Gil investe para ser um 'Kaká corintiano'

Terça-feira, 18 de fevereiro de 2003
Gil investe para ser um 'Kaká corintiano'

Cansado de não ter a devida valorização, dentro e fora do Parque São Jorge, atacante contratou os serviços do empresário Gilmar Rinaldi para ganhar mais dinheiro e ter mais espaço na mídia
O atacante Gil resolveu mudar. E as mudanças não ficarão restritas à maneira de atuar em campo, passando a explorar também o lado direito, para não ficar um jogador previsível. A estrela do Corinthians quer seguir os passos dos badalados Kaká e Robinho, tão garotos como ele, mas com muito mais espaço na mídia. Quem cuida das carreiras do são-paulino e do santista é Wagner Ribeiro, uma espécie de marqueteiro de jogadores de futebol. Gil, 22 anos, agora também tem seu guru e conselheiro para lapidar o marketing pessoal. Trata-se de Gilmar Rinaldi, ex-goleiro do São Paulo e reserva da Seleção Brasileira campeã do mundo nos Estados Unidos, em 94.
"A minha empresa, a Gilmar Marketing Esportivo, cuidará da carreira do Gil.
Vamos lhe dar assessoria jurídica, familiar, de imprensa e também desenvolver para ele projetos de marketing. O Gil terá orientações de como investir, se comportar, se vestir e se comunicar com os fãs", disse Gilmar, de Milão, onde está cuidando dos assuntos profissionais dos jogadores brasileiros Adriano, do Parma, César, da Lazio, e Matuzalém, do Brescia, também seus clientes.
A primeira missão do agente-Fifa Gilmar com seu novo contratado não será nada fácil. O consultor terá de resolver um problema que está preocupando e tirando o sono do atacante corintiano há muito tempo. No ano passado, Gil teve participação fundamental na conquista da Copa do Brasil e do Rio-São Paulo. É do seu pé esquerdo que saiu a maioria das jogadas que resultaram em gols para o time do Parque São Jorge. Mesmo assim, Gil acha que não é reconhecido.
O jogador recebe um dos salários mais baixos do atual elenco corintiano: R$ 30 mil, o mesmo salário que o clube pagava ao atacante Deivid, que acabou indo embora para o Cruzeiro por não ter tido seu pedido de reajuste atendido pela diretoria corintiana.
"Já conversei sobre esse assunto com o Edvar Simões (gerente de futebol) e o Citadini (vice-presidente de futebol). Acho que não vamos ter problemas.
Além de melhorar a situação do Gil nesse aspecto, quero que ele tenha um plano de carreira no Corinthians. Volto ao Brasil no final de semana e vamos resolver essa questão", avisa Gilmar.
Gil foi orientado por amigos e familiares para procurar um profissional que pudesse melhorar seu marketing e, principalmente, que se encarregasse de tratar de assuntos financeiros com a direção do Corinthians. A indignação do atacante aumentou quando ele soube que Liedson e Lucas foram contratados para ganhar o dobro do que ele ganha: R$ 65 mil e R$ 60 mil, respectivamente.
Citadini percebeu a insatisfação do jogador e tomou a iniciativa de anunciar aos repórteres que a diretoria planejava dar um reajuste ao atacante. O dirigente ficou só na promessa. Gil resolveu agir. No ano passado, o atacante teve sérios problemas com dois procuradores. Resolveu não passar procuração para mais ninguém.
"Não quero falar o nome deles. Mas me deram muito trabalho. Mas o trabalho do Gilmar é conhecido. Sei que com ele não terei problemas."

WLADIMIR MIRANDA Jornal da Tarde