Hortência, no mundo das idéias

Quinta-feira, 24 de julho de 2003 - DENISE MIRÁS - Jornal da Tarde


Depois do basquete, Hortência trabalhou com marketing esportivo. Tanto buscou e estudou que agora oferece idéias a empresas. Sócia de Dora, ex-executiva do mercado financeiro, a ex-jogadora diz que vê aí - nesse mundo de idéias - o seu futuro. E o de seus filhos

Hortência de Fátima Marcari passou boa parte da vida trabalhando o físico e a mente, concentrada em jogos para decisões trabalhadas e ao mesmo tempo muito rápidas, arriscadas. Na maior parte das vezes, foi bem sucedida. Tem seu lugar em meio às grandes jogadoras de basquete do mundo.

Agora, vive de idéias. E está adorando. Na verdade, são idéias com foco, para atingir objetivos certeiros, com a mesma precisão que costumava arremessar e sair vibrando com a cesta alcançada. Idéias de marketing.

Mas "encaixadas" dentro da necessidade de cada empresa, frisa. Podem ter a ver com esporte, música, ou moda. Jovens. Ou terceira idade. Ou profissionais liberais. Ou, como ela lembra, "gente muito, muito rica", que quer coisas além do que o dinheiro possa comprar.

A empolgada ex-jogadora tem uma sócia, Dora Kaufman, que já trabalhava nesse mercado. Para o empreendimento, as duas se ligaram à Euro RSCG, um dos cinco grupos de comunicação do mundo, que pertence a uma holding francesa. A Euro tem três empresas no Brasil: uma agência de propaganda, uma de internet e a de marketing, de Hortência e Dora.

As duas a chamaram de Joy Euro RSCG que, por enquanto, está "alojada" no prédio da agência de propaganda, no Morumbi. Hortência e Dora se conheceram trabalhando na All-E, de Eduardo Fischer, de marketing esportivo. Ali, foram três anos de experiência para Hortência, aprofundando-se no assunto, estudando, conhecendo mais e mais pessoas. Dora já soma 12 anos de mercado financeiro.

Em vez de pedidos de patrocínio, projetos

Agora, Hortência diz que chegou a vez de ter a própria empresa, mexendo com marketing, não apenas na área esportiva mas também de entretenimento, de cultura. "Tudo que envolva sensações, emoções", como explica. O diferencial: "Em vez de irmos, em nome dos atletas, atrás de empresas para conseguir patrocínio, passamos a ir diretamente às empresas oferecer idéias e serviços. Ou são elas que nos chamam, para pedir projetos para determinada campanha. E as sugestões são ligadas à empresa."

Captar patrocínio para atletas é difícil, segundo Hortência, que já bateu de porta em porta. "No Brasil ainda não há, por exemplo, o costume de licenciamento de produtos com nomes de atletas, como é mais do que comum nos Estados Unidos."

Assim, agora apresentam-se projetos "proprietários". "Às vezes vamos à empresa. Às vezes é a a empresa que nos procura. Mas é imprescindível que a empresa tenha um foco, saiba o público que precisa atingir, para trabalhar em cima disso." Uma de cosméticos, por exemplo. Tem bem pouco a ver com esporte, como observa. Outro exemplo, cita: não adianta determinada empresa querer patrocinar um torneio de golfe sem objetivo, só porque seu presidente gosta.

"Vamos dizer que talvez o caso da empresa tenha a ver com cultura. No caso do foco ser a terceira idade, podemos sugerir esporte, porque hoje é forte a idéia da saúde, da qualidade de vida pela atividade física. Podemos pensar em um evento só para eles, um convite à diversão, um dia de atividade física, de orientação. Também podemos ver uma lavanderia-express e pensar como é seu cliente, suas necessidades, e sugerir projetos. O campo é imenso.

Mas não são idéias jogadas no ar. São direcionadas, com objetivos."