Na Europa, o dinheiro que saía das redes de tevê está diminuindo

Sábado, 11 de janeiro de 2003 - O Estado de São Paulo


Na Europa, o dinheiro que saía das redes de tevê está diminuindo


O futebol enfrentou uma grave crise financeira em 2002 com a falência de poderosas empresas de marketing esportivo. Contratos foram rompidos e os clubes jogados em montanhas de dívidas. Um ano antes, em 2001, o dinheiro da televisão parecia sem medida aos clubes.

A Liga da Inglaterra, considerada a mais rica do mundo, recebeu em 2001 investimentos de US$ 1,9 bilhão, em grande parte de contratos de televisão.

O negócio futebol parecia mais saudável do que nunca. Mas nos 12 últimos meses se produziu o colapso das companhias ITV, na Inglaterra, e Kirch, na Alemanha.

A crise se agravou porque os programas financeiros dos clubes tinham como base os contratos com a televisão. No final de 2001, executivos descobriam que as enormes somas comprometidas em 2000 para a transmissão dos jogos não poderiam ser pagas.

Empresas de comunicação, já golpeadas por um baque da indústria de publicidade, descobriram que não poderiam recuperar o que haviam investido.

Em março de 2002, a ITV admitiu que não poderia cumprir suas obrigações firmadas no contrato de US$ 502,5 milhões para transmitir por três anos os jogos do futebol inglês. E ainda ofereceu redução de US$ 50 milhões.

A oferta foi rechaçada de imediato pela Liga Inglesa que, depois do colapso da ITV, em abril, entrou na Justiça contra os proprietários da empresa para que paguem US$ 284,7 milhões que devem aos clubes.

Mas a Liga perdeu na Justiça. E os 72 clubes ingleses participantes no contrato em pior posição que antes, vários deles à beira da falência, partiram para acordos mais modestos com outras redes de televisão.

Os clubes alemães haviam sido golpeados pela quebra do grupo Kirch, que faliu diante da impossibilidade de pagar US$ 1,5 bilhão que havia se comprometido pelos direitos de televisão na Alemanha até 2004.

A Liga Italiana 2002/2003 começou quase um mês atrasada por falta de acordo com a tevê. Um informe publicado em julho revelou que os clubes das quatro divisões haviam acumulado perdas de mais de US$ 1 bilhão, mais da metade só na Série A.