Peladeiros ganham site próprio

Peladeiros ganham site próprio

Quinta-feira, 16 de janeiro de 2003

Stella Fontes - O Estado de São Paulo


São Paulo - Ao que parece, foi-se o tempo em que peladas de futebol eram assunto de amador. No processo de "profissionalização", os peladeiros ganharam até site próprio, o Peladeiro (www.peladeiro.com.br), e a brincadeira pode render faturamento anual compatível ao valor que cada clube da Série A2 deve gastar em três meses de Campeonato Paulista: R$ 300 mil. "O site nasceu como uma brincadeira. Mas como a procura foi surpreendente, resolvi transformar em negócio", conta o idealizador do site e peladeiro nas horas vagas, Felipe Nascimento. Em pouco mais de um ano no ar, o site registra mensalmente 200 mil páginas vistas e conta com pelo menos 8,5 mil jogadores cadastrados. Até o final do ano, o número de usuários deve saltar a 30 mil.

Brincadeira à parte, para que o site sobreviva oferecendo os mesmos serviços, gratuitamente, e atinja o faturamento programado, Nascimento está à caça de patrocínio. "Estamos conversando com algumas empresas, mas nosso objetivo é conseguir um patrocínio exclusivo", conta.

A contrapartida aos R$ 300 mil a serem investidos - o patrocínio seria a única fonte de receita do site - é um pacote que inclui e-mail marketing, banners de publicidade no portal, espaço para uma loja virtual especializada em artigos esportivos e campanhas publicitárias que utilizem mídia convencional. "Além disso, vamos organizar uma liga e vincular o nome do patrocinador", acrescenta Nascimento.

Negócio - De acordo com o "peladeiro", que também é especialista em desenvolvimento de sistemas corporativos, a base de cadastros do site será o grande trunfo do negócio. "Os peladeiros cadastrados trocam, em média, 20 mil e-mails por mês", calcula Nascimento. "Assim, usaremos essa base para e-mail marketing e vincularemos a marca a qualquer atividade do site".

Se os planos de patrocínio saírem conforme a expectativa, todos os serviços prestados pelo Peladeiro.com, entre eles organização de peladas, cadastros de times de todo o País e informações meteorológicas, entre outros, continuarão gratuitos. "Não há intenção de oferecer serviços pagos, pelo menos até o final deste ano", diz Nascimento. "Porém se essa for a saída para o site sobreviver, teremos de repensar o negócio a partir do ano que vem".

Trabalheira - De acordo com Nascimento, não é possível calcular o total investido no site até o momento. "Como ele foi desenvolvido aos poucos e somente em setembro transformou-se em empresa, fica difícil mensurar", explica. No mesmo mês em que passou a integrar o portfólio de uma empresa, dirigida pelo peladeiro, o site ganhou nova versão. "Ele foi profissionalizado", garante. Resultado: além do novo negócio, os peladeiros de plantão ganharam uma ferramenta útil na hora de marcar a "brincadeira". "Para juntar 16 jogadores, tinha de realizar em média 20 telefonemas. Agora, o site se encarrega de disparar uma mensagem quando os times estiverem completos", compara.