Super Bowl tem a sua 38ª decisão

estadao.com.br

Lenita Outsuka

01/02/2004

São Paulo - O New England Patriots entra em campo neste domingo em busca da 15ª vitória seguida na temporada 2003/2004. Não será uma vitória simples, mas a conquista de um campeonato e do direito, para os jogadores, de exibir o anel de campeões da 38ª edição da Super Bowl, a grande final do futebol americano, que este ano será realizada no estádio Reliant de Houston, no Texas. O adversário vem de Charlotte, cidade da Carolina do Norte mais conhecida por ser a sede da Yahoo e do Bank of America: o Carolina Panthers, time que Dan Shaughnessy, cronista esportivo do Boston Globe, classifica de "anônimo", mas que já acumula uma seqüência de seis vitórias.

Shaughnessy, claro, é torcedor de New England. Porque, equipe por equipe, tanto Patriots como Panthers não têm nenhuma grande figura de destaque, aquele que sempre preocupa os adversários. Estarão em campo, neste domingo, duas das melhores defesas da National Football Association (NFL), um reflexo do currículo dos dois treinadores - Bill Bellichick, dos Patriots, e John Fox, dos Panthers -, que antes trabalharam como coordenadores de defesa.

Fox foi o grande responsável por trazer os Panthers ao nível atual. O time, que entrou para a NFL em 1995, chegou surpreendendo à final da conferência nacional em 1996. Na temporada 2001/2002, porém, enquanto os Patriots iam à Super Bowl, os Panthers se tornavam o pior time do campeonato, com apenas uma vitória. Fox mudou toda a situação, levando a equipe a cumprir a promessa feita em 1993 pelo magnata Jerry Richardson proprietário do time, de que Carolina estaria disputando a Super Bowl em dez anos.

Bellichick foi considerado o técnico do ano e os jogadores do Patriots acreditam que, sem ele, não estariam disputando a segunda final em três temporadas. O respeito ao técnico do New England é tanto que a equipe superou, nesta temporada, a 42 mudanças na escalação e a perda de 12 jogadores por contusão. "Um antigo técnico me disse, uma vez, que é melhor estar preparado e não ter oportunidade do que ter a oportunidade e não estar preparado", explica Bellichick. "Quando surgem as oportunidades, se se está preparado, pode-se tirar vantagem disso."

A festa - A última vez que Houston recebeu uma Super Bowl foi há 30 anos. Agora, quer fazer uma festa digna daquele que é considerado o maior evento esportivo dos Estados Unidos, uma tentativa também de esquecer que ali funcionava a sede da Enron, empresa responsável pelo maior escândalo fiscal americano.

Espera-se em torno de 150 mil turistas - mais do que o dobro da capacidade do estádio Reliant. Não há mais vagas nos hotéis desde o início da semana. Houston viu, ao longo dos últimos dias, centenas de jatos particulares pousarem nos aeroportos, trazendo pessoas que pagaram até US$ 175 por um lugar no estádio.

Como em anos anteriores, a CBS, responsável pela transmissão do jogo, fatura alto: inserções de 30 segundos custaram US$ 2,3 milhões. E muitas marcas vão aparecer, de remédios a automóveis e bebidas. A novidade, este ano, é o retorno da Gillette, de produtos para barbear, ao marketing televisivo, numa tentativa de desbancar o concorrente Schick-Wilkinson.

E não é apenas Houston que planeja uma grande festa. O país quer de volta o espetáculo do futebol americano. Em 2002, a Super Bowl foi entristecida pelos atentados terroristas do ano anterior; em 2003, a crise econômica afetava a todos os americanos. Este, então, é o ano da retomada.