Procon não recebeu queixas dos torcedores

estadao.com.br

Wania Westphal

23/02/2004

São Paulo - Depois de quase nove meses da entrada em vigor do Estatuto do Torcedor, corintianos, palmeirenses, são-paulinos, santistas e demais fanáticos por times de São Paulo devem estar satisfeitos com o tratamento que têm recebido nos estádios de São Paulo. É a conclusão que resta ao Procon, órgão estadual de defesa do consumidor, que informa ter não recebido nenhuma reclamação relativa a jogos no estado nesse período.

"A grande verdade é que o torcedor se acostumou a ser tratado como gado", disse Vinícius Simony Zwarg, chefe de gabinete do Procon, que abriu na noite de terça-feira uma palestra sobre o Estatuto, no auditório da sede do órgão, na Barra Funda.

Foi a segunda iniciativa do Procon no sentido de prestar aos interessados esclarecimentos sobre seus direitos e deveres quando vão a um estádio para acompanhar um evento profissional. Torcedor torcedor, por assim dizer, não apareceu nenhum - assim como na primeira palestra, no mesmo local, em janeiro. Acompanharam a palestra, gratuita, apenas 16 pessoas (foram abertas 50 vagas), advogados na maioria.

"Eu tenho interesse em marketing esportivo, então sempre que aparece alguma oportunidade de estar em contato com assuntos ligados ao esporte, procuro acompanhar", disse a publicitária Tatiana Mathias, de 24 anos, recém aprovada para o curso de administração para profissionais de esporte da Fundação Getúlio Vargas/SP.

"Não conhecia bem o Estatuto do Torcedor. Achei fascinante, era o que eu esperava", disse a moça ao final da apresentação de cada item do Estatuto do Torcedor, comentados passo a passo em quase três horas pelo técnico de defesa do consumidor, Paulo Goes.

"É curioso, o torcedor mesmo não vem. Vem advogado, estudante, representante de clube, de federação. O torcedor ainda não despertou para a questão do Estatuto", alertou Paulo, que trabalha há 12 anos no Procon.

Acostumado a lidar com dúvidas de todos os tipos, Paulo disse que as dúvidas mais comuns dizem respeito à meia-entrada: "É o ponto mais delicado, mas ainda assim são poucas as reclamações que chegam até nós."

Paulo alerta para a verdadeira arma que o torcedor tem em mãos a partir do momento em que compra o ingresso: "O ingresso é o comprovante que o torcedor precisa para provar que esteve em tal evento em determinado dia, portanto jamais deve chegar em seu lugar e descartá-lo, como muita gente faz."

Nos casos em que o torcedor tem interesse em reclamar por algum direito que lhe tenha sido negado, deve recorrer ao Procon pessoalmente, nos endereços dos postos de atendimento, por fax ou cartas. Mais informações podem ser obtidas no site do Procon: o http://www.procon.sp.gov.br/, que tem um link sobre o estatuto do torcedor no http://www.procon.sp.gov.br/estatuto.shtml.