégia dê certo e leve outras equipes brasileiras a investir desta forma no futebol.