Empresas brasileiras podem desistir do jogador

 

Terça-feira, 12 de agosto de 2003

LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI Jornal da Tarde

A transferência de Kaká não está mexendo apenas com o São Paulo. A Traffic, agência de marketing esportivo que cuida da imagem do jogador, também projeta correção de rumos na carreira do garoto.

Kaká pode perder contratos de marketing com empresas brasileiras. "Tudo vai depender da forma como será feito o contrato com o Milan. O clube italiano pode ficar com os direitos de imagem do Kaká. Isso acaba interferindo nas negociações em andamento com empresas nacionais.", explica Frederico Pena, diretor da Traffic.

Pena revela que duas empresas brasileiras têm alinhavado um acordo com o jogador do São Paulo, mas adverte que desistirão do investimento no meia no caso de uma transferência para a Europa. "Não seria interessante, porque essas empresas não querem o Kaká como ícone internacional. Querem ele aqui, como grande ídolo do futebol."

Kaká tem contrato com a Tilibra (material escolar), AmBev (bebidas), Telefonica (telefonia) e Adidas (material esportivo), todos administrados pela Traffic. Os valores são guardados em sigilo pelo staff do jogador e a agência de marketing.

"Dessas quatro empresas, apenas a Tilibra atua no mercado nacional. As outras três, com dimensão internacional, não teriam problemas com a eventual ida do Kaká para o Milan", diz Frederico Pena.

A Traffic também teria problemas para administrar a carreira do jogador. No Brasil, um executivo da agência fica 24 horas por dia por conta de Kaká. "Na Europa, ele teria de montar um staff próprio, como o Ronaldo. A Traffic cuida da imagem do Ronaldo no Brasil, mas na Espanha ele tem a sua própria base, estrutura. O Kaká teria de fazer a mesma coisa na Itália."

Outra hipótese seria a rescisão do contrato entre o jogador e a Traffic.

Kaká fechou, em janeiro, um acordo de 24 meses com a agência de marketing esportivo.

Pena mostra o que pode acontecer no caso de o atleta trocar de clube.

"O contrato é renovável a qualquer momento, mas também pode ser rescindido se as partes mostrarem interesse. De repente, ele vai para a Europa e não acha interessante continuar com a Traffic. Não depende só de nós."

Wagner Ribeiro, procurador de Kaká, e a família do jogador não cogitam romper o acordo com a Traffic.

A empresa também cuida no Brasil da imagem de Ronaldinho 'Fenômeno', Robinho e do técnico Carlos Alberto Parreira. Seu braço mais poderoso é a compra e venda de direitos de transmissão de campeonatos na América do Sul.