Nike pode ser processada nos EUA

Sábado, 28 de junho de 2003 - Carlos Franco - O Estado de São Paulo


Empresa é acusada de omitir condições de trabalho de asiáticos que fazem seus produtos

Nem deu para o fundador e presidente da Nike, Phil Kinight, comemorar o prêmio de Anunciante do Ano conquistado na noite de sábado no 50.º Festival Internacional da Publicidade de Cannes. Na quinta-feira, a Suprema Corte americana decidiu que a Nike pode ser processada por publicidade enganosa em resposta a ação do ativista Mark Kasky. Em 1998, esse ativista de São Francisco (Califórnia) acusou a Nike de se apresentar, em campanha de marketing e de relações públicas, como empresa responsável, escondendo as condições de trabalho de operários que fabricam seus produtos na Ásia.

Os advogados contratados por Kinight queriam que o caso fosse encerrado, alegando que todas as declarações públicas da empresa estão protegidas pelo direito de liberdade de expressão garantido pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Nessa fase inicial do processo, a gigante mundial de artigos esportivos teve apoio de veículos de comunicação e de representantes da mídia e até do presidente George W. Bush. O temor era de que se a Suprema Corte acatasse a ação, as campanhas institucionais das empresas ou suas informações correriam sempre o risco de censura. Os juízes, no entanto, rejeitaram o pedido da Nike.

A marca Nike, que surgiu em 1972, responde hoje por negócios de US$ 10 bilhões por ano. Kinight, um esportista de 65 anos, fez da empresa um dos fenômenos de marketing da atualidade. Ele sempre investiu pesado em marketing para transformar a marca em líder mundial de artigos esportivos.

Nunca negou, também, que terceirizou a produção dos calçados para ganhar competitividade. Hoje, a Ásia é dos principais fornecedores dos produtos Nike, especialmente os tênis.