A partir de hoje, 'peladas' invadem América Latina pela tevê

Quarta-feira, 19 de fevereiro de 2003
A partir de hoje, 'peladas' invadem América Latina pela tevê

Trata-se de uma campanha publicitária da Nike, da qual participam os dois Ronaldinhos, Denílson e alguns jogadores estrangeiros
A Nike coloca o seu time em campo hoje na campanha "Meu Futebol".
Ronaldinho, Denílson e Ronaldinho Gaúcho, para citar apenas os brasileiros, estão escalados para o filme comercial que será veiculado na televisão em 14 países latino-americanos. O tema da peça publicitária sugere um estímulo ao futebol-arte, que nasce com os jogadores nas 'peladas' de rua. Mas o mote é vender a nova coleção de material esportivo da empresa norte-americana.
"É o nosso primeiro comercial produzido especificamente para países da América Latina para celebrar a criatividade dos nossos garotos", diz Patrícia Chaccur, gerente de propaganda da Nike.
O filme, dirigido pelo argentino Fabián Bielinski, mostra meninos de muita habilidade com a bola disputando 'peladas' nas ruas, praias e praças. As cenas dos garotos, que não são atores, passam por uma fusão com as imagens dos craques consagrados, também fazendo malabarismos com a bola de futebol.
Campanha no ar, produtos nas prateleiras. São 12 itens, sempre com o tema futebol. Os preços não foram divulgados pela Nike, que também não revelou quanto investiu na peça publicitária, que terá comerciais veiculados por Record, Globo, SBT, Rede TV!, Bandeirantes, ESPN e Fox. Em São Paulo, usará painéis eletrônicos e no Rio, o "envelopamento" de ônibus.
Um dos objetivos do "Meu futebol" é fortalecer a posição da empresa no mercado latino. Na Ásia, é uma campeã de vendas.
Os custos da nova campanha não incluem os gastos com os jogadores. A política de marketing da Nike no futebol envolve a contratação exclusiva de jogadores. Seu astro é Ronaldinho, com quem tem um acordo quase vitalício.
"Há um grande equívoco quando se diz que o Ronaldo tem um contrato vitalício com a Nike. Na verdade, o compromisso é por dez anos, renovável por mais dez anos, e depois mais dez anos, e assim até o dia em que não for mais interessante para as duas partes", conta Ingo Ostrovski, diretor de comunicações da Nike no Brasil.
O time de jogadores da empresa conta também, entre outros, com Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Denílson, Diego e Robinho, a mais recente contratação.
Recuperar o tempo perdido
Com este naipe de estrelas brasileiras e internacionais, como o argentino Riquelme e os holandeses Kluivert e Davids, a Nike tenta recuperar o tempo perdido durante o qual não investiu no futebol. A empresa descobriu esse esporte em 1994, quando começou a investir em atletas e seleções nacionais.
O maior lance foi o acordo firmado com a CBF, em 1996, que garantiu os direitos exclusivos de imagem da Seleção Brasileira. O investimento alcançou US$ 200 milhões, um dos mais altos na história do futebol. A Nike também patrocina as seleções de Portugal, Holanda e Estados Unidos.
Entre os clubes de futebol europeus, está nas camisas do Barcelona e da Inter de Milão. No Brasil, assinou recentemente com Corinthians e Flamengo.
Seus produtos ligados ao futebol estão entre os mais rentáveis, perdem apenas dos de atletismo.