Sábado, 24 de fevereiro de 2001

Políticas para o esporte

Estamos de olho! No dia 19 de fevereiro, em Brasília, a Câmara Setorial se reuniu para mostrar as políticas concluídas por cada Grupo Temático: esporte de base, desenvolvimento do esporte, esporte de rendimento e esporte para portadores de deficiência. Como resultado, quatro documentos contendo, cada um, a sugestão de política de esporte para o setor. Nos próximos dias esse material deverá estar disponível no site do Ministério dos Esportes e Turismo (www.met.gov.br).

É bom conhecer o texto, até para não tomar sustos com algumas novidades que podem surgir no esporte nos próximos meses. Prestem atenção e não se enganem. Os problemas do esporte brasileiro são profundos e não vai ser dando um "jeitinho" que teremos um esporte digno, ou que aprenderemos, na prática, o que significa a tal da "cultura esportiva".

O documento do Grupo de Esporte de Rendimento trata, basicamente, de quatro temas: Equipes Olímpicas e Paraolímpicas permanentes, Universidade Olímpica, Captação de Eventos Esportivos (preparando as candidaturas do Rio para o Pan-Americano de 2007 e para a Olimpíada de 2012 ) e Orçamento. Quanto às equipes permanentes, essa é uma idéia antiga do Carlos Nuzman desde o tempo em que ele presidia a Confederação de Vôlei, enquanto a Universidade Olímpica e as candidaturas do Rio são idéias mais recentes. No primeiro assunto, o GT estabelece total coordenação e gerenciamento do COB e das Confederações, desde a captação de jovens talentos, até as equipes principais. O MET já está, inclusive, estabelecendo acordos com o Sesi e as Forças Armadas para formar uma malha de centros esportivos a serem envolvidos na operação.

A Universidade Olímpica, por sua vez, vai gerar muita polêmica se vier a se concretizar.


Especialização para atletas Basicamente, ela visa formar profissionais especializados em esporte (para cada modalidade) desde técnicos até dirigentes. Funcionaria como um curso de especialização, mais curto e específico, com status de curso superior, destinado, principalmente, a atletas e ex-atletas. Por um lado, isso permite aproveitar o conhecimento e a experiência de campo dos atletas em outras áreas ligadas ao próprio esporte. Por outro lado, é "um jeitinho" para resolver um problema recente: hoje, segundo o Conselho Nacional de Educação Física, para trabalhar com atividade física a pessoa precisa ser profissional de Educação Física. Ou seja, ter o diploma em mãos, ou estar trabalhando na área, formal e reconhecidamente, há mais de três anos.

Já para financiar as candidaturas do Rio, várias fontes foram apontadas nas discussões de Orçamento, que vão desde 15% da verba de marketing das estatais, até renúncias fiscais, como as da Cultura. Pelo menos um tema fez falta: Mecanismos de Fiscalização. Afinal de contas, o maior mal do esporte brasileiro, hoje em dia, tem sido a falta de credibilidade e lisura envolvendo negócios com dirigentes. E não seria diferente com todo esse dinheiro envolvido. No fundo essa política reforça, ainda mais, o controle das forças por parte dos mesmos de sempre. Com isso, fica difícil mudar uma dura realidade do nosso país: o esporte, hoje, é feito para uma pequena elite.