Europa ainda esnoba Mundial de Clubes

 

Domingo, 12 de setembro de 2004

Estadao.com.br

Europa ainda esnoba Mundial de Clubes
Continente quer liberdade para decidir se manda representante para o torneio da Fifa

NYON - A segunda edição do Mundial de Clubes organizado pela Fifa ainda não seduz a Europa. O continente que tem os clubes mais ricos do planeta esnoba a competição, marcada para o fim do ano que vem no Japão. Representantes das principais equipes da região reivindicam o direito de eventualmente recusar o convite para participar do evento ou então aceitam entrar apenas a partir da fase na semifinal.

Essa posição não é nova, mas foi reafirmada anteontem, no encerramento do Foro de Clubes Europeus, realizado na Suíça. A entidade agrupa 102 agremiações e, depois de ponderar os benefícios e prejuízos do campeonato chegou à conclusão de que a Fifa não pode obrigar seus representantes a aceitar uma proposta que possa sobrecarregar seu calendário. A saída, para evitar novas discussões com Joseph Blatter, o todo-poderoso do futebol mundial, foi a considerar a presença européia como facultativa. Ou seja, fica a critério do clube ir ou não para o Japão. Os europeus não dão nem mesmo a garantia de que seu representante mandará time titular.

A queda-de-braço entre a Europa e a Fifa é antiga. Na primeira experiência, no ano 2000, Real Madrid e Manchester United até atenderam à solicitação e foram ao Brasil, mas consideram a estada como férias e não se empenharam.

Tanto que nem chegaram à final, disputada por Vasco e Corinthians, no Maracanã. O time paulista venceu, na disputa por pênaltis, depois de empate por 0 a 0 no tempo normal a na prorrogação.

A segunda edição estava marcada para 2001, na Espanha, e foi feita até a composição das chaves. Dois meses antes da disputa, a Fifa viu-se obrigada a cancelá-la, por conta da quebra da ISL, sua parceira no marketing esportivo.

Desde essa época, a Fifa várias vezes ameaçou retomar o projeto, mas sempre esbarrou na falta de datas ou de interesse dos europeus. A última tentativa de conciliação foi de programar o Mundial para o Japão, com duração de uma semana a dez dias e com a participação apenas dos campeões de América do Sul, Concacaf, Europa, Ásia, África e Oceania.

Nem essa alternativa foi bem aceita pelos 18 times mais fortes da Europa. O alemão Franz Beckenbauer é um dos que consideram difícil conciliar datas, assim como seu companheiro de Bayern de Munique Karl-Heinz Rummenigge, eleito presidente do Forum de Clubes. Joseph Blatter, no entanto, garante que o Mundial sai. Será?