Brasil tem 11 anos para organizar a sua Copa

Sábado, 3 de maio de 2003

CASTILHO DE ANDRADE - Jornal da Tarde

O Brasil vai ser a sede da Copa do Mundo de 2014. E, pela primeira vez, graças ao apoio de todos os países da América do Sul, uma candidatura para sede do Mundial de Futebol não terá concorrentes. Dessa forma, os organizadores terão 11 anos para se preparar e criar as condições necessárias para uma competição de alto nível. J. Hawilla, da Traffic, e Celso Grellet, da Pelé Pró, duas empresas de marketing esportivo, concordam:

a promoção da Copa do Mundo de 2014 pode começar logo. A Confederação Brasileira de Futebol, através do presidente Ricardo Teixeira, disse que "a realização do Mundial de 2014 no Brasil é irreversível".

Segundo o presidente da CBF, no segundo semestre a entidade começará a discutir com autoridades do Governo a formação de uma equipe de trabalho e a fazer os primeiros estudos para começar a viabilizar o projeto. O dirigente garante que o Brasil tem as melhores condições para fazer a Copa.

Para os especialistas em marketing esportivo, o Brasil só tem a ganhar com a Copa do Mundo. "O Brasil é o único país do mundo que organizará uma Copa sem ter que de preocupar em derrotar outros países na Assembléia da Fifa. E isso é uma grande vantagem. A Copa é um grande negócio e pode começar a gerar receita logo", calcula Hawilla.

Celso Grellet alerta para o rigor da Fifa. "Acho que a primeira preocupação deve ser em relação aos estádios. O Caderno de Exigências da Fifa é rigoroso nesse aspecto."

Hawilla sugere que o Brasil construa pelo menos dois novos estádios para a Copa de 2014: um em São Paulo e outro no Rio. "Os demais deverão passar por uma boa reforma", aconselha.

Nem a Traffic nem a Pelé Pró têm, por enquanto, qualquer envolvimento com a organização do torneio. "Tudo dependerá da forma com que as coisas forem conduzidas", diz Hawilla.

Grellet diz que este é um evento que interessa a qualquer empresa de marketing, mas prefere aguardar os planos da CBF e do Governo Federal. A princípio, o Brasil deverá formar um comitê de organização que cuidará, simultaneamente, de cumprir as exigências da Fifa e da própria realização da Copa.

Em geral, o presidente é uma personalidade do mundo esportivo, como um ex-jogador, e o vice é um executivo que vai conduzir o processo.

Depois da Copa da Alemanha, em 2006, a Fifa criará então o seu próprio Comitê Organizador, que tem como principal finalidade a fiscalização e acompanhamento dos trabalhos do comitê local.

A CBF deverá receber uma comunicação formal de que a Conmebol indicou o Brasil por unanimidade. "A partir daí, os dirigentes da CBF devem procurar o governo e começar a discutir o assunto. É importante que esse diálogo revele o potencial de uma Copa e quanto o Brasil poderá lucrar mostrando-se ao mundo", disse Grellet.

Ele considera Pelé um nome forte para a organização da Copa do Mundo. "O 'Atleta do Século' tinha 10 anos quando a Copa foi disputada no Brasil. É a primeira vez que poderá se envolver com um Mundial no País."

Segundo Hawilla, este é o momento para o Brasil deixar de ser apenas "exportador de jogadores para o exterior". Ele sugere que o governo brasileiro deve envolver-se logo com a competição: "Vamos ter, antes do Brasil, duas Copas pela frente: a Alemanha, em 2006, e um país da África, em 2010. Mas podemos já aproveitar nossa indicação."

Grellet acredita que o Brasil tem hoje melhores condições do que qualquer país da África terá em 2010 para fazer sua Copa. "Portanto, temos de aproveitar bem essa situação especial e já começar a promover o evento.

Quanto mais cedo isso for feito, mais o Brasil vai ganhar". O dirigente da Pelé Pró também defende que o país deve se unir em torno da competição.

Hawilla avalia que fazer uma Copa do Mundo, hoje, é mais simples do que há 20 anos. "Uma mesa, um celular e um computador bastam. O que precisa é que todo o País esteja envolvido."

A Coréia do Sul, na opinião de Hawilla, foi o país que melhor soube aproveitar o Mundial nos últimos anos.

"A Coréia é um exemplo a ser seguido. Mais do que Japão, França ou Estados Unidos, ela conseguiu a adesão do público, das empresas, de todo mundo. E ganhou com isso."