Tênis inteligente, um antigo sonho dos corredores

Tênis inteligente, um antigo sonho dos corredores
Microchip ajusta o calçado de US$ 250 a qualquer necessidade do atleta

CHRIS AYRES - The Times - 8 de maio de 2004

LONDRES - Seria um tênis comum, não fossem dois botões dourados na lateral, o pequeno mostrador luminoso que exibe o ritmo cardíaco e o compartimento do motor transparente perto do calcanhar, mostrando o que parece ser o interior de um caro relógio suíço.

Não há, é claro, nada de comum nele. É o tênis "1", considerado o primeiro calçado inteligente do mundo - tão distante do corriqueiro par de couro amarrado quanto o ábaco do microchip.

O 1 contém um computador (capaz de fazer 5 milhões de cálculos por segundo), um motor e uma bateria que ajustam os amortecedores para adaptar o tênis a qualquer corredor, em qualquer superfície, para qualquer distância.

"O calçado inteligente sempre foi conversa de sonhadores", disse Christian DiBenedetto, de 38 anos, um ex-engenheiro do setor de Defesa que desenvolveu o tênis na sede americana da Adidas, em Portland, Oregon. "Quando começamos esse projeto, pensamos: 'Caramba, vamos precisar de uma bateria de carro e uma mochila para fazer essa coisa funcionar'." Mas o produto final, que começará a ser vendido em dezembro, não pesa mais que um tênis de corrida tradicional. Ele custará o equivalente a US$ 250. E será o primeiro calçado da História a vir com instruções em CD-ROM.

Se alguém realmente precisará do 1 é algo ainda a conferir. No entanto, dizem os especialistas em marketing, ninguém precisa de um carro esporte que escale montanhas, mas as pessoas ainda assim compram o Porsche Cayenne.

DiBenedetto aposta que a tecnologia de ponta e o desenho em prata, ouro e branco do 1 darão ao tênis um bom apelo de consumo, independentemente de os compradores fazerem ou não outra coisa além de posar com ele nos pés.

E a Adidas não precisa ter medo de violar as regras olímpicas: os atletas de primeira linha só usariam o 1 no treino. Os calçados de competição tendem a evitar o uso de amortecedores - sendo, em essência, um par de meias com cravos.

A recompensa pelo sucesso será alta: acredita-se que o mercado mundial de tênis para treinamento valha US$ 15 bilhões.