Copa no Brasil: só vantagens

Copa no Brasil: só vantagens

Castilho de Andrade - O Estado de São Paulo (15/03/2003)


São Paulo - O Brasil pode começar a ganhar já com a Copa do Mundo de 2014. J. Hawilla, da Traffic, e Celso Grellet, da Pelé Pró, duas grandes empresas de marketing esportivo do Brasil, concordam que a candidatura sem concorrência é uma grande vantagem. Os dirigentes também estão seguros de que o Brasil tem as condições necessárias para realizar a Copa, 64 anos depois do Mundial de 50.


“O Brasil é o único país do mundo que organizará uma Copa com 11 anos de antecedência, sem ter que se preocupar com adversários. A Copa é um grande negócio e pode começar a gerar receita logo”, calcula Hawilla.


Celso Grellet, que está em Londres, alerta para o rigor da Fifa. “Acho que a primeira preocupação deve ser em relação aos estádios. O Caderno de Exigências da Fifa é rigoroso nesse aspecto.” Hawilla sugere que o Brasil construa, pelo menos, dois novos estádios para a Copa de 2014: um em São Paulo e outro no Rio. “Os demais deverão passar por uma boa reforma”, aconselha.


Nem a Traffic nem a Pelé Pró têm, por enquanto, qualquer envolvimento com a organização do torneio. “Tudo dependerá da forma com que as coisas forem conduzidas”, diz Hawilla.


Marketing - Grellet diz que este é um evento que interessa a qualquer empresa de marketing, mas prefere aguardar os primeiros atos. A princípio, o Brasil deverá formar um comitê de organização que cuidará, simultaneamente, de cumprir as exigências da Fifa e da própria realização da Copa.


A CBF deverá receber uma comunicação formal de que a Conmebol indicou o Brasil por unanimidade. “A partir daí, os dirigentes da CBF devem procurar o governo e começar a discutir o assunto. É importante que esse diálogo revele o potencial de uma Copa e quanto o Brasil poderá lucrar mostrando-se ao mundo.”


Grellet considera Pelé um nome forte para a organização da Copa do Mundo. “O ‘Atleta do Século’ tinha 10 anos quando a Copa foi disputada no Brasil. É a primeira vez que poderá se envolver com um Mundial no Brasil.”


Segundo Hawilla, este é o momento para o Brasil deixar de ser apenas “exportador de jogadores para o exterior”. Ele sugere que o governo brasileiro deve envolver-se logo com a competição: “Vamos ter, antes do Brasil, duas copas pela frente: a Alemanha, em 2006, e um país da África, em 2010. Mas podemos já aproveitar nossa indicação.”


Grellet acredita que o Brasil tem hoje melhores condições do que qualquer país da África terá em 2010 para fazer sua Copa. “Portanto, temos que aproveitar bem essa situação especial.” Hawilla avalia que fazer uma Copa do Mundo, hoje, é mais simples do que há 20 anos. “Uma mesa, um celular e um computador bastam. O que precisa é que todo o País esteja envolvido.”


A Coréia do Sul, na opinião de Hawilla, foi o país que melhor soube aproveitar o Mundial nos últimos anos. “A Coréia do Sul é um exemplo a ser seguido. Mais do que Japão, França ou Estados Unidos, ela conseguiu a adesão do público, das empresas, de todo mundo. E ganhou com isso.”